Lagartas reduzem safra de milho; só um agricultor abastece mercado em Fernando de Noronha


Josinaldo Dantas espera colher 10 mil espigas em Noronha
Ana Clara Marinho/TV Globo
A safra de milho para as festas juninas foi prejudicada mais uma vez pela infestação de lagartas em Fernando de Noronha. Segundo agricultores da ilha, a praga destruiu grande parte das plantações e comprometeu a produção deste ano, reduzindo a oferta do produto tradicionalmente consumido no São João. Apenas um morador tem o produto para abastecer o mercado local.
A presidente da Associação dos Agricultores de Noronha, Lourdes Sampaio, que também é bióloga, afirmou que a lagarta é uma das pragas mais severas enfrentadas pelos produtores. Segundo ela, os insetos chegam à ilha junto com alimentos transportados do continente.
✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1
“Duas espécies de lagarta chegam à ilha dentro de alimentos, principalmente no próprio milho. Quando esses insetos chegam em Fernando de Noronha, muitas vezes são descartados no lixo. As lagartas que sobrevivem colocam ovos no meio ambiente e iniciam um novo ciclo. Tivemos um aumento significativo da quantidade de lagartas nas lavouras de Noronha”, explicou.
Lagarta pode ser encontrada no milho que chega do continente na ilha
Lourdes Sampaio/Acervo pessoal
O agricultor Walfredo do Nascimento Morais perdeu quase toda a produção. Ele esperava colher cerca de 500 espigas, mas conseguiu retirar pouco mais de 100.
“Quando o milho está em fase de crescimento, a lagarta ataca. Este foi um dos piores anos. Ela apareceu em grande quantidade e comeu quase tudo. Consegui colher milho apenas para o consumo da minha família”, contou.
Walfredo mostra o estrago feito pelas lagartas
Ana Clara Marinho/TV Globo
O agricultor José Ambrósio também teve prejuízo. “Plantei 40 quilos de sementes e esperava uma boa produção. Mas as lagartas devoraram tudo. Infelizmente, não tive produto para abastecer o mercado local durante as festas juninas”, disse.
Combate à praga
O agricultor Josinaldo Dantas afirmou que a infestação de lagartas tem sido um problema frequente nos últimos anos em Fernando de Noronha. Para proteger a plantação, ele manteve o roçado limpo e utilizou óleo de neem, um produto natural usado no controle de pragas.
“Quando a lagarta aparece, a gente aplica o óleo e ela desaparece”, afirmou.
Lourdes Sampaio explicou que a calda bordalesa é uma das alternativas permitidas na agricultura orgânica para ajudar no controle de pragas e doenças nas plantas.
“A calda bordalesa pode ser utilizada no manejo da plantação. Outra alternativa é usar cinza de madeira misturada com detergente neutro e um pouco de bicarbonato. É um processo trabalhoso, mas pode ajudar a eliminar os ovos e reduzir a presença das lagartas”, explicou.
Milho garantido
Praga de lagartas reduz safra de milho; só um produtor abastece Noronha
Josinaldo iniciou a colheita nesta segunda-feira (22) e espera colher cerca de 10 mil espigas (veja vídeo acima). Segundo ele, a produção deve ser suficiente para abastecer o mercado local durante o período junino. A espiga está sendo vendida por R$ 5.
O agricultor também acredita que as cores verde e amarela do milharal trazem sorte para a Seleção Brasileira na Copa do Mundo. contra a Escócia.
“O verde representa esperança. Esse é o milho para consumir no dia do jogo do Brasil, na quarta-feira (24). No São João, o certo é comer milho assado e assistir à turma correndo atrás da bola”, afirmou Josinaldo Dantas.
Tradição
Os moradores não perderam tempo e começaram a comprar o milho para as comemorações de São João logo que o produto ficou disponível .
“O milho é de Noronha e está muito bom. Vou fazer canjica e assar algumas espigas. No São João, milho é indispensável”, disse a camareira Marluce Silva.
O condutor de visitantes Lupércio Souza também garantiu a compra. “O preço é um pouco alto, mas estamos em Fernando de Noronha. Festa junina combina com milho, e o produto está com boa qualidade”, afirmou.
Antônio Cordeiro, que também é condutor de visitantes, manteve a tradição e comprou o milho. “O milho chegou na hora certa. Não podemos passar o São João sem canjica, pamonha e milho cozido. Faz parte da tradição”, declarou.
VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias
c
Adicionar aos favoritos o Link permanente.