Piloto que morreu em acidente perdeu visão em névoa antes de bater avião na Serra do Japi, conclui Cenipa


Piloto que morreu em acidente perdeu visão em névoa antes de bater avião na Serra do Japi
Reprodução
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que o avião pilotado por Angelo Chaves Pucci, de 44 anos, caiu na Serra do Japi, em Jundiaí (SP), depois do piloto perder totalmente a visibilidade devido à névoa úmida da região. O relatório final da investigação foi divulgado dois anos após o acidente aéreo.
A aeronave desapareceu em 28 de março de 2024, logo após decolar do Aeroporto de Jundiaí com destino ao Campo de Marte, na capital paulista. Equipes de resgate por terra localizaram os destroços do avião e o corpo do piloto dois dias depois, na manhã de 30 de março.
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O g1 teve acesso ao relatório final da investigação, que diz que os técnicos classificaram a queda como um acidente do tipo CFIT (sigla em inglês para voo controlado contra o terreno). Isso significa que o avião estava operando normalmente e sob o comando do piloto, mas bateu contra o solo porque ele perdeu as referências visuais por causa do mau tempo.
De acordo com o Cenipa, cinco falhas principais e decisões inadequadas levaram ao acidente fatal:
Condições meteorológicas desfavoráveis na região da serra;
Preparação insuficiente antes da decolagem;
Avaliação errada das condições de perigo no trajeto;
Decisão de manter o voo mesmo diante dos riscos climáticos;
Razões não esclarecidas que o fizeram insistir na viagem.
Arte sobre avião que caiu na Serra do Japi, em Jundiaí (SP)
Arte/g1
Causas do acidente
O relatório detalha que o piloto tentou decolar três vezes ao longo do dia do acidente. Ele decidiu seguir com a viagem de avião mesmo após receber orientações técnicas para usar o transporte terrestre por causa do tempo fechado.
Segundo o Cenipa, o planejamento foi falho porque a vítima subestimou os riscos geográficos da rota. O trajeto até a capital paulista exigia sobrevoar áreas de elevação e montanhas que, naquele dia, estavam totalmente encobertas por nuvens baixas, transformando o relevo em um perigo invisível.
A investigação também identificou uma pressa gerada por fatores psicológicos. Angelo enfrentava um conflito entre as obrigações do seu emprego e um compromisso familiar. Essa pressão interna fez com que ele tentasse concluir o serviço rapidamente, diminuindo os padrões exigidos de segurança para o deslocamento, conforme o relatório.
O órgão da Aeronáutica reforça em sua conclusão que, em voos particulares sem tripulação, o piloto é o único responsável por assumir os riscos, gerenciar a rota e arcar sozinho com todas as decisões tomadas a bordo.
Equipe em terra chega a destroços de avião que caiu no meio da Serra do Japi, em Jundiaí (SP)
Reprodução
Fatores desconsiderados
Os investigadores descartaram falhas técnicas ou falta de habilidade do condutor como causas da queda. Angelo era um piloto experiente e estava habilitado para fazer voos noturnos.
Além disso, a aeronave estava com a documentação em dia e não apresentou nenhum sinal de pane mecânica ou falta de combustível (pane seca) durante o trajeto.
Diante das falhas apontadas no acidente, o Cenipa emitiu uma recomendação para a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
O órgão pede que as escolas de aviação e centros de formação reforcem as aulas práticas e teóricas sobre tomada de decisão sob pressão, voos sem copiloto e gerenciamento de riscos em meio a tempestades e tempo fechado.
Relembre o acidente
Avião da FAB fez buscas na Serra do Japi, onde aeronave de pequeno porte caiu
Reprodução/FlightRadar
O avião bimotor decolou do Aeroporto de Jundiaí com destino ao Campo de Marte, na capital paulista. No entanto, o pouso em São Paulo foi cancelado devido à presença de óleo na pista do aeroporto paulistano. Segundo o Comando de Aviação da Polícia Militar, Angelo Pucci foi obrigado a dar meia-volta e retornar para o interior, momento em que a aeronave desapareceu.
O último contato do piloto por rádio ocorreu enquanto ele sobrevoava a Serra do Japi. O avião caiu em uma área de mata fechada e de relevo muito íngreme. De acordo com as equipes de socorro, os destroços foram localizados a apenas sete quilômetros de distância do aeroporto de Jundiaí.
Uma grande força-tarefa foi montada para varrer a região da serra. A operação mobilizou os helicópteros Águia, da PM, e duas aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB), além de equipes por terra do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Guarda Municipal e da Divisão Florestal.
Após mapear a rota do desaparecimento, os helicópteros avistaram os destroços da aeronave em uma clareira no meio da vegetação densa. No dia 30 de março de 2024, equipes terrestres conseguiram abrir caminho na mata e chegar ao ponto exato do impacto, onde encontraram o corpo do piloto.
O avião era um bimotor modelo Piper Aircraft, fabricado em 1995, com capacidade para seis pessoas. Conforme os dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a documentação estava regularizada e sem restrições de voo. O avião pertencia à empresa HKTC do Brasil S.A., que declarou em nota ter acompanhado os trabalhos de resgate.
Assista à reportagem da TV TEM sobre o caso abaixo:
Equipes encontram destroços de aeronave na Serra do Japi
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