
O corpo do influenciador digital argentino Gaspar Prim Diaz, conhecido como Gaspi, foi oficialmente identificado e liberado nesta terça-feira (16) pelo Instituto Médico-Legal (IML) do Rio de Janeiro. Dois amigos da vítima viajaram de Buenos Aires para acompanhar os trâmites burocráticos.
Gaspi é uma das seis vítimas da colisão entre dois helicópteros ocorrida no último domingo, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio.
Os amigos não quiseram gravar entrevista, mas relataram ao RJ2 que a família não teve condições emocionais de viajar ao Brasil. Segundo eles, a repercussão da tragédia causou grande comoção na Argentina.
O corpo de outro argentino que morreu no acidente, o cineasta Lucas Vignale, foi liberado na segunda-feira (15) pelo irmão e já foi levado para Buenos Aires.
Uma das vítimas ainda aguarda identificação oficial: o cantor americano Oliver Trim, que teve o corpo carbonizado. O Consulado dos Estados Unidos enviou material para comparação da arcada dentária. Caso o procedimento não seja suficiente para confirmar a identidade, os peritos recorrerão a exames de DNA.
Das seis vítimas, cinco estavam em um dos helicópteros. Na outra aeronave estava apenas o piloto.
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As causas da colisão seguem sob investigação. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) analisa peças recolhidas dos helicópteros. Já a Polícia Civil aguarda o envio dos dois planos de voo das aeronaves.
Segundo investigadores, cada helicóptero deve seguir rigorosamente a rota previamente estabelecida. Imagens obtidas durante a apuração mostram uma das aeronaves aparentemente seguindo em linha reta, enquanto a outra se aproxima pela direita antes da colisão.
Ainda não foi possível determinar qual dos helicópteros transportava o grupo de passageiros.
Uma das linhas de investigação é a possibilidade de que um dos pilotos tenha saído da rota prevista e invadido o trajeto da outra aeronave, provocando o acidente. Falhas mecânicas também não são descartadas. O relatório final do CENIPA não tem prazo para ser concluído.
O youtuber Gaspar Prim Díaz
Reprodução/TV Globo
Moradores já haviam alertado para voos irregulares
Moradores alertaram sobre voos irregulares antes de acidente com helicópteros que matou seis no Recreio
A tragédia reacendeu uma preocupação antiga de moradores da Barra da Tijuca sobre a circulação de helicópteros na região.
Vídeos gravados por moradores mostram aeronaves voando próximo a prédios residenciais.
Para Delair Dumbrosck, presidente da Associação de Moradores da Barra da Tijuca (Amabarra), os problemas vêm sendo denunciados há anos.
“Constantemente, os voos rasantes e o barulho atrapalham muito, inclusive em escolas, reuniões familiares e para quem trabalha em home office.”
Segundo ele, as reclamações se intensificaram nos últimos anos.
“Isso veio numa crescente muito grande, o que nos levou até Brasília para reclamar, mas não fomos ouvidos. (…) E acabou se tornando essa tragédia que aconteceu agora, infelizmente”.
Menos de um mês antes do acidente, representantes de moradores se reuniram com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e com o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) para pedir mais fiscalização sobre as operações aéreas na região.
Durante o encontro, segundo ofícios encaminhados pelo deputado federal Hugo Leal (PSD) e pelo deputado estadual Cláudio Caiado (PSD), um relatório apresentado pelo DECEA apontou que 34% dos voos que partem ou chegam ao Aeroporto de Jacarepaguá descumprem a altitude mínima prevista para a área.
Apesar dos registros, moradores afirmam que as irregularidades continuam ocorrendo.
“A gente está vendo aí que a fiscalização existe, o controle existe, e o aeroporto passou a controlar mais esses voos. Mas acontece que nenhuma decisão, nenhuma medida efetiva foi tomada a esse respeito.”, afirma Delair.
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