‘Risco fiscal volta ao centro e economia perde margem de manobra’, avalia economista

risco fiscal

A expansão dos gastos públicos e o avanço de pautas no Congresso voltaram a acender o alerta sobre o risco fiscal brasileiro. Em entrevista à BM&C News, o economista VanDyck Silveira traçou um diagnóstico direto sobre a combinação entre aumento das despesas, custo crescente do serviço da dívida e declarações governamentais que relativizam a gravidade da trajetória das contas públicas.

Para Silveira, o cenário atual expõe a fragilidade da política fiscal num momento em que a confiança dos investidores já opera sob pressão. A deterioração das expectativas não deriva apenas de números, mas da percepção de que falta disposição política para ajustes estruturais.

O ambiente fiscal se deteriora enquanto o diagnóstico oficial minimiza a urgência

Na avaliação do economista, a relação dívida/PIB está em trajetória preocupante, pressionada tanto pelo aumento de gastos quanto pelas chamadas pautas-bomba em discussão no Legislativo. Essas iniciativas, segundo Silveira, comprometem a já frágil margem fiscal do país sem que haja compensação estrutural ou reformulação de prioridades.

O discurso oficial que busca comparar a situação brasileira com a de economias desenvolvidas foi alvo de crítica. Segundo o economista, essa equiparação ignora diferenças fundamentais de credibilidade institucional, custo de captação e capacidade de rolagem da dívida. O mercado não reage ao discurso, reage ao risco.

A fatura da dívida cresce e o espaço para investimento se estreita

Silveira destacou que o custo do serviço da dívida já compromete parte expressiva do orçamento, reduzindo o espaço para políticas de investimento ou gastos discricionários relevantes. A manutenção dessa dinâmica tende a criar um círculo vicioso: mais juros, menos margem fiscal, menor capacidade de investir em infraestrutura e produtividade.

A análise aponta ainda que o excesso de gasto sem contrapartida produtiva afasta capital privado e reduz o apetite por risco em setores estratégicos.

O resultado é um ambiente cada vez menos favorável ao crescimento sustentável.

Ajuste fiscal deixou de ser retórica e virou condição de sobrevivência econômica

Na leitura de VanDyck Silveira, o ajuste das contas públicas não é mais uma questão de preferência ideológica, mas de necessidade concreta para evitar uma crise de confiança mais aguda. Criar condições para o investimento privado, destravar infraestrutura e recuperar a credibilidade fiscal passam a ser imperativos para qualquer estratégia de crescimento econômico de longo prazo.

A trajetória fiscal importa não apenas para os indicadores macroeconômicos, mas para a capacidade do país de atrair capital, financiar projetos estruturantes e manter a estabilidade sem recorrer a ajustes abruptos no futuro. O risco fiscal, quando ignorado, vira conta a pagar, e o juro composto não perdoa.

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