
A cada Copa do Mundo, um movimento se repete na publicidade brasileira: marcas correm para se conectar à paixão nacional pelo futebol. Mas, em vez de apostar apenas nos craques do presente, muitas empresas têm encontrado nos ídolos do passado uma forma eficiente de dialogar com o público. Em 2026, ex-jogadores e personalidades históricas do esporte voltaram ao centro das estratégias de marketing e transformara a nostalgia em um ativo valioso para a comunicação das marcas.
O fenômeno já era observado desde o início do ano. Nomes como Cafu, Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Zico, Denilson e Vampeta protagonizam campanhas de empresas dos mais diversos setores. A lógica é simples: enquanto atletas em atividade representam performance e atualidade, os ex-jogadores carregam algo ainda mais poderoso em períodos de Copa do Mundo — a memória afetiva.
Kaká vira embaixador da Revo
A Copa de 2026 também tem mostrado que a influência dos ídolos do futebol vai além das campanhas diretamente ligadas ao esporte. É o caso de Kaká, anunciado como novo embaixador da Revo, empresa especializada em mobilidade aérea urbana.
A escolha reflete uma tendência crescente entre marcas premium que buscam associar seus atributos a personalidades reconhecidas por credibilidade, disciplina e trajetória consistente. A Revo aposta na imagem construída por Kaká dentro e fora dos gramados para reforçar conceitos como eficiência, confiança e inovação. Em um momento em que o futebol ocupa mais espaço nas conversas dos brasileiros, a presença de um campeão mundial amplia a visibilidade da marca e fortalece sua conexão emocional com o público.
A voz da Seleção no lançamento dos Bites
Outro exemplo vem da Casa de Bolos, que escolheu Galvão Bueno como novo embaixador justamente na semana de abertura do principal torneio de futebol do planeta. A parceria acompanha o lançamento da linha Bites — nova aposta da marca para o consumo individual e prático.
Ao trazer para a campanha a voz que narrou algumas das maiores conquistas da Seleção Brasileira, a empresa busca se inserir nos momentos de encontro, torcida e celebração que tradicionalmente marcam uma Copa do Mundo.
Veteranos vencem no marketing
Mais do que simples ações promocionais, essas campanhas revelam uma estratégia cada vez mais sofisticada. Em um ambiente publicitário disputado, marcas entendem que a Copa não é apenas um evento esportivo. É um território de emoções compartilhadas, lembranças coletivas e símbolos nacionais.
Ao recorrer a nomes como Kaká e Galvão Bueno, as empresas acessam diferentes gerações de consumidores e transformam personagens já consagrados em pontes entre seus produtos e as histórias que os brasileiros carregam na memória.
Se a Copa é o maior palco do futebol mundial, para o marketing ela continua sendo um dos momentos mais valiosos para transformar ídolos em narrativas de marca. E, ao que tudo indica, os veteranos ainda jogamum campeonato à parte — e vencem.
Mbappé representa a nova geração
Se a maior parte das marcas tem recorrido a ex-jogadores para ativar a memória afetiva do torcedor durante a Copa do Mundo, algumas empresas também apostam em atletas que ainda estão em plena atividade para conectar performance, presente e futuro. É o caso da Oakley, que escolheu o atacante francês Kylian Mbappé como um dos destaques de sua Players Collection.
A marca lançou recentemente o modelo exclusivo Kylian Mbappé Signature Series Permian, inspirado no Oakley De Soto e desenvolvido como parte da campanha global Playertopia. A iniciativa busca mostrar que o futebol vai além dos 90 minutos em campo, ao explorar temas como preparação, identidade, mentalidade e expressão pessoal.
Em entrevista ao SoccerBible, Mbappé destacou a importância de suas origens em Bondy, cidade que aparece homenageada no produto por meio de coordenadas gravadas na haste dos óculos. “Quando penso em Bondy, só me lembro de boas memórias. Aquele período me ensinou a coisa mais importante do futebol: que, antes de qualquer coisa, o jogo deve te fazer feliz”, afirmou o jogador.
A presença de Mbappé mostra um contraponto interessante ao movimento observado nesta Copa. Enquanto marcas como Itaú, Brahma, Banco Inter, Casa de Bolos e Revo apostam em nomes que ajudaram a construir a história da Seleção Brasileira, a Oakley investe em um dos principais protagonistas da geração atual do futebol mundial. A estratégia reforça como a Copa continua sendo uma vitrine poderosa tanto para ídolos eternos quanto para atletas que ainda escrevem sua trajetória dentro de campo.
