Carlo Ancelotti faz aniversário com um desafio inédito pela frente: a Copa do Mundo


Carlo Ancelotti completa 67 anos com um desafio inédito: a Copa do Mundo
Carlo Ancelotti completou 67 nesta quarta-feira (10), às vésperas da primeira Copa do Mundo dele como técnico.
Tapinhas no ombro, aperto de mãos. Nem parece que esta quarta-feira (10) é um dia tão importante. Dez de junho de 1959: Carlo Ancelotti nasceu na pequena cidade de Reggiolo, no norte da Itália. Mas, como habitante do mundo do futebol, podemos dizer que ele nasceu no reino de Pelé. Fazia menos de um ano que o Brasil tinha dominado o planeta, ganhando a Copa pela primeira vez.
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Onze anos depois, o menino italiano sofreu com a goleada que a Itália levou na final da Copa de 1970 e nunca mais esqueceu. Ancelotti conta que, naquele dia, aprendeu o que era o futebol brasileiro. Aprendeu pela dor e hoje divide a alegria. É cercado de brasileiros que ele celebra 67 anos de vida.
“Teve um bolo, geralmente, quando tem aniversário, o pessoal da cozinha prepara um bolo para cantar parabéns, fazer uma coisa bem legal”, conta Raphinha, atacante da Seleção.
Ele já poderia estar descansando, recebendo os parabéns dos amigos e da família. Mas, quando já tinha idade para se aposentar, um dos treinadores mais vitoriosos do mundo resolveu recomeçar. Depois de ganhar 31 títulos em clubes, assumiu pela primeira vez o comando de uma seleção em uma Copa. Agora, tem atrás de si não uma torcida, mas um país inteiro, o melhor da história do futebol.
Quando o Brasil estrear contra o Marrocos, Ancelotti vai estar escrevendo algumas linhas nessa tradição. Vai ser o treinador mais velho a comandar a Seleção Brasileira em uma Copa, superando por dois meses Zagallo em 1998.
Carlo Ancelotti faz aniversário com um desafio inédito pela frente: a Copa do Mundo
Jornal Nacional/ Reprodução
É o segundo aniversário de Ancelotti com o Brasil. Um ano atrás, boas lembranças: foi o dia em que o Brasil se classificou para essa Copa, derrotando o Paraguai. Agora, os jogadores querem multiplicar aquela alegria. Nesta quarta-feira (10), Raphinha prometeu presentes. E olha que eles foram grandes rivais, um no Real Madrid e outro Barcelona.
“Espero poder fazer tudo aquilo que eu fiz contra ele, fazer a favor dele, principalmente na Copa do Mundo. E como eu falei: eu vou buscar sempre dar o meu melhor”, diz Raphinha.
O primeiro presente já veio no treino. No túnel do aniversariante, o pessoal pegou leve com o chefe.
“Aliviaram. Acho que ninguém tocou nele. Só deixaram ele passar”, conta Raphinha.
E, como todos se comportaram bem, não seria muito abuso lembrar nesta quarta-feira (10) mesmo ao aniversariante que o Brasil adora um presente também.
Comentários
Paulo Nunes e Renata Vasconcellos em Nova York, nos Estados Unidos
Jornal Nacional/ Reprodução
Renata Vasconcellos: Quando Carlo Ancelotti visitou o Jornal Nacional para uma entrevista, há algumas semanas, eu brinquei com ele: “Ancelotti, a gente faz aniversário no mesmo dia, 10 de junho, geminianos”. Aí ele olhou para mim e falou assim: “Múltiplas personalidades”. Eu diria que o Ancelotti também é múltiplo na técnica, na tática. Porque, claro, ele tem lá suas preferências, mas ele se mostra muito flexível também diante das circunstâncias. Queria te ouvir.
Paulo Nunes, comentarista: Sobre essas múltiplas ideias que ele tem para a Seleção Brasileira, só com esse tamanho, só com essa carreira vitoriosa. Principalmente: um cara que ganhou cinco Champions League. Um cara que ganhou as maiores ligas do futebol mundial.
Renata Vasconcellos: Como jogador e, também como técnico.
Paulo Nunes: O tamanho que ele tem, o respeito que ele traz das outras seleções, o respeito pelo jogadores, pela hierarquia. O jogador tem que olhar para cima dele, não pode ficar olhando para baixo. E o respeito com a gente. Ele traz essa confiança para que a gente possa acreditar muito nessa conquista.
Renata Vasconcellos: E você não acha que ele tem essa espécie de flexibilidade, ele joga com o que tem? Ele mesmo diz: “Eu não olho para trás, eu não choro leite derramado. Eu olho o que eu tenho, as possibilidades que eu tenho”. Essa é uma característica dele. E, claro, aquela chamada “liderança discreta”.
Paulo Nunes: Volto ao tamanho dele. Além dele ter isso, ele tem a coragem. Ele está mudando um sistema de jogo antes do primeiro jogo da competição. Ele jogou uma vez só com esse sistema.
Renata Vasconcellos: Você está falando de mudar o esquema de jogo agora, em cima da hora da estreia do Brasil?
Paulo Nunes: Só com esse tamanho ele pode fazer isso. A cobrança, a exigência é muito grande. Então, quando você tem um sistema no 4-2-4 – que é, dois jogadores no meio-campo, Casemiro e Bruno Guimarães, com quatro atacantes – é um time muito ofensivo, que não é a característica dele. Ele é um europeu, um italiano, que preza muito por manter o equilíbrio defensivo. Aí a gente entra naquele esquema que o jogador de futebol fala muito: cuidar da casinha. Cuidar da casinha é cuidar do gol. É isso que o italiano gosta de fazer. Ele traz, de novo, um atacante, tira um atacante de frente, dos quatro. Ele bota no meio-campo o Paquetá para protegem melhor esse sistema e a Seleção fica muito mais consistente.
Renata Vasconcellos: Então, a gente pode esperar, para a estreia contra o Marrocos, digamos assim, uma novidade no esquema tático do Ancelotti?
Paulo Nunes: E, para mim, uma novidade boa. É um time mais forte defensivamente. E aí você libera os dois jogadores que podem decidir: Raphinha e Vinícius Júnior.
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