Saiba tudo sobre condenação da babá brasileira nos EUA

Juliana Peres Magalhães e Brendan BanfieldReprodução/redes sociais

Na última semana, Brendan Banfield foi condenado à prisão perpétua pelo assassinato de sua esposa, Christine Banfield, de 37 anos, e de Joseph Ryan, de 39. Já a ex-babá brasileira Juliana Peres Magalhães recebeu uma pena de 10 anos de prisão pela morte de Joseph. O crime ocorreu em 24 de fevereiro de 2023, em Herndon, no condado de Fairfax, na Virgínia, nos Estados Unidos.

O caso

Os policiais foram acionados por ligações telefônicas feitas a partir da casa da família Banfield. Uma das chamadas foi realizada por Juliana, que na época trabalhava como babá dos filhos do casal, mas a ligação foi interrompida logo em seguida.

Em outra ligação, feita por Brendan, ele afirmou ter atirado em um homem que teria esfaqueado sua esposa. A polícia, no entanto, informou que não encontrou sinais de arrombamento no imóvel. 

No andar superior da residência, os agentes localizaram Christine Banfield com ferimentos de faca e Joseph Ryan morto por disparos de arma de fogo. Christine chegou a ser socorrida e levada a um hospital, mas não resistiu aos ferimentos. As informações foram confirmadas pelo chefe de polícia do condado de Fairfax, Kevin Davis. 

Investigações 

Durante as investigações, os policiais começaram a suspeitar de que o crime não ocorreu exatamente da forma como Brendan e Juliana relataram, já que havia evidências que contradiziam as versões de ambos.

Em primeiro lugar, a polícia descobriu que Juliana e Brendan Banfield mantinham um relacionamento extraconjugal.

Polícia encontrou diversos porta-retratos de Juliana e Brendan na residência onde o duplo homicídio ocorreuReprodução

Em segundo lugar, os investigadores observaram indícios de que a cena havia sido manipulada. Além disso, não havia sinais de arrombamento na porta da residência. 

A dinâmica dos disparos e as movimentações dentro da casa também não condiziam com a versão de que o homem teria atacado Christine de surpresa enquanto todos estavam no local.

Qual o envolvimento de Juliana no crime?

Juliana Peres MagalhãesAP/Fairfex County Police

Juliana Peres Magalhães, de 25 anos, natural de Jacareí, no interior de São Paulo, mudou-se para os Estados Unidos, onde passou a trabalhar para a família Banfield. Ela começou a atuar como babá em 2021, por meio do programa au pair, intercâmbio em que jovens vivem com uma família por um ano ou mais e, em troca dos cuidados com as crianças e da realização de tarefas leves, recebem moradia, alimentação e salário mensal. 

Ela e Brendan acabaram se envolvendo. Em outubro de 2023, ela foi presa. Em 29 de outubro de 2024, declarou-se culpada de homicídio culposo em um acordo com a promotoria. Ela confessou ter atirado em Joseph Ryan e concordou em cooperar com a acusação no processo contra Brendan Banfield. Juliana testemunhou contra ele em janeiro de 2026, quando revelou detalhes do plano para matar a esposa do ex-patrão. 

Durante seu depoimento, ela declarou que o assassinato de Christine Banfield teria sido planejado ao longo de vários meses, com a participação direta do então patrão, Brendan Banfield 

Brendan teria afirmado que o divórcio não era uma opção, pois implicaria dividir a custódia da filha e os bens da família. 

A jovem também relatou que criou, junto com Brendan, um perfil falso em uma rede social voltada a fetiches sexuais, no qual se passava por Christine. A partir desse perfil, eles teriam atraído Joseph até a residência do casal, sob o pretexto de participar de uma suposta encenação sexual. 

Além disso, ele teria levado Juliana a um clube de tiro para que ela treinasse tiro.

No dia do crime, Brendan fingiu que iria trabalhar e parou em uma lanchonete a poucos minutos da casa. Juliana disse que iria ao zoológico com a filha do casal, mas permaneceu dentro do carro, aguardando a chegada de Joseph. Quando ele entrou na residência, ela também retornou e deixou a criança no porão.

Ao subir até o quarto do casal, afirmou ter encontrado Joseph e Christine. Segundo o relato, Brendan atirou contra Joseph e passou a atacar a esposa com uma faca. Juliana disse que correu para um canto do quarto e ficou sentada, com as mãos no rosto. Em seguida, ao perceber que Joseph ainda estava vivo, efetuou um disparo contra ele.

Qual o envolvimento de Brendan Banfield?

O ex-agente da Receita Federal dos Estados Unidos Brendan Banfield, de 41 anos, foi indiciado 19 meses após o crime, em setembro de 2024. Segundo as investigações e o depoimento de Juliana, ele teria articulado, junto com a babá, o plano para matar sua esposa. 

Em depoimento à Justiça dos Estados Unidos no dia 28 de janeiro deste ano, Brendan admitiu ter mantido um relacionamento extraconjugal com a babá brasileira.

No entanto, em um novo depoimento prestado no dia 30 de janeiro, ele afirmou que, antes do assassinato da esposa, ele e Juliana já não estavam mais juntos e negou ter planejado qualquer homicídio com ela.

Banfield negou que, durante o período em que manteve o caso extraconjugal, tenha havido qualquer tipo de planejamento para matar a esposa.

Ele foi acusado de dois homicídios em primeiro grau, uso de arma de fogo na prática de crime violento e de colocar uma criança em situação de risco, uma vez que a filha do casal, de quatro anos, estava dentro da residência no momento dos assassinatos. 

Condenação da ex-babá

A condenação foi anunciada quase três anos depois. Juliana foi condenada em 13 de fevereiro deste ano a 10 anos de prisão pela morte de Joseph Ryan.

Durante o julgamento, a promotoria argumentou que os assassinatos faziam parte de um plano maior entre Brendan e Magalhães, que mantinham um caso extraconjugal.

Condenação de Brendan

Brendan Banfield Rede Sociais/Reprodução

Na última sexta-feira (05), após mais de três anos e três meses desde o crime, Brendan Banfield foi condenado à prisão perpétua pelos assassinatos de sua esposa, Christine Banfield, e de Joseph Ryan.

Os promotores sustentaram que a versão apresentada pelos dois foi forjada para encobrir um plano previamente elaborado pelo casal.

Ao proferir a sentença, a juíza classificou as ações de Banfield como “malignas e premeditadas”. Ela também destacou que o réu não demonstrou preocupação com a filha do casal, de apenas 4 anos, que estava na residência no momento dos assassinatos.

Além da condenação por homicídio qualificado, Banfield recebeu mais cinco anos de prisão por colocar a criança em situação de risco. A pena também foi ampliada em três anos devido às acusações relacionadas ao uso ilegal de arma de fogo.

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