
A investigação sobre a execução do empresário chinês Su Jingwei, de 35 anos, levou a Polícia Civil de São Paulo a um universo pouco conhecido até mesmo entre investigadores: a atuação de grupos criminosos chineses que operam de forma paralela às facções brasileiras.
Até agora, quatro pessoas foram presas por envolvimento no assassinato ocorrido em novembro de 2025, no bairro da Liberdade, região central da capital paulista. Entre elas estão duas mulheres chinesas. Uma delas sequer fala português.
Durante as prisões, os policiais encontraram uma grande quantidade de metanfetamina, droga sintética considerada uma das mais valiosas do mercado ilegal.
- LEIA AINDA: Peru vai à recontagem após disputa entre Sánchez e Fujimori
As imagens de segurança mostram o momento em que Su Jingwei caminhava por uma rua da Liberdade. Um carro se aproxima lentamente. Em seguida, um homem desce, caminha até a vítima e atira.
Foram cinco disparos. Três atingiram o empresário. Ele morreu no local.
Antes das prisões das duas mulheres, a polícia já havia identificado e detido dois homens apontados como participantes diretos da execução.
Uma das principais linhas de investigação considera a possível ligação do crime com integrantes de uma organização criminosa formada por chineses que atua em São Paulo.
Segundo os investigadores, o grupo mantém perfil discreto e evita confrontos ou disputas abertas com facções brasileiras, especialmente o PCC.
A estratégia é diferente da adotada por organizações criminosas tradicionais.
Por anos, a chamada máfia chinesa ficou conhecida por agir dentro da própria comunidade oriental instalada no centro da capital paulista.
As denúncias envolvem cobranças ilegais, extorsão e ameaças contra comerciantes chineses. Empresários e donos de lojas eram pressionados a fazer pagamentos sob risco de represálias.
A polícia ainda apura qual teria sido a motivação para a morte de Su Jingwei e se o assassinato foi ordenado por integrantes dessa estrutura criminosa. O caso continua sob investigação.
