
Mais de R$ 21 milhões teriam sido movimentados por uma facção criminosa gaúcha investigada por usar empresas, veículos e contas bancárias para ocultar dinheiro do tráfico de drogas no Sul do país.
A suspeita levou a Polícia Civil do Rio Grande do Sul (PCRS) a cumprir, nesta quinta-feira (11), 33 mandados de prisão e dezenas de buscas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e outros estados. O valor compreende somente o período da investigação, de pouco mais de um ano. O que começou com a apreensão de 1,3 tonelada de maconha em Canoas (RS) acabou revelando, segundo a Polícia Civil, uma estrutura financeira “profissional” usada para movimentar milhões do tráfico de drogas.
A ação desta manhã também bloqueou 58 contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas e apreendeu R$22 mil em espécie, além de uma arma.
A investigação encontrou indícios de que integrantes da organização mantinham regalias mesmo presos. Segundo o delegado da PCRS, Antônio Ractz, detentos ligados ao grupo chegaram a encomendar carnes para churrascos dentro do sistema prisional.
21 empresas em quatro estados
De acordo com a apuração, o grupo atuava na distribuição de maconha, cocaína e crack em larga escala e mantinha conexões em diferentes estados.
Embora tenha surgido a partir de uma apreensão de drogas, a investigação passou a se concentrar principalmente no dinheiro movimentado pela organização.
A suspeita é que os recursos eram lavados por meio de 21 empresas espalhadas entre Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul, além da aquisição de imóveis e veículos.
Segundo o delegado Antônio Ractz, os negócios investigados atuam em setores como refrigeração, veículos, eletrônicos, colchões, serviços gerais e intermediação financeira.
O papel de cada empresa ainda é apurado pela Polícia Civil, bem como se eram empresas com atividade econômica regular, empresas de fachada ou empresas fantasmas utilizados somente para ocultação de valores.
Possível atuação de líderes dentro de presídios
Em paralelo ao cumprimento de mandados em endereços residenciais e empresariais no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, a operação também cumpriu buscas a Penitenciária Estadual de Porto Alegre, na Penitenciária Estadual do Jacuí, em Charqueadas (RS), Arroio dos Ratos (RS) e Passo Fundo (RS), além do Centro de Integração Social de Piraquara (PR).
