
Um grupo suspeito por neonazismo atuaria entre Santa Catarina, São Paulo e Paraná e foi denunciado à Justiça nesta segunda-feira (15). Dentre os 14 envolvidos, há um policial militar de São Paulo, uma escrivã da Polícia Civil e um advogado. Os profissionais prestariam suporte ao grupo dentro de suas competências e corporações. O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou os integrantes por práticas de crimes de ódio virtual e disseminação de ideologia supremacista. Ainda, oito integrantes também devem responder por racismo e apologia ao nazismo. As identidades não foram divulgadas. A investigação também inclui o “chefe” da organização, identificado como “Führer brasileiro”, e seu assistente principal. A escrivã da Polícia Civil e o policial militar prestavam apoio ao grupo dentro das corporações. Outros nove membros teriam menor expressão. Segundo o MP, o grupo possuía um alto nível de organização, incluindo chefia, regras internas, planejamento de atividades, estratégias para novos recrutamentos e braço financeiro para custear materiais de propaganda. As investigações apontam que a estrutura continha fichas de ingresso, produção de camisetas exclusivas e cobrança de mensalidades obrigatórias aos membros oficialmente “batizados”. Os integrantes da suposta organização se autodenominavam neonazistas e teriam adotado o “Sol Negro” como emblema, em referência ao ocultismo e à supremacia ariana. O símbolo também incluía uma AK-47, para remeter uma exaltação da violência.
Internet não era único palco das atividades
Ainda conforme investigação do MPSC, o grupo seria organizado e estável já há algum tempo, com regras internas e coordenação para realizar disseminação e promoção de ideologia neonazista e intolerância racial, política, religiosa e sexual.
Uma parte dos acusados teria produzido e divulgado conteúdos de ódio em ambientes virtuais por meio de perfis falsos em fóruns, com objetivo de propagar ideias supremacistas. Para além do ambiente virtual, o MP diz que há informação de atuação de integrantes em busca de violência física. Em encontros presenciais, o grupo planejava “rolês”, quando definiriam patrulhas em vias públicas para identificar e perseguir “inimigos”. O grupo teria preparado dossiês destes indivíduos, considerados potenciais alvos de agressão ou retaliações. O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) acredita que a organização chegou a fornecer treinamento virtual para dificultar a identificação dos membros, a vinculação entre os integrantes e a esconder registros de atividades. A investigação foi iniciada em 31 de outubro de 2025 e após conclusão foi realizada a denúncia, enviada para a Justiça de Santa Catarina esta semana.
