PM faz operação em Muzema e Gardênia Azul; Rio das Pedras enfrenta disputas entre milicianos e traficantes


Polícia faz operação na Zona Sudoeste do Rio; Rio das Pedras sofre com tiroteios
A Polícia Militar iniciou na manhã desta terça-feira (23) uma operação nas comunidadesda Gardênia Azul e Muzema, na Zona Sudoeste do Rio.
A favela vizinha, de Rio das Pedras, tem sido o centro de uma disputa entre tráfico e milícia que tem causado tiroteios diários e pânico para os moradores. Cemitérios clandestinos da milícia foram descobertos recentemente em Rio das Pedras.
A comunidade é um dos berços da milícia e atualmente está “imprensada” entre a Muzema e outras regiões da Zona Sudoeste já dominadas pelo Comando Vermelho na região da Grande Jacarepaguá.
Operação da Polícia Militar na Zona Sudoeste do Rio
Reprodução/TV Globo
A operação do Batalhão de Choque, com apoio do 18º BPM (Jacarepaguá) e 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes ocorre dias depois de milicianos deixarem Rio das Pedras e se juntarem ao Comando Vermelho, segundo investigações da Polícia Civil.
Blindados da polícia circulam por Rio das Pedras
Reprodução/TV Globo
Em uma ligação de vídeo, um miliciano reclama dos criminosos que mudaram de lado na disputa por Rio das Pedras:
“Estão falando que você estão tudo com o Doca (chefe do Comando Vermelho). Qual foi, Farol? Estava com a gente aqui ontem, parceiro”
Juan Barboza de Sousa, o Farol, é quem aparece na ligação. Ele foi morto durante uma operação da Polícia Militar.
Juan Barboza de Sousa, o Farol, e José Romário da Silva, o Solteiro
Reprodução
Junto com Farol, morreu José Romário da Silva, o Solteiro. Eles integravam a milícia de Rio das Pedras, mas recentemente se aliaram ao Comando Vermelho.
Edgar Alves de Andrade, o Doca da Penha ou Urso, traficante do Comando Vermelho
Reprodução
O chefe da facção citado na ligação é Edgar Alves de Andrade, o Doca, atualmente foragido, com 46 mandados de prisão em aberto.
Investigações da Polícia Civil apontam o desejo de Doca de tomar toda a Zona Sudoeste do Rio por razões estratégicas e sufocar toda a atuação de milicianos na região.
Moradores, por sua vez, ficam no meio do fogo cruzado e não veem outra alternativa se não deixar a região.
“Não dá nem para dormir. Isso aqui está um inferno. Não dá nem mais para morar, estou pensando seriamente em ir embora daqui”
Especialista
O antropólogo Robson Rodrigues, coronel e ex-chefe do Estado Maior da Polícia Militar e pesquisador do Laboratório de Análise da Violência da UERJ, apontou que as movimentações de facções criminosas têm consequências no cenário criminal do Estado:
“Há uma transformação desses mercados, dessas facções criminosas, e uma transformação desse tabuleiro geocriminal”
Rodrigues ainda avaliou quais seriam as melhores soluções para reocupar regiões dominadas pelo crime organizado:
“Como solucionar isso? É uma ocupação racional e inteligente por parte do Estado, não ações intermitentes, não ações da polícia A, B ou C. É do Estado como um todo, para que territórios sejam retomados”, pontuou.
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