
Larissa Ramos Raudenberg foi atacada na estação Parada Inglesa na noite da última segunda-feira (15) por Rodrigo de Oliveira, de 25 anos, que foi solto.
Reprodução/Redes Sociais
O pai da jovem de 24 anos agredida em uma estação da Linha 1-Azul do Metrô, na Zona Norte de São Paulo, criticou a decisão da Polícia Civil de liberar o suspeito após o registro da ocorrência. Paulo Roberto Raudenberg afirma estar indignado com o fato de o homem não ter permanecido preso.
A auxiliar de compras Larissa Ramos Raudenberg foi atacada na estação Parada Inglesa na noite da última segunda-feira (15).
Ela chegou a desmaiar na estação por conta das pancadas e teve o maxilar, joelho esquerdo, nariz e três dentes quebrados após a agressão. Mas o suspeito preso em flagrante pelos seguranças da estação foi solto no mesmo dia, ao ser encaminhado ao 73° Distrito Policial do Jaçanã, que registrou o caso como lesão corporal.
“É uma vergonha o sistema de Justiça desse país. O rapaz quase matou a minha filha e enquanto eu estava no hospital com ela, ele já tinha sido solto”, disse Roberto em conversa com o g1 nesta quarta-feira (17).
“É muito revoltante uma jovem ser agredida dessa forma e sem motivo, só porque estava esperando o Metrô, e o agressor não ficar preso, sair pela porta da frente da delegacia. Me informaram que o agressor já tinha dois boletins de ocorrência registrados por agressão. A polícia parece que tá esperando ele matar alguém para prender?”, desabafou.
Vídeo mostra momento em que jovem é agredida no Metrô de SP
Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o agressor Rodrigo de Oliveira, de 25 anos, foi identificado, detido e liberado ainda na delegacia.
A pasta afirma que a agressão está sob investigação e a “tipificação do crime poderá ser revista conforme o avanço das investigações e a análise dos laudos periciais”.
Paulo Roberto Raudenberg disse que ficou sabendo da agressão à filha pela amiga que também foi alvo do criminoso, mas conseguiu escapar e pedir socorro os empregados que estavam na entrada da das catracas.
Ele lamentou também a falta de empregados no Metrô para cuidar da segurança dos passageiros que deixa, segundo ele, os passageiros vulneráveis.
“O próprio funcionário me disse que a estação tinha cerca de 15 funcionários e agora tem apenas dois no horário para contar de uma estação inteira. É uma situação que revolta ainda mais, porque a gente percebe que não tem segurança, para as mulheres principalmente, nem dentro, nem fora do transporte público. O cidadão está completamente desprovido de proteção contra esses malucos, que sei lá se estava drogado ou não”, afirmou o pai da vítima.
Rodrigo de Oliveira, 25 anos, acusado de agredir duas mulheres na estação Parada Inglesa, na Zona Norte de SP.
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“A minha filha está traumatizada e em choque. Apesar dela ser guerreira e forte, ela ficou muito machucada e com vergonha do rosto todo desfigurado. Ela só decidiu denunciar porque insisti em levar isso pra imprensa. Porque não dá pra uma violência como essa ficar impune e não ser denunciada”, disse.
Na conversa com o g1, Raudenberg afirmou que a filha está procurando um advogado para receber orientação de como denunciar Rodrigo de Oliveira.
Por meio de nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou que o caso foi encaminhado ao 39º Distrito Policial, que vai ouvir Larissa e amiga sobre o ataque, além de colher imagens das câmeras de segurança da estação, para responsabilizar o autor.
“É importante esclarecer que a natureza da ocorrência é definida com base nas informações disponíveis no momento do registro. No entanto, a tipificação do crime poderá ser revista conforme o avanço das investigações e a análise dos laudos periciais. A Polícia Civil permanece à disposição da família para prestar todos os esclarecimentos e orientações necessários sobre o caso”, disse a pasta.
‘Queria que eu morresse’
Em contato com a reportagem no dia anterior, Larissa Ramos afirmou que não foi vítima apenas de uma agressão, mas de uma tentativa de feminicídio.
“Ele avançou para cima da gente. Não foi tentativa de roubo, porque eu estava com dois celulares, um da empresa e o meu pessoal. Os aparelhos caíram no chão e mesmo assim ele não quis, viu que eu desmaiei, mas continuou me batendo. Ele queria que eu morresse, queria a minha vida”, declarou ao g1.
O caso foi registrado no 73° DP (Jaçanã) como lesão corporal, no entanto, a vítima afirma que foi tentativa de feminicídio. Ela prestará nova queixa à polícia após realizar exame de corpo de delito nesta quarta-feira (17).
Segundo o boletim de ocorrência, ela acessou a estação e se posicionou na plataforma de embarque no sentido Tucuruvi, quando começou a ser agredida de forma inesperada pelo homem identificado como Rodrigo de Oliveira, 25 anos.
Larissa Ramos Raudenberg tem 24 anos e foi agredida no Metrô de SP
Arquivo pessoal
De acordo com o relato da vítima, as agressões começaram com uma perseguição à sua amiga Ana Claudia Calbo de Oliveira, com quem o suspeito teria feito um breve contato visual e corrido atrás dela logo em seguida. Ao fugir, o homem atingiu Larissa, que estava mais próxima dele, e a derrubou com um chute no joelho.
Apesar de a mulher já estar no chão e machucada, o agressor continuou desferindo chutes em sua face e na cabeça.
Larissa recebeu os primeiros atendimentos no local e foi encaminhada ao Hospital Mandaqui por uma viatura do Metrô, onde permaneceu sob cuidados médicos. Ela já recebeu alta e se recupera em casa.
“Eu fraturei o nariz, o maxilar, estou com bastante inchaço no rosto, quebrei três dentes e fraturei o joelho, estou mancando”, disse.
A vítima se queixa da falta de segurança dentro da estação. “Ele [o agressor] estava na plataforma, na parte onde a gente pega o trem. Ou seja, ele passou pela catraca e não tinha nenhum segurança do Metrô ali. Eles apareceram depois do ocorrido”, afirmou ela, que enfatiza:
“Pelo que eu soube, é um rapaz que já teve até passagem [pela polícia] por assédio contra mulheres no metrô. A gente estava tranquila e o cara ficou incomodadíssimo com a nossa presença ali. Fiquei me sentindo muito exposta”, lamenta ela, que pretende passar por acompanhamento psicológico.
“Estou muito apreensiva de pegar metrô novamente”, conta.
Larissa ainda contesta a decisão da polícia de registrar o caso como lesão corporal. “Ele foi preso e já saiu da prisão, porque alegaram lesão corporal, mas para mim foi uma tentativa de feminicídio. Quiseram deixá-lo solto, ontem foi comigo, mas amanhã pode ser com outra que talvez não sobreviva.”
O autor das agressões não apresentou documentos que comprovassem seu nome.
Procurado, o Metrô informou que agentes de segurança atenderam a ocorrência, identificaram e detiveram o autor das agressões. A vítima foi socorrida ao Hospital Mandaqui, e o caso foi encaminhado à Polícia Civil.
Segundo boletim de ocorrência, Ana Claudia relatou que estava próxima de Larissa e também foi atingida por um chute na perna direita. No registro policial consta que ela conseguiu fugir do local para preservar sua integridade física e não apresentou lesões aparentes.
