
Ex-dependente química encontra recomeço no esporte sorocabano
Uma história de superação tem chamado a atenção na comunidade Santa Rosa, em Sorocaba (SP). Após anos de dependência química, que resultaram na perda da mão direita devido a crises severas de abstinência, Amália Aparecida da Silva encontrou no esporte a força necessária para transformar a própria vida.
Amália conta que o fundo do poço ocorreu quando a fissura pelas drogas a levou a ferir o próprio corpo. Como era destra, ela relata que começou a morder a própria mão por não conseguir usar a substância, o que resultou em uma infecção grave e na amputação do membro.
📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp
No início, a limitação física trouxe vergonha e isolamento. “Eu não queria mostrar minha mão para ninguém. Andava sempre com tudo fechado, não deixava ninguém ver a minha deficiência. Achava que todo mundo estava olhando para mim.”
A virada na reabilitação
Amélia precisou amputar a mão após uma forte crise de abstinência
Fábio Modesto
A situação extrema foi o alerta definitivo de que ela precisava buscar ajuda. Amália decidiu se internar no Grupo de Apoio e Solidariedade ao Adicto (Grasa), onde passou um ano em tratamento.
Lá, ela aprendeu a controlar o vício por meio dos “12 passos” e resgatou os conselhos da mãe, que sempre acreditou em seu potencial.
LEIA TAMBÉM:
Projeto de pintura transforma reabilitação de pacientes em Sorocaba
Arte que cura: projeto que usa pintura para reabilitar pacientes abre vagas para voluntários em Sorocaba
Secretaria da Inclusão e Transtorno do Espectro Autista volta a ter secretário efetivo após 3 meses
“Naquela vida, você só tem amigo quando chega com a droga. Fiquei anos nisso. Hoje, lembro de tudo o que a minha mãe me falou no passado e penso: ‘Meu Deus, era tão fácil, por que não fiz?’. Se eu a tivesse escutado, quem sabe estaria bem melhor”, reflete.
O esporte como terapia
Amélia sonha em ser a melhor jogadora de futebol
Fábio Modesto
A limitação física, que antes a fazia se esconder, tornou-se um degrau para uma nova oportunidade. Ao conhecer projetos esportivos, Amália encontrou uma válvula de escape no futebol e no vôlei.
Ela admite que ainda sente um bloqueio no lado amputado por conta da falta de sensibilidade, mas garante que isso não a impede de ir para a disputa. “O esporte é a melhor coisa que tem, você destrava. Tem vários tipos, como o atletismo, mas o que eu gosto mesmo é o futebol. Agora, o meu sonho é ser a melhor”, afirma.
Além das metas nas quadras e campos, o maior objetivo de Amália hoje é reconstruir os laços familiares. Ela planeja morar perto da mãe para ajudar a cuidar dos filhos, deixando para trás a vida nas ruas.
“Eu consegui porque tive muita força de vontade e quis vencer”, celebra.
Maior sonho da atleta é morar perto da mãe para ajudar na criação dos filhos
Fábio Modesto
Initial plugin text
Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí
VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM
