Quem é Niño Guerrero, líder de facção morto em operação dos EUA

Niño Guerrero, líder do Tren de Aragua Reprodução

Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como “Niño Guerrero”, morreu durante uma operação conjunta dos Estados Unidos e da Venezuela realizada no estado de Bolívar, no sudeste venezuelano. Considerado um dos criminosos mais procurados da América Latina, ele liderava o Tren de Aragua, organização criminosa classificada como terrorista pelos EUA e com atuação em diversos países da região.

Nascido em 1983 na cidade de Maracay, na Venezuela, Guerrero transformou um grupo surgido dentro de uma prisão em uma rede criminosa internacional acusada de tráfico de drogas, extorsão, sequestros, exploração sexual, lavagem de dinheiro e homicídios. Sua influência se expandiu para diversos países da América do Sul, o que fez com que ele se tornasse alvo prioritário das autoridades.

A morte do líder foi confirmada pelo governo venezuelano na sexta-feira (12), poucas horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que forças americanas participaram da ação. Segundo o governo, ele foi “neutralizado” durante uma operação de segurança que também teve como alvo integrantes de grupos criminosos na região.

EUA e Venezuela matam líder do cartel Tren de Aragua em operação conjuntaReprodução / Donald Trump

De criminoso a chefe do Tren de Aragua

Antes de se tornar um dos nomes mais conhecidos do crime organizado latino-americano, Héctor Rusthenford Guerrero Flores acumulou passagens pela polícia por roubo, tráfico de drogas e homicídio.

Ele foi preso em 2010 e enviado para a prisão de Tocorón, no estado de Aragua. Após fugir do presídio em 2012, foi recapturado no ano seguinte e retornou à unidade. Mesmo atrás das grades, conseguiu consolidar seu poder e transformar o Tren de Aragua em uma das maiores organizações criminosas do continente.

Em 2018, foi condenado a 17 anos de prisão por crimes como homicídio, tráfico de drogas, roubo de identidade e posse ilegal de armas. No entanto, nunca deixou de exercer influência sobre a facção.

A prisão que virou símbolo de poder

Durante anos, Guerrero comandou o Tren de Aragua a partir do Centro Penitenciário de Aragua, conhecido como prisão de Tocorón.

Relatórios e investigações apontaram que o local possuía uma estrutura incomum para um presídio, parecendo um hotel de luxo. A unidade contava com piscina, boate, cassino, restaurantes, bares, campo esportivo e até um zoológico com animais exóticos.

Em 2023, uma megaoperação das forças de segurança venezuelanas retomou o controle da prisão. Na ocasião, foram encontrados armamentos de guerra, explosivos e túneis utilizados para fugas. Entretanto, Guerrero conseguiu escapar e permaneceu foragido desde então.

Tren de Aragua e a expansão pela América Latina

A facção criminosa Tren de Aragua surgiu dentro do sistema prisional venezuelano e se fortaleceu em meio à crise econômica e social do país.

Com o aumento da migração venezuelana para outros países, integrantes da organização passaram a atuar em diferentes regiões da América Latina. Autoridades atribuem ao grupo crimes como tráfico de drogas, tráfico de pessoas, exploração sexual, extorsão, sequestros, assassinatos e garimpo ilegal.

Nos últimos anos, a facção se tornou alvo de operações em países como Colômbia, Peru, Chile, Equador, Brasil e Estados Unidos.

Em 2025, o governo americano classificou o Tren de Aragua como organização terrorista estrangeira, ampliando as medidas de combate ao grupo e impondo sanções contra seus integrantes.

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