
O governo da Venezuela confirmou nesta sexta-feira (12) a morte de Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como “Niño Guerrero”, apontado como líder do Tren de Aragua, uma das organizações criminosas mais temidas da América Latina e classificada como terrorista pelos Estados Unidos.
A confirmação ocorreu horas depois de o presidente americano, Donald Trump, anunciar que forças dos EUA participaram de uma operação contra o criminoso. Segundo o republicano, a ação contou com coordenação entre autoridades americanas e venezuelanas.
Em comunicado oficial, o governo de Nicolás Maduro informou que Guerrero foi “neutralizado” durante uma operação realizada no estado de Bolívar, no sudeste da Venezuela. As autoridades afirmaram que a ação envolveu mecanismos de cooperação e troca de informações de inteligência entre os dois países, além de apoio tecnológico especializado.
“Parabenizamos todos os funcionários, agências de segurança e instituições que participaram desta operação bem-sucedida. A República Bolivariana da Venezuela reafirma seu compromisso com o combate ao crime organizado e continuará a adotar as medidas necessárias para garantir a paz, a tranquilidade e a proteção de seu povo”, finalizaram na nota divulgada no site do governo.
De acordo com o governo venezuelano, a ofensiva também atingiu integrantes de grupos criminosos que atuavam na região e permitiu desarticular estruturas ligadas ao crime organizado.
Trump afirmou nas redes sociais que a operação foi conduzida pelo Comando Sul dos Estados Unidos e classificou Guerrero como um dos criminosos mais perigosos do continente. O vídeo que o presidente americano chegou a divulgar como sendo da ação não está mais disponível em seus perfis na manhã deste sábado (13).
A morte de Niño Guerrero representa um duro golpe para o Tren de Aragua, facção que expandiu sua atuação para diversos países da América Latina e se tornou alvo de operações de segurança em toda a região.
Quem era Niño Guerrero
Héctor Rusthenford Guerrero Flores era considerado o principal líder do Tren de Aragua e figurava entre os criminosos mais procurados do continente.
Conhecido pelo apelido de “Niño Guerrero”, ele foi acusado por autoridades de diferentes países de comandar uma rede envolvida em tráfico de drogas, extorsão, tráfico de armas, lavagem de dinheiro, homicídios e outros crimes transnacionais.
Os Estados Unidos ofereciam uma recompensa de US$ 5 milhões, isto é, cerca de R$ 26 milhões na cotação atual, por informações que levassem à sua captura ou condenação. Em 2025, Guerrero também foi alvo de sanções impostas pelo governo americano.
Mesmo após operações realizadas pelas autoridades venezuelanas contra o Tren de Aragua nos últimos anos, ele permaneceu foragido e continuava sendo apontado como a principal liderança da organização.
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O que é o Tren de Aragua
O Tren de Aragua surgiu por volta de 2014 na prisão de Tocorón, localizada no estado venezuelano de Aragua. Com o passar dos anos, a organização ampliou sua presença para diversos países da América do Sul, acompanhando o avanço de redes criminosas transnacionais.
O grupo é acusado de envolvimento em crimes como tráfico de drogas, tráfico de pessoas, exploração sexual, extorsão, sequestros, assassinatos sob encomenda e garimpo ilegal.
Nos últimos anos, a facção passou a ser alvo de grandes operações policiais em países como Colômbia, Peru, Chile e Brasil. O crescimento da organização levou os Estados Unidos a classificarem o Tren de Aragua como organização terrorista estrangeira, ampliando a pressão internacional sobre seus integrantes.
Autoridades de diversos países consideram o grupo uma das principais ameaças ligadas ao crime organizado internacional na América Latina.
