
Espaço de atendimento da clínica
Reprodução/Google Maps
Uma clínica é suspeita de irregularidades na execução dos atendimentos e no faturamento dos serviços prestados a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), segundo a Unimed Goiânia. De acordo com a operadora, o local teria recebido pagamentos indevidos mediante alegação falsa de insuficiência de rede credenciada no município de Santo Antônio de Goiás, quando os atendimentos estavam sendo realizados em Goiânia.
No boletim de ocorrência registrado no dia 3 de junho ao qual o g1 teve acesso, a empresa descreveu que “auditorias realizadas identificaram divergências entre os registros lançados nos sistemas, listas de frequência e o local real dos atendimentos, havendo registros audiovisuais, documentos, lançamentos sistêmicos e demais elementos que, em tese, indicariam a fraude”.
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Em nota ao g1, a defesa da clínica negou qualquer irregularidade. “A empresa tem conhecimento da notícia-crime apresentada, porém registra que o documento contém informações desconexas, incompletas e incorretas, as quais serão devidamente esclarecidas no momento oportuno perante as autoridades competentes”, destacou o advogado Alldmur Carneiro (leia na íntegra ao final do texto).
A Polícia Civil informou que o boletim de ocorrência por estelionato foi registrado na 4º Delegacia Distrital de Polícia Civil do Estado de Goiás, que está dando andamento no caso.
Agora no g1
Como as irregularidades foram identificadas?
Em entrevista ao g1, o diretor de provimento da Unimed Goiânia, Francisco Rebouças, afirmou que as supostas irregularidades foram identificadas durante auditorias e levantamentos técnicos realizados pela própria cooperativa, dentro dos processos rotineiros de monitoramento.
Segundo ele, foram identificadas inconsistências relacionadas ao local de execução dos atendimentos e aos registros vinculados à prestação dos serviços. Outro ponto que chamou a atenção da auditoria foi a estrutura física da clínica em Santo Antônio de Goiás, que conta com cinco consultórios.
“Os levantamentos realizados pela auditoria identificaram aproximadamente 80 beneficiários vinculados àquela unidade e, no dia, foram apresentados indícios de somente 12 beneficiários em atendimento”, disse.
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A incompatibilidade entre a estrutura disponível e o volume de atendimentos registrados foi um dos elementos que motivaram o aprofundamento da apuração, destacou o diretor.
Do ponto de vista assistencial, o médico afirmou que a principal preocupação da cooperativa é que situações como essa podem comprometer a rastreabilidade dos atendimentos e a capacidade de fiscalização da rede prestadora.
“Quando um atendimento é realizado em local diverso daquele autorizado e credenciado, a operadora perde mecanismos importantes de controle e acompanhamento”, explicou.
Francisco ressaltou que isso impede verificar se os atendimentos estão sendo realizados pelos profissionais efetivamente cadastrados e habilitados para aquela função, se a equipe informada corresponde à que está prestando o serviço e se todos os requisitos técnicos e assistenciais exigidos para o atendimento de crianças autistas estão sendo cumpridos.
“O objetivo desse controle não é burocrático. Ele existe para garantir que as crianças recebam atendimento qualificado, realizado por profissionais capacitados, dentro das condições aprovadas e supervisionadas pela operadora”, afirmou.
O médico pontuou ainda que o principal prejudicado por situações como essa não é a operadora, mas a própria criança com TEA e sua família.
Como fica o atendimento das famílias?
O diretor garantiu que nenhuma família que era atendida pela clínica ficará sem assistência. Segundo ele, a cooperativa conta atualmente com uma estrutura própria especializada no atendimento de pacientes com TEA, além de uma rede credenciada qualificada, o que permite garantir a continuidade dos tratamentos com equipes capacitadas, supervisão técnica e acompanhamento assistencial adequado.
“As famílias serão acolhidas e orientadas individualmente quanto às alternativas assistenciais disponíveis, sempre buscando preservar a continuidade terapêutica e minimizar impactos na rotina dos pacientes”, afirmou.
Quais as medidas adotadas?
Após a descoberta a do caso, a Unimed disse ter reforçado os mecanismos de fiscalização e monitoramento dos serviços terapêuticos, com o objetivo de garantir que os atendimentos ocorram nas condições autorizadas, com rastreabilidade e segurança assistencial.
Além disso, foram iniciados os trâmites administrativos cabíveis, incluindo o processo de descontinuidade dos atendimentos por parte da clínica – o que não ocorre de forma imediata. “Assim que concluídas as etapas administrativas previstas, os atendimentos na clínica deixarão de receber direcionamento por parte da operadora”, destacou o diretor de provimento da Unimed.
Nota da defesa da clínica
A Clínica, por meio de sua assessoria jurídica, esclarece que nega o cometimento dos supostos crimes que lhe são imputados. A instituição se coloca integralmente à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários e colaborar com qualquer procedimento de apuração.
A Clínica ressalta que, ao longo de sua atuação, sempre se empenhou em oferecer atendimento humanizado, ético e responsável aos seus pacientes e familiares, observando as normas legais, regulatórias e as diretrizes estabelecidas pelas operadoras de planos de saúde.
Em relação aos fatos mencionados, a empresa tem conhecimento da notícia-crime apresentada, porém registra que o documento contém informações desconexas, incompletas e incorretas, as quais serão devidamente esclarecidas no momento oportuno perante as autoridades competentes.
A Clínica confia na correta apuração dos fatos e reafirma seu compromisso com a transparência, a boa-fé e a legalidade de suas atividades. Ressalta, ainda, que eventual irregularidade de natureza meramente administrativa, caso efetivamente constatada após a devida análise pelos órgãos competentes, será imediatamente regularizada pelos meios cabíveis.
Por fim, a instituição destaca que as alegações apresentadas ainda dependem de apuração e esclarecimento, razão pela qual devem ser observados os princípios do devido processo legal, do contraditório, da ampla defesa e da presunção de inocência.
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