O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou durante a cúpula do G7 que o acordo firmado com o Irã entrou oficialmente em uma segunda fase de negociações. Segundo Trump, as conversas avançaram após o entendimento inicial anunciado nos últimos dias e agora caminham para temas mais sensíveis do relacionamento entre os dois países.
O presidente americano declarou que Washington passou a lidar com ‘pessoas racionais‘ no governo iraniano, em uma sinalização de confiança na continuidade do processo diplomático.
Trump disse ainda que o Irã está ‘no retrovisor‘, indicando que a principal crise foi superada.
Questão nuclear no centro das negociações entre Estados Unidos e Irã
Trump voltou a colocar a questão nuclear como ponto central das negociações com Teerã. O presidente afirmou que os Estados Unidos pretendem obter o material nuclear iraniano e ressaltou que o objetivo é garantir o controle sobre o urânio enriquecido mantido pelo país.
Segundo o líder americano, o Irã jamais terá uma arma nuclear, posição que classificou como inegociável para Washington. Trump elevou o tom ao afirmar que haverá consequências severas caso Teerã tente desenvolver armamento atômico.
As declarações indicam que a segunda etapa do acordo deve concentrar esforços justamente na questão nuclear, considerada o principal ponto de preocupação dos Estados Unidos, de Israel e dos aliados europeus envolvidos nas negociações internacionais.
Acordo pode sobreviver a tensões com Israel e Líbano
Trump afirmou que o acordo firmado com o Irã tem condições de sobreviver mesmo diante de uma eventual escalada militar envolvendo Israel e o Líbano. A declaração ocorreu em meio às preocupações com possíveis confrontos entre Israel e o Hezbollah na fronteira libanesa.
Segundo o presidente americano, a guerra no Líbano deve ser tratada como um conflito separado das negociações conduzidas com Teerã. Trump indicou que os avanços diplomáticos obtidos com o governo iraniano não dependem diretamente da situação envolvendo Israel e grupos apoiados pelo Irã na região.
Irã condiciona acordo à situação no Líbano
O governo iraniano passou a tratar a situação no Líbano como parte integrante do acordo negociado com os Estados Unidos. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou que a permanência de tropas israelenses no sul do território libanês ou novos ataques contra o país seriam considerados violações do memorando.
Segundo Teerã, o entendimento envolve Estados Unidos e Israel de um lado, e Irã e Hezbollah do outro. Autoridades iranianas afirmaram ainda que existe um mecanismo previsto no documento para responder a eventuais descumprimentos, embora o funcionamento desse mecanismo não tenha sido detalhado.
Israel, por sua vez, declarou que o acordo firmado entre Washington e Teerã não altera sua estratégia militar e não obriga a retirada de tropas da região atualmente ocupada.
Divergências sobre liberação de recursos
As condições econômicas do acordo continuam sendo alvo de divergências entre Washington e Teerã. A Guarda Revolucionária iraniana afirmou que o entendimento prevê a liberação de cerca de US$ 24 bilhões em ativos congelados durante a fase de negociações.
O vice-presidente JD Vance negou essa versão e afirmou que nenhum recurso será liberado antes que o Irã cumpra as obrigações previstas no acordo. Vance reconheceu que futuros alívios de sanções poderão ser discutidos, mas descartou qualquer transferência imediata de recursos.
Trump também reagiu a relatos sobre um suposto financiamento americano para a reconstrução do Irã após a guerra.
Em publicação nas redes sociais, classificou as informações como falsas e negou qualquer compromisso financeiro direto dos Estados Unidos.
Assinatura do acordo entre Estados Unidos e Irã prevista para sexta-feira na Suíça
A assinatura do memorando de entendimento está prevista para sexta-feira, em cerimônia na Suíça. O documento de apenas uma página e meia deve formalizar o cessar-fogo em vigor e abrir uma nova etapa de negociações diretas entre os dois países.
Segundo autoridades americanas, a segunda fase terá duração inicial de sessenta dias e será dedicada a temas considerados mais complexos, como o programa nuclear iraniano, sanções econômicas e questões de segurança regional.
JD Vance afirmou que o memorando funciona como uma estrutura inicial para as negociações futuras e que muitos detalhes ainda serão discutidos posteriormente. O governo iraniano também confirmou a expectativa de assinatura, embora ressalte que diversos pontos centrais ainda precisarão ser negociados.
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