Polícia Federal mira Jaques Wagner em nova fase da Operação Compliance Zero

jaques wagner

A Polícia Federal colocou o senador Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado, entre os principais alvos da investigação da nona fase da Operação Compliance Zero. Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

A operação apura supostos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes financeiras relacionados ao Banco Master. Além de endereços ligados ao senador, a PF realizou diligências na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal.

A nova etapa da investigação amplia o alcance político do caso, que já havia resultado na prisão de Daniel Vorcaro e de outros investigados em fases anteriores.

Wagner afirma que acompanha as apurações com tranquilidade e nega qualquer irregularidade.

Emenda sobre crédito consignado é questionada

A Polícia Federal afirma ter identificado elementos que relacionam a atuação parlamentar de Jaques Wagner a interesses do Banco Master. Segundo a investigação, o senador apresentou uma emenda sobre crédito consignado que, na avaliação dos investigadores, poderia beneficiar o banco.

A PF destaca que a iniciativa ocorreu em período próximo ao início de relações comerciais entre o Master e uma empresa ligada ao núcleo familiar do parlamentar. De acordo com o relatório, a empresa recebeu cerca de R$ 11 milhões entre 2022 e 2025 para prospectar negócios relacionados ao crédito consignado.

A investigação também apura suspeitas de recebimento de vantagens indevidas. Wagner nega ter atuado em favor da instituição financeira e contesta as conclusões apresentadas pelos investigadores.

Lula acompanha caso diretamente

O presidente Lula passou a acompanhar diretamente os desdobramentos da operação que atingiu Jaques Wagner. Lula teria telefonado para o senador após a ação da Polícia Federal e pediu que ele apresentasse esclarecimentos públicos sobre as acusações.

O presidente também deverá se reunir pessoalmente com Wagner nos próximos dias para discutir a situação política criada pela investigação. Integrantes do governo afirmam que Lula demonstrou solidariedade ao aliado, mas também considera importante que todas as dúvidas sejam respondidas.

Nos bastidores, a avaliação é que o episódio ganhou dimensão política relevante por envolver o líder do governo no Senado. O Palácio do Planalto acompanha os desdobramentos antes de tomar decisões sobre eventuais mudanças.

Permanência na liderança é debatida

A permanência de Jaques Wagner na liderança do governo no Senado passou a ser debatida dentro do Palácio do Planalto e do PT após a operação da Polícia Federal. Aliados de Lula avaliam que a situação do senador se tornou delicada e defendem que ele deixe temporariamente o cargo para se dedicar à própria defesa.

O presidente ainda não tomou uma decisão oficial, mas interlocutores afirmam que a questão deverá ser discutida nos próximos dias. Wagner, por sua vez, declarou que não pretende renunciar e afirmou que a definição cabe exclusivamente ao presidente da República.

O senador também ressaltou que não é réu nem denunciado. A discussão ocorre em um momento de intensa articulação política dentro do governo.

Governo tenta blindar Lula

Integrantes do governo e dirigentes do PT iniciaram um esforço para impedir que a investigação envolvendo Jaques Wagner produza desgaste direto para o presidente Lula. A estratégia adotada é tratar o caso como uma questão individual do senador, preservando a imagem do governo federal e reforçando a autonomia da Polícia Federal nas apurações.

Ministros e lideranças governistas afirmam que qualquer suspeita deve ser investigada e que os responsáveis devem responder por seus atos. Ao mesmo tempo, aliados destacam que Lula não é alvo da investigação e não aparece nas acusações apresentadas pela PF.

O Planalto teme que a repercussão do caso interrompa a recuperação observada nas pesquisas eleitorais e fortaleça narrativas da oposição durante a campanha presidencial.

Oposição explora caso politicamente

Parlamentares ligados ao bolsonarismo passaram a utilizar a investigação contra Jaques Wagner para questionar o discurso do PT sobre o escândalo envolvendo o Banco Master. Lideranças oposicionistas afirmam que o caso enfraquece os ataques feitos pelo governo a adversários políticos que também tiveram seus nomes associados ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Além disso, parlamentares voltaram a defender a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito para aprofundar as investigações. Nos bastidores, aliados de Flávio Bolsonaro avaliam que a operação reduz a vantagem política conquistada pelo governo após a divulgação de informações sobre a relação entre o ex-banqueiro e integrantes da oposição.

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