Polícia apreende mais de R$ 200 mil na casa de médico suspeito de superfaturar neurocirurgias em MS


Polícia encontra R$ 200 mil em casa de médico alvo de operação em MS
Mais de R$ 200 mil em dinheiro vivo foram apreendidos pela Polícia Civil na casa de um neurocirurgião, em Campo Grande, nesta terça-feira (16). O médico é um dos alvos da Operação Neuro Complexus, que investiga um suposto esquema de fraude em ações judiciais usadas para liberar recursos públicos destinados a cirurgias de alta complexidade. Segundo a polícia, o grupo teria desviado mais de R$ 6,5 milhões. Veja o vídeo acima.
Segundo o delegado Alexandro Mendes de Araújo, da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão contra cinco investigados: três médicos, uma advogada e um policial aposentado. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados pela Polícia Civil.
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Conforme a investigação, o grupo é suspeito de desviar mais de R$ 6,5 milhões por meio da judicialização de neurocirurgias. Ao longo de um ano e meio, a Polícia Civil identificou um padrão considerado suspeito em ações movidas contra o governo de Mato Grosso do Sul para custear procedimentos neurológicos.
“As cirurgias custavam muito caro. Os médicos entravam com valores ainda maiores para conseguirem mais dinheiro por meio das judicializações. Sempre uma única frente, a de neurocirurgias”, explicou o delegado.
Superfaturamento de cirurgias
Dinheiro apreendido em casa de médico.
PCMS/Reprodução
O delegado explicou que o esquema começava com o suposto superfaturamento das cirurgias. A investigação aponta que os mesmos profissionais apareciam repetidamente nos processos, atuando na elaboração dos orçamentos, na realização dos procedimentos e no recebimento dos recursos públicos.
Além disso, os investigadores identificaram que, desde 2022, ao menos 40 ações judiciais foram protocoladas pela mesma advogada com pedidos de bloqueio de verbas públicas para a realização de neurocirurgias consideradas urgentes.
A Polícia Civil concluiu que os suspeitos usavam ações judiciais para obter decisões que determinavam o bloqueio de recursos públicos. Segundo a apuração, os valores cobrados pelas cirurgias e procedimentos médicos eram superiores aos praticados no mercado.
Apreensões durante operação
Nesta fase da operação, os policiais apreenderam dinheiro, documentos, notebooks e celulares. O objetivo é reunir provas para confirmar suspeitas de organização criminosa, estelionato contra a administração pública, fraude processual e lavagem de dinheiro.
A operação contou com apoio de equipes da Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestro (Garras), da Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado (Decco) e da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Roubos e Furtos (Derf).
No caso da advogada investigada, as diligências foram acompanhadas pela Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB-MS).
Segundo a Polícia Civil, o nome da operação, Neuro Complexus, faz referência à complexidade das neurocirurgias investigadas e à suposta estrutura montada pelos envolvidos para obter recursos públicos por meio de ações judiciais na área da saúde.
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