Decisão do governo pode custar bilhões na conta de luz em 2027

Saiba como empresas podem aderir ao Mercado Livre de Energia e economizar na conta de luzReprodução/Freepik (www.magnific.com/)

Existe uma sigla técnica que quase nenhum empresário conhece, mas que define quanto a sua empresa vai pagar de luz em 2027. Ela se chama CVaR, e na última quarta-feira (10) o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) decidiu mantê-la no patamar mais conservador: o par (15,40).

Traduzindo do “setorês” para o português dos negócios: o governo optou por manter o sistema operando com o máximo de cautela contra o risco de faltar água nas hidrelétricas. Para isso, aciona com mais frequência as usinas termelétricas, que são caras. E essa conta, no fim da linha, chega faturada para quem consome.

O efeito é direto. O CVaR influencia o Preço de Liquidação de Diferenças, referência usada no mercado de curto prazo; quanto mais conservador o parâmetro, maior tende a ser o PLD. PLD mais alto pressiona as bandeiras tarifárias, encarece o custo da indústria e, por tabela, alimenta a inflação. Energia cara você paga duas vezes: na conta de luz e, depois, no preço do produto no mercado. 

“O empresário não precisa entender a sigla. Precisa entender o efeito dela: a energia vai continuar cara em 2027”, resume Carolina Fantinati, fundadora da Nexvie Energia, consultoria de transição energética. “E quem fica parado no mercado cativo paga essa conta inteira, sem nenhum poder de reação.”

A conta que poderia ser menor

O que torna a decisão polêmica é o seu custo de oportunidade. Representantes de consumidores, comercializadores e geradores calcularam que a adoção de um critério menos conservador, o 15,30, geraria cerca de R$ 5,4 bilhões a menos em gastos com térmicas, recursos que saem, em última instância, do bolso de quem paga a conta.

Há ainda um argumento que ganhou força no debate: o país acaba de contratar dezenas de gigawatts de reserva de capacidade no último leilão (o LRCap 2026), justamente para garantir segurança nos horários de pico. Para a corrente que defendia a flexibilização, manter o nível de cautela no máximo, mesmo com toda essa reserva já contratada, é como pagar duas vezes pela mesma proteção, e o consumidor banca a duplicidade.

O governo defende a escolha. Para o CMSE, o par (15,40) é o que mais se aproxima do nível de aversão ao risco do caso vigente e demonstra aderência à realidade operacional, evidenciada pela redução dos Encargos de Serviços do Sistema nos últimos anos. O sistema, na leitura do comitê, vem operando bem e não se mexe em time que está ganhando.

O ponto é que esse “time” tem um custo embutido no despacho térmico, que segue na fatura. Para a empresa, a discussão técnica importa menos do que a conclusão prática: o cenário de energia cara está contratado para os próximos anos.

O outro lado da notícia: um mercado que ficou mais seguro

Aqui entra a segunda metade da história, e a parte que muda a decisão do empresário. Ao mesmo tempo em que pressiona os preços, esse ambiente de maior volatilidade provocou uma depuração no mercado livre de energia. Comercializadoras que cresceram vendendo o preço mais baixo, sem lastro físico real e sem garantias robustas, não resistiram quando o cenário virou. O mercado viveu o que o jargão financeiro chama de flight to quality: a fuga para a solidez.

À primeira vista, parece má notícia para quem pensa em migrar. É o contrário, avalia Fantinati.

“O mercado passou por uma limpeza. As empresas que vendiam o menor preço sem ter como sustentar o contrato ficaram pelo caminho”, diz ela. “A lição para o consumidor é clara: não escolha pelo preço mais baixo, escolha por quem tem solidez para honrar o contrato até o fim.”

Para a fundadora da Nexvie, o que sobrou é um mercado mais maduro e confiáve, uma oportunidade concreta. “Muito bom consumidor ficou sem porto seguro quando comercializadoras frágeis quebraram. Esses clientes não querem mais aventura. Querem segurança contratual, e é justamente isso que faltava no mercado.”

Por que a escolha do parceiro virou o centro da decisão

Carol Fantinati, fundadora da Nexvie Energia, durante atendimento a cliente sobre soluções de geração distribuídaDivulgação

Se a energia vai ficar cara e o mercado acabou de expulsar os players frágeis, a pergunta do empresário deixa de ser “quanto eu economizo?” e passa a ser “com quem eu economizo com segurança?”.

É nesse ponto que a Nexvie ancora seu posicionamento. A consultoria opera como parceira oficial da ENGIE, um dos maiores geradores do país. “Trabalhamos com a Engie justamente por isso”, afirma Carol. “Num mercado que está separando o joio do trigo, o cliente da Nexvie fica ancorado em um dos maiores geradores do Brasil, não em uma promessa de preço que pode não se sustentar.”

A lógica vale para os dois caminhos de economia. Para o consumidor de maior porte, já apto ao mercado livre, a vantagem é travar o preço em contrato e blindar o orçamento da volatilidade. “Quando o preço oscila tanto, um contrato que trava o seu custo deixa de ser só vantagem e vira proteção”, diz a fundadora.

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