A Escola de Estética Avenida Paulista, fundada por Thales Juliani, chegou aos dez anos de atuação com um modelo voltado a cursos livres de capacitação e aprimoramento na área de saúde estética e beleza. No programa Smart Money, da BM&C News, o empreendedor apresentou aos conselheiros o desafio de transformar uma operação já validada em um negócio com maior capacidade de escala, sem perder controle sobre a gestão, a entrega e a experiência do aluno.
A empresa está localizada na Avenida Paulista, em São Paulo, e já treinou cerca de 8,5 mil alunos ao longo de sua trajetória. O portfólio reúne 18 temas presenciais e atende tanto profissionais já qualificados quanto pessoas em processo de transição de carreira, interessadas em ingressar no setor de estética e bem-estar.
“Nós somos uma escola especializada em cursos de curta duração, de aprimoramento e capacitação de profissionais já qualificados na área da saúde estética e beleza e também para profissionais que estão em processo de migração profissional que queiram aprender uma nova profissão”, explicou Thales Juliani.
Dependência do fundador é desafio para expansão
Um dos principais pontos discutidos no programa foi a concentração das decisões no fundador. Embora a escola tenha fluxo de caixa saudável e processos já mapeados, Juliani afirmou que áreas como captação, vendas, marketing, financeiro e entrega dos cursos ainda dependem diretamente de sua atuação. Esse modelo é comum em empresas que crescem com forte presença do empreendedor, mas pode limitar a expansão quando a operação passa a exigir mais estrutura.
Na avaliação dos conselheiros, o crescimento passa pela separação entre funções estratégicas e operacionais. O desafio não é apenas contratar profissionais, mas distribuir responsabilidades, criar rotinas claras e reduzir a dependência de um único gestor. Sem essa organização, a empresa pode continuar rentável, mas restrita ao alcance individual do fundador.
“Você juntou cinco habilidades em uma pessoa só, fez o que fez e assumiu o risco. Agora, talvez você vá precisar de cinco pessoas para fazer o que você faz”, avaliou Guilherme Danelli.
Estrutura precisa vir antes da escala
Durante a conversa, João Kepler destacou que existem diferentes caminhos para expansão, incluindo unidade própria, franquia, licenciamento ou sociedade com operadores locais. No entanto, antes de definir o modelo, a empresa precisa entender se a base atual está pronta para ser replicada. A construção de processos claros permite avaliar o que pode ser reproduzido em outra praça sem comprometer qualidade, atendimento e identidade da marca.
A recomendação central foi transformar o conhecimento acumulado pelo fundador em um manual operacional. Esse material deve reunir procedimentos de atendimento, vendas, marketing, jornada do aluno, gestão financeira, tecnologia, escolha de professores e padrão de entrega dos cursos. A proposta não é burocratizar a empresa, mas criar uma referência objetiva para reduzir riscos em uma futura expansão.
“Não é um manual para vender franquia, mas é um manual para você olhar assim: ‘Uau, eu poderia fazer um control C, control V em qualquer lugar’”, sugeriu João Kepler.
Tecnologia ajuda a organizar a jornada do aluno
A Escola de Estética Avenida Paulista já iniciou uma frente de inovação tecnológica. Juliani afirmou que a empresa lançou recentemente um portal do aluno e integrou site, e-commerce, cadastro, base de dados, CRM, financeiro e emissão de notas fiscais. A digitalização melhora a gestão comercial e administrativa, além de permitir mais controle sobre informações de alunos, turmas e pagamentos.
Apesar desse avanço, a tecnologia só gera escala quando está conectada a processos bem definidos. Como parte relevante dos cursos depende de prática presencial, os conselheiros avaliaram que o crescimento pode envolver modelos híbridos, com etapas online para conteúdos teóricos e encontros presenciais para aplicação prática. Esse formato pode ampliar alcance sem descaracterizar a proposta pedagógica da escola.
“Antes de saber como que vai fazer, você tem que saber como que é feito hoje”, observou Alan Cap.
Crédito pode destravar novas matrículas
Outro ponto levantado no programa foi a barreira financeira enfrentada por parte dos alunos. A escola trabalha com pagamentos por bandeiras nacionais e não oferece parcelamento próprio, principalmente pelo risco de inadimplência após a realização dos cursos. Segundo Juliani, a equipe comercial recebe questionamentos frequentes de interessados que não têm limite disponível no cartão de crédito para financiar a capacitação.
Para os conselheiros, soluções de crédito direcionado poderiam aumentar a conversão de vendas, desde que estruturadas com análise de risco e capacidade de pagamento. Em um mercado formado por profissionais em busca de especialização, renda própria ou transição de carreira, o acesso ao financiamento pode ser um fator decisivo para transformar interesse em matrícula.
“Eu acredito que dentro do questionamento que uma equipe comercial me aponta em torno de 20% dá para melhorar um percentual interessante”, estimou Thales Juliani.
Manualização pode abrir novo ciclo de crescimento
A padronização dos processos também permite identificar quais atividades podem ser profissionalizadas e quais continuam dependendo da visão do fundador. Para Alan Cap, o mapeamento tende a revelar gargalos, oportunidades de melhoria e pontos em que a tecnologia, inclusive a inteligência artificial, pode apoiar a operação. Esse diagnóstico é essencial para empresas que desejam crescer sem perder eficiência.
Ao final da análise, João Kepler reforçou que muitos empresários ficam presos ao operacional por urgência, emergência, dependência e necessidade. No caso da Escola de Estética Avenida Paulista, o próximo passo é transformar a experiência construída em dez anos em método, preservando diferenciais como acolhimento, qualidade de ensino e uso de tecnologia.
“Não é burocratizar, está gerando papel, não tem nada a ver. É você documentar para entender o seu lugar de potência, para entender o que falta”, ressaltou João Kepler.
Próxima etapa depende de governança e execução
O caso apresentado no Smart Money mostra um desafio recorrente entre empresas em crescimento: transformar conhecimento concentrado em estrutura replicável. A Escola de Estética Avenida Paulista validou demanda, desenvolveu marca, investiu em tecnologia e formou milhares de alunos, mas agora precisa organizar sua operação para sustentar um ciclo de expansão.
Para investidores, empresários e gestores, a principal leitura é que escala não depende apenas de mercado disponível. Ela exige processos, governança, crédito, tecnologia e capacidade de execução sem concentração excessiva em uma única pessoa. No caso da escola, a decisão sobre o melhor modelo de expansão deverá ocorrer depois que a operação estiver documentada, testada e pronta para ser reproduzida com padrão.
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