
O El Niño foi oficialmente confirmado nesta quinta-feira (11) e deve ganhar força nos próximos meses, segundo previsão divulgada pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos.
Segundo a agência, o fenômeno já está em desenvolvimento e deve ganhar força nos próximos meses, com 63% de probabilidade de atingir a categoria de evento muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.
Caso a previsão se confirme, o aquecimento das águas poderá ultrapassar 2°C acima da média, em um cenário parecido com o registrado em 1997, um dos mais intensos já observados.
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Chance de evento muito forte
Segundo o NOAA, há possibilidade de as águas do Pacífico tropical alcançarem um aquecimento de até 2,4°C até novembro. Se isso ocorrer, o episódio será classificado como muito forte.
O meteorologista Nat Johnson, do Laboratório de Dinâmica de Fluidos Geofísica do NOAA, afirmou que os primeiros sinais chamaram a atenção dos pesquisadores.
“Só 1997 foi comparável“, disse Johnson ao comentar as projeções iniciais do fenômeno. “Eu sabia que isso era algo incomum“, completou o meteorologista.
A cientista Emily Becker, da Universidade de Miami e integrante da equipe de previsão do El Niño no NOAA, destacou o grau de confiança das projeções. “Não tínhamos probabilidades como essas“, comentou.
Segundo os especialistas, a rápida transição entre a fase de La Niña observada até o inverno de 2025 e a atual configuração do El Niño é considerada incomum nos registros disponíveis desde a década de 1950.
O que é o El Niño
O El Niño é a fase quente do padrão climático conhecido como El Niño-Oscilação Sul (ENSO). O fenômeno é caracterizado pelo aumento da temperatura da superfície do mar no Pacífico equatorial central e leste em pelo menos 0,5°C acima da média durante vários meses seguidos.
Os pesquisadores alertam que um El Niño intenso pode alterar padrões climáticos em várias partes do planeta. Entre os efeitos esperados estão mudanças nos regimes de chuva, secas em algumas regiões e aumento das temperaturas globais.
As previsões mostram a chance de chuvas mais intensas em áreas do sul dos Estados Unidos, do leste da África e da China. Já regiões como Indonésia, Austrália e sul da África podem enfrentar condições mais secas e maior risco de incêndios florestais.
O fenômeno também costuma influenciar a atividade de furacões. Em geral, favorece a formação desses sistemas no Pacífico e dificulta sua formação no Atlântico.
Outro efeito visto em episódios anteriores é a alteração na distribuição de espécies marinhas. Peixes e outros organismos adaptados a águas mais quentes tendem a viajar para latitudes mais elevadas, enquanto espécies de águas frias podem buscar regiões mais profundas.
Além da temperatura do oceano, os especialistas acompanham alterações na chamada Circulação de Walker, um sistema de ventos e movimentação do ar sobre o Pacífico. Quando esse padrão enfraquece e as águas mais quentes avançam em direção à América do Sul, o El Niño é oficialmente declarado.
Registros geológicos indicam que o fenômeno ocorre há milhões de anos. O nome surgiu entre pescadores peruanos no século 17, que observaram mudanças nas correntes marítimas e redução na pesca próximas ao período do Natal. Por isso, passaram a chamá-lo de “El Niño”, que significa “menino” em espanhol.
