
Mulher morre ao saltar de rope jump em Limeira; empresa teria esquecido corda
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas filmava a própria queda quando foi arremessada de uma ponte sem a corda de segurança durante uma prática de rope jump, em Limeira (SP), no último sábado (13). A câmera, no entanto, sumiu.
Segundo uma das testemunhas, um integrante da equipe organizadora retirou a câmera da vítima enquanto ela já estava caída no chão.
“A primeira cena que eu lembro de quando vi a menina no chão foi ver um dos funcionários tirando da alça do pescoço, do corpo que já estava no chão, a câmera da GoPro, preocupado com equipamento ou para querer esconder provas”, conta o pedagogo Rafael Goulart à EPTV, afiliada da TV Globo.
A delegada do caso, Andrea Danta Levy, afirmou que esteve no local com a perícia e que não encontrou o objeto.
“A câmera pertencia à equipe, que não se pode chamar de empresa, e estava com a vítima. Provavelmente, durante a queda, ela pode ter escapado da mão da vítima, embora estivesse presa ao pulso”, conta a delegada.
“O equipamento não foi localizado. A perícia e eu estivemos no local e realizamos diligências, mas não encontramos a câmera. No interrogatório, ninguém soube informar onde ela está. Sinceramente, acredito que ela não esteja mais no local, considerando a quantidade de pessoas que compareceu à ponte posteriormente para procurá-la. Acredito que, infelizmente, alguém possa ter retirado essa câmera”, complementa.
🔎 O rope jump é uma modalidade que usa cordas estáticas, sem elasticidade, e após a queda faz um movimento de balanço, como um pêndulo. No bungee jump, modalidade mais conhecida, a corda elástica faz a pessoa cair e quicar para cima e para baixo repetidas vezes.
R$ 110 para gravar salto
Em depoimento à polícia, a enfermeira que aguardava para saltar e foi a primeira a prestar socorros à vítima, informou que a gravação era um serviço cobrado à parte.
“Eles cobraram R$ 180 do salto e mais R$ 110 da gravação com a GoPro deles, que eles fornecem. Eles dão uma pulseira amarela que é a da filmagem”, explicou a enfermeira Rayza Gabrieli Dias Delfino.
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A enfermeira também disse que a jovem estava com um equipamento de segurança preso à barriga, mas sem a corda principal. Ela afirmou que permaneceu prestando os primeiros socorros até a chegada da ambulância.
A equipe da ambulância precisou cortar o restante do equipamento para tentar utilizar o desfibrilador, sem sucesso.
Ao perceber o ocorrido e o desespero do amigo da vítima, que a acompanhava na plataforma, a enfermeira afirmou que o pediu para que a levassem até Maria Eduarda para os primeiros socorros.
Enfermeira também saltaria
No depoimento, a enfermeira afirmou que seria a 42ª pessoa a saltar no dia. Com o celular em mãos, a profissional de saúde filmava a preparação da jovem.
“Eu ia mandar para uma tia minha […] Eu não consegui ouvir [o que falavam] porque estava na expectativa de que eu iria pular […] Eu só estava olhando ela, nem olhei como que eles colocaram as coisas […] Quando ela cai, começo a ouvir todo mundo falando: ‘a corda, a corda'”, relata a testemunha.
Infográfico – Jovem de 21 anos morre após ser lançada sem corda de ponte de 40 metros em Limeira
Arte/g1
Responsabilidade pela ponte
Ponte do Esqueleto em Limeira
Jefferson Barbosa/EPTV
A Ponte do Esqueleto fica na Estrada Doutor Cássio de Freitas Levy, rodovia que liga Limeira a Cordeirópolis, e pertencia a um trecho nunca implantado da antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA), no interior de propriedades particulares.
Segundo o governo federal, o processo de incorporação da ponte à Secretaria de Patrimônio da União (SPU) foi autorizado em 2026. O governo afirma que, mesmo antes, “pediu apoio às prefeituras locais para bloquear o acesso à referida ponte”
“Em 2024, […], a ponte foi bloqueada por alguns meses. Posteriormente, a reabertura foi discutida e defendida por empresários locais em sessão na Câmara de Vereadores de Limeira”, alega o governo federal.
Em nota, a Prefeitura de Limeira disse que “vinha adotando medidas administrativas e cobrando providências junto aos órgãos federais responsáveis pela área” e que a tragédia “torna insustentável e inaceitável a continuidade dessa omissão”.
Segundo a administração municipal, a responsabilidade pela fiscalização, manutenção e controle de acesso à Ponte do Esqueleto é exclusivamente do governo federal.
A Prefeitura e a Câmara Municipal alegam que já haviam encaminhado ofícios aos órgãos responsáveis cobrando medidas de segurança. “Nenhuma providência concreta foi adotada”, pontuou.
“Além das circunstâncias que levaram à morte da jovem, é preciso apurar a responsabilidade pela falta de controle de acesso a uma área federal que, há anos, apresenta riscos conhecidos e segue sem as medidas de proteção necessárias. A Prefeitura e a Câmara vêm cobrando providências há meses para que o Governo Federal assuma sua responsabilidade. Infelizmente, a omissão federal acaba de resultar em mais uma tragédia em Limeira”, disse o prefeito Murilo Félix (Podemos).
Para o governo federal, “os poderes públicos de todos os níveis precisam, imediatamente, juntar esforços para evitar de forma definitiva o acesso à ponte do Esqueleto e coibir atividades ilegais. E, na sequência, decidir o futuro da ponte do Esqueleto de forma conjunta”.
A tragédia
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra Maria Eduarda Rodrigues de Freitas sendo carregada por três funcionários até a beirada da plataforma. Ela é impulsionada para frente e, logo após a queda, ouvem-se gritos de desespero dizendo “a corda” e “gente, a corda”.
A jovem caiu de uma altura de 40 metros e teve a morte constatada no local pelas equipes do Samu e do Corpo de Bombeiros.
Segundo a Polícia Civil, o equipamento grosso que deveria estar preso ao corpo da vítima para segurar a queda foi esquecido e ficou enrolado no chão da estrutura de salto.
Uma testemunha, que saltaria logo após a jovem, relatou que os instrutores não fizeram a checagem de segurança na vez de Maria Eduarda.
Segundo testemunhas e a Polícia Civil, houve uma falha grave na checagem dos equipamentos e os instrutores simplesmente esqueceram de conectar o sistema de segurança em Maria Eduarda.
Um cliente que saltaria logo em seguida relatou que os funcionários ignoraram a conferência padrão na vez dela. A corda grossa que deveria segurar a queda da jovem ficou enrolada no chão da plataforma.
Em depoimento à polícia, os três instrutores presos não souberam explicar o motivo do erro. A delegada responsável pelo caso afirmou que eles se mostraram desnorteados e alegaram não se recordar de quem era a obrigação de colocar a corda, nem o porquê de a fiscalização final não ter sido feita antes de empurrarem a vítima.
Jovem de 21 anos morre após ser lançada sem corda de plataforma de rope jump em Limeira
Reprodução/Redes sociais
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