Anvisa libera tratamento experimental em jovem atingida por galho

Desde o acidente, familiares aguardavam a análise do caso para saber se Ana se enquadrava nos critérios exigidos para receber o tratamento por meio do programa de uso compassivoReprodução

A autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o uso da polilaminina trouxe um novo capítulo de esperança para a família de Ana Beatriz Stubinski, de 22 anos. A jovem perdeu os movimentos das pernas após ser atingida por um galho de árvore que caiu na Praça Osório, em Curitiba, no último sábado (13).

A previsão é que a substância experimental chegue ao Paraná e seja aplicada ainda nesta quarta-feira (17). Desde o acidente, familiares aguardavam a análise do caso para saber se Ana se enquadrava nos critérios exigidos para receber o tratamento por meio do programa de uso compassivo.

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Segundo os médicos, a jovem sofreu lesões graves no pulmão e na medula espinhal, entre as vértebras T5 e T6. Durante o fim de semana, ela passou por duas cirurgias de alta complexidade: uma para tratar um pneumotórax causado pelo trauma torácico e outra para estabilizar a coluna vertebral.

Esperança em meio à recuperação

A polilaminina é uma proteína sintética desenvolvida no Brasil e ainda está em fase de estudos. Pesquisadores avaliam seu potencial para estimular a regeneração de nervos e tecidos lesionados da medula espinhal.

De acordo com Mitter Mayer, coordenador do programa de uso compassivo, casos como o de Ana são analisados individualmente. Ele explica que pacientes com lesão medular completa costumam ter chances reduzidas de recuperar movimentos ou sensibilidade.

Antes da aplicação, Ana gravou um vídeo agradecendo as mensagens de apoio recebidas desde o acidente.

Como foi a autorização

O uso da polilaminina depende de uma série de avaliações clínicas e da aprovação da Anvisa. O pedido não é feito diretamente pelo paciente, mas pelo laboratório responsável pelo medicamento experimental.

Após a equipe médica do Hospital do Trabalhador constatar a ausência de movimentos causada pela lesão na medula, toda a documentação foi enviada ao laboratório Cristália, responsável pelo desenvolvimento da substância.

Na segunda-feira (15), o laboratório informou que Ana atendia aos critérios exigidos para o tratamento. Em seguida, encaminhou o pedido à Anvisa, que autorizou a aplicação para este caso específico.

O Governo do Paraná disponibilizou uma aeronave para transportar o medicamento e os especialistas envolvidos no procedimento.

Acidente aconteceu durante passeio com a família

Moradora de Valinhos, no interior de São Paulo, Ana estava em Curitiba para visitar parentes. No momento do acidente, ela passeava pela tradicional feira da Praça Osório acompanhada da mãe, da irmã e do sobrinho.

Segundo relatos da família, o galho se desprendeu repentinamente da árvore e atingiu a jovem. A irmã, Andressa Tozato Gonçalves, contou que encontrou Ana caída no chão com parte do tronco sobre o pescoço.

A Guarda Municipal realizou os primeiros atendimentos e acionou equipes de emergência. Ana foi encaminhada ao Hospital do Trabalhador, onde permanece internada.

A mãe da jovem relembra que, logo após o acidente, a filha já não conseguia sentir as pernas.

Prefeitura apura circunstâncias

Em nota, a Prefeitura de Curitiba lamentou o ocorrido e informou que mantém um programa permanente de monitoramento da arborização urbana.

Segundo o município, a última inspeção geral das árvores da Praça Osório foi realizada em abril deste ano. Técnicos seguem investigando as circunstâncias da queda do galho para identificar o que provocou o acidente.

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