
Palácio Guanabara, Rio de Janeiro
GloboNews/Reprodução
A Secretaria Estadual do Ambiente e Sustentabilidade do Rio de Janeiro exonerou 250 servidores apontados como ‘fantasmas’, desde março deste ano. Segundo a atual gestão, parte dos cargos era ocupada por pessoas que recebiam salários sem exercer atividades efetivas na pasta.
O secretário Rodrigo Mascarenhas também afirmou ao RJ2 ter identificado subsecretarias que existiam formalmente, mas que não desenvolviam projetos ou ações e que serviam apenas para empregar aliados.
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As mudanças ocorreram após a saída do governador Cláudio Castro (PL) do comando do estado e a posse do governador em exercício, o desembargador Ricardo Couto. Desde então, a administração estadual promove uma ampla reformulação na estrutura do governo, com mais de 2,7 mil exonerações em diferentes órgãos.
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Na Secretaria do Ambiente, a troca de comando ocorreu após a saída de Bernardo Rossi, que ocupou o cargo entre março de 2024 e março de 2025. Ao assumir a pasta, Rodrigo Mascarenhas afirma ter iniciado uma revisão completa da estrutura administrativa.
“Quando eu cheguei aqui no primeiro dia, eu cheguei e não tinha mais ninguém nomeado. Então, entrei em contato com o secretário que estava saindo, marquei uma reunião para fazer alguma transição”, afirmou ele.
Segundo Mascarenhas, a análise inicial revelou um número elevado de servidores diretamente vinculados ao gabinete do ex-secretário.
“Imediatamente subordinada ao secretário tinha mais de 130 pessoas”, disse Mascarenhas.
Rodrigo Mascarenhas, doutor em direito público
Reprodução/TV Globo
De acordo com Mascarenhas, a primeira medida foi identificar funcionários que não possuíam acesso aos sistemas internos nem evidências de atuação administrativa.
“Pude fazer uma lista com todas as pessoas que são fantasmas, que não trabalham na secretaria, que não têm acesso ao sistema. Na dúvida, tira”, afirmou.
Segundo ele, apenas no primeiro dia de gestão foram realizadas 82 exonerações.
Fantasmas sem cadastro no sistema
O secretário diz que um dos principais critérios utilizados para identificar possíveis servidores sem atividade, ou seja, os fantasmas, era a ausência de cadastro no Sistema Eletrônico de Informações (SEI), utilizado na tramitação dos processos administrativos do estado.
“Se você sequer se cadastrou nesse sistema, isso é um indício fortíssimo que você não trabalha”, declarou.
Mascarenhas afirmou ainda que nenhum dos exonerados apresentou documentação capaz de comprovar atuação efetiva na pasta.
“Quando a gente diz que alguém é fantasma, essa é a acusação mais confortável para você se defender. Porque se você não é, você vai tirar uma pilha de coisas que você fez. (…) Isso não aconteceu com ninguém”, disse ele.
Número de servidores cresceu 147% em um ano
Dados da própria secretaria mostram que o número de funcionários passou de 143 para 354 entre março de 2024 e março de 2025, período em que Bernardo Rossi comandou a pasta. O aumento foi de aproximadamente 147,5%.
Segundo a atual gestão, mais de 160 servidores estavam lotados no gabinete do secretário. Após as exonerações, esse número caiu para 18.
O deputado Thiago Rangel ao lado da filha Thamires Rangel e do ex-secretário secretário estadual do Ambiente Bernardo Rossi.
Reprodução redes sociais
Subsecretarias foram extintas
Durante a revisão administrativa, a secretaria afirma ter identificado duas subsecretarias que não possuíam projetos ou atribuições concretas.
Uma delas era a Subsecretaria de Conscientização Ambiental, que possuía 37 cargos. A outra era a Subsecretaria de Manutenção de Áreas Verdes Urbanas, com 14 cargos.
Ao todo, 51 servidores vinculados às duas estruturas foram exonerados.
“Depois eu tomei conhecimento (…) de que havia duas subsecretarias inteiras que não tinham um projeto, que não tinham uma ação, que não tinham uma função”, afirmou Mascarenhas.
Segundo ele, as estruturas funcionavam apenas para abrigar cargos comissionados.
“É um pouco chocante. Mas essas secretarias na prática eram estruturas para abrigar pessoas que na secretaria não trabalhavam”, declarou.
Ex-subsecretária nomeada aos 19 anos
Uma das subsecretarias extintas era comandada por Thamires Rangel, nomeada por Cláudio Castro aos 19 anos de idade.
Ela é filha do deputado estadual Thiago Rangel, preso pela Polícia Federal em maio durante uma investigação sobre suspeitas de irregularidades em contratos da Secretaria Estadual de Educação.
“Não localizamos nenhum projeto, nenhuma ação, nenhuma atuação. Pelo menos no que se diz respeito à subsecretaria.”
O deputado Thiago Rangel e a filha Thamires Rangel, eleita vereadora em Campos
Reprodução redes sociais
Após a reformulação, as estruturas foram substituídas por novas áreas voltadas para recursos hídricos, resíduos, economia circular e articulação institucional.
Segundo o secretário, uma das novas subsecretarias terá como foco o relacionamento com municípios do interior e a integração das políticas ambientais do estado.
Cargos para o Inea
A reestruturação também atingiu a Subsecretaria de Infraestrutura Ambiental. Embora a área tenha sido mantida, 22 servidores foram exonerados e a subsecretaria foi transformada em superintendência.
Parte dos cargos eliminados está sendo redirecionada para o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), responsável pelo licenciamento ambiental e pela gestão de unidades de conservação.
“(…) 97 desses cargos estão sendo remanejados para o Inea. Porque o Inea é a autarquia que executa o licenciamento ambiental (…) e que está com uma enorme carência de pessoal”, afirmou Mascarenhas.
Revisão de licenças ambientais
Além da reorganização administrativa, a secretaria criou grupos de trabalho para reavaliar processos de licenciamento ambiental concedidos nos últimos anos. Entre os casos analisados está o da refinaria Refit, alvo de uma operação da Polícia Federal em abril.
Segundo a atual gestão, denúncias apontam possíveis irregularidades em processos de licenciamento e fiscalização ambiental.
“Pelo treinamento de profissão, a gente não pode prejulgar. Grupos de trabalho estão revendo várias licenças”, afirmou o secretário.
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Reprodução/TV Globo
Ele também declarou que há relatos de favorecimento a determinadas empresas e dificuldades impostas a outros empreendimentos.
“Algumas empresas que aparentemente recebiam tratamento privilegiado. Em outras, a licença não saía”, disse.
A secretaria prepara ainda um novo decreto para regulamentar o licenciamento ambiental no estado.
O que dizem os citados
O ex-secretário Bernardo Rossi negou que houvesse funcionários fantasmas durante sua gestão. Segundo ele, a acusação é grave, infundada e precisa ser acompanhada de provas.
A ex-subsecretária Thamires Rangel afirmou que atuou com dedicação e compromisso durante sua passagem pela pasta e que os resultados do trabalho desenvolvido podem ser verificados por meio das publicações feitas em suas redes sociais.
O g1 procurou o ex-governador Cláudio Castro, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.
