Pernambucana faz 115 anos e é a 2ª pessoa mais velha do Brasil

Pernambucana celebra 115 anos e é a 2ª pessoa mais velha do BrasilArquivo pessoal/ Wívian Lira

A pernambucana Beatriz Ferreira Duarte completou 115 anos no último domingo (21) e reuniu familiares e amigos próximos em uma comemoração especial realizada em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife. Reconhecida pela organização internacional LongeviQuest como a segunda pessoa viva mais velha do Brasil, ela foi homenageada por uma trajetória que atravessa mais de um século de história.

A celebração aconteceu exatamente na data em que Beatriz nasceu, em 21 de junho de 1911. Em entrevista ao iG, a neta Wívian Lira contou que a família faz questão de celebrar todos os aniversários da matriarca, mas datas simbólicas, como os 100, 105 e agora os 115 anos, ganham uma comemoração especial.

“É uma alegria muito grande para toda a família. Sabemos que estamos vivendo um momento raro e histórico. Ela é muito amada por todos e sempre foi um exemplo de força, serenidade e união familiar. Foi uma festa linda. A gente organizou tudo com muito carinho. Estavam presentes os familiares mais próximos e alguns amigos”, contou ao iG.

O encontro teve homenagens, lembranças e mensagens de agradecimento pela vida da supercentenária, que hoje reúne uma família formada por diferentes gerações.

Cinco gerações reunidas

Durante a comemoração, a primeira bisneta Yslla Duarte destacou a importância histórica do momento para a família.

“Hoje é um dia histórico para nossa família. Exatamente nesta data, em 21 de junho de 1911, vovó nasceu em Moreno, no Grande Recife. E nós temos o privilégio de nos reunir para celebrar essa bênção”, afirmou.

Beatriz Ferreira Duarte com o marido e as quatro filhas na comemoração de 50 anos de casadosArquivo pessoal / Wívian Lira

Ao longo dos 115 anos, Beatriz construiu uma grande família. Atualmente, ela tem três filhas vivas, sete netos, 12 bisnetos, uma tataraneta e outro tataraneto a caminho.

Segundo os familiares, sua história é lembrada não apenas pela longevidade, mas também pelos valores transmitidos às gerações seguintes.

Uma vida simples e tranquila

Dona de casa durante toda a vida, Beatriz foi casada por 53 anos com Amaro Duarte, falecido há 36 anos. A família a descreve como uma mulher simples, religiosa, dedicada ao lar e conhecida pela serenidade com que encarava os desafios do cotidiano.

De acordo com Wívian, quando ainda estava lúcida, ela costumava atribuir a longevidade ao modo tranquilo de viver.

“Sempre que perguntávamos qual era o segredo, ela dizia que levava uma vida muito tranquila, sem se preocupar demais com as coisas”, relembrou a neta.

A bisneta Yslla também recordou que Beatriz raramente demonstrava ansiedade ou preocupação excessiva.

“Ela vivia um dia de cada vez. Não tinha pressa e não fazia tempestade em copo d’água”, disse Yslla durante a homenagem na festa.

Beatriz Ferreira Duarte em sua festa de 100 anosArquivo pessoal / Wívian Lira

Saúde chama atenção da família

Mesmo aos 115 anos, outro aspecto continua impressionando parentes e conhecidos. Segundo a família, Beatriz não possui histórico de doenças crônicas como hipertensão, diabetes ou problemas cardíacos.

“Ela não toma nenhum remédio. Isso é o que mais impressiona as pessoas”, afirmou Wívian.

Hoje, a supercentenária não está mais lúcida, condição que começou após os 106 anos. Ainda assim, continua sendo acompanhada pela família, que mantém uma rotina rígida de alimentação, hidratação e descanso.

Aos cuidados de uma das filhas, Beatriz segue cercada pelo carinho dos familiares que fizeram questão de transformar os 115 anos em uma celebração da vida, da memória e do legado deixado para cinco gerações.

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Entre as pessoas mais velhas do mundo

O aniversário de 115 anos de Beatriz Ferreira Duarte também reforça a posição da pernambucana entre os casos mais raros de longevidade do planeta. Segundo a LongeviQuest, organização internacional especializada na validação de supercentenários, ela é atualmente a segunda pessoa viva mais velha do Brasil.

Pessoas que ultrapassam os 110 anos são classificadas como supercentenárias e representam uma parcela extremamente pequena da população mundial. Aos 115 anos, Beatriz integra um grupo restrito de mulheres com idade comprovada acima dessa marca.

De acordo com o levantamento mais recente da LongeviQuest, as pessoas mais velhas do mundo são:

  • Ethel Caterham (Reino Unido) – 116 anos;
  • Naomi Whitehead (Estados Unidos) – 115 anos;
  • Lucia Laura Sangenito (Itália) – 115 anos;
  • Yolanda Beltrão de Azevedo (Brasil) – 115 anos;
  • Shigeko Kagawa (Japão) – 115 anos;
  • Beatriz Ferreira Duarte (Brasil) – 115 anos.

No ranking brasileiro, apenas Yolanda Beltrão de Azevedo é mais velha que Beatriz. As duas têm 115 anos, mas Yolanda nasceu em janeiro de 1911, enquanto a pernambucana veio ao mundo em 21 de junho do mesmo ano.

A marca alcançada por Beatriz chama atenção por representar mais de um século de transformações históricas, tecnológicas e sociais vividas ao longo de cinco gerações de uma mesma família.

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