Com 828 pedidos de refúgio em 2025, Acre segue como porta de entrada de imigrantes no país


Rota de imigração, Acre debate avanços e histórico do fluxo migratório
Deixar seu país de origem é uma mudança que altera a vida de uma pessoa e, a depender da situação, não é uma decisão, mas uma necessidade. É o caso dos refugiados. Desde 2010, o Acre passou a receber milhares de haitianos que fugiam dos impactos do terremoto que devastou o país.
Conforme o Relatório de Monitoramento da Agência Brasileira de Inteligência, o estado acreano funciona como porta de entrada para pessoas que buscam trabalho e em 2025, por exemplo, registrou 828 pedidos de refúgio.
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O acesso desses imigrantes é feito, principalmente, por Brasiléia e Assis Brasil, cidades do interior do Acre e na região de fronteira.
Em 2025, Acre recebeu 828 pedidos de refúgio, segundo o Relatório de Monitoramento da Agência Brasileira de Inteligência
Yuri Marcel/g1
Em 16 anos, de acordo com o doutor em geografia pela Universidade Federal do Acre (Ufac) José Alves Bairral, o Acre recebeu imigrantes de mais de 45 nacionalidades. Diante deste cenário, o governo criou uma Política Estadual de Migração.
“Mas, recentemente tem se observado que o aumento da migração envolve principalmente países da América do Sul. O fator de migração são fatores extremamente complexos e a gente observa desde fatores de busca pela população por melhores condições de vida e de trabalho”, explicou.
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Nesta quinta-feira (25) é celebrado o Dia do Imigrante. Já no último sábado (20), foi comemorado o Dia Mundial do Migrante. As datas reforçam o debate sobre o fluxo migratório no estado.
Segundo a gestora interina da Casa de Passagem para Migrantes de Rio Branco, Sabrina Ferreira, o local chegou a acolher mais de 500 venezuelanos.
“Aqui temos dois tipos de demandas com a chegada do migrante: tem por demanda espontânea, quando eles chegam aqui na frente da unidade pedindo acolhimento ou quando eles são encaminhados das demais casas”, detalhou.
Além do abrigo da capital, o estado conta com mais três casa de passagem para acolhimento emergencial de migrantes, sendo duas em Assis Brasil e uma em Epitaciolândia, no interior do Acre.
Casa de Passagem para Migrantes de Rio Branco chegou a acolher mais de 500 venezuelanos
Rede Amazônica/Melícia Moura
Mudanças
A região Norte é historicamente um importante corredor e polo de migração, porém a dinâmica mudou. No passado, a região atraía muitos nordestinos e sulistas. Hoje, o maior fluxo é de imigrantes internacionais, especialmente os venezuelanos.
“Isso exerce uma ação significativa do governo federal, do governo estadual e governos municipais, da sociedade civil, por exemplo, para que essa legislação possa ser exercida e esse migrante receber a acolhida devida nesse contexto”, afirmou Bairral.
Conforme a gestora de políticas públicas do estado, Maria da Luz, o Acre auxilia migrantes e refugiados oferecendo ajuda humanitária direta em áreas como Assis Brasil, Brasiléia, Epitaciolândia e Rio Branco. Além disso, mantém abrigos, disponibiliza assistência social e atua em parceria com órgãos da Organização das Nações Unidas (ONU) para garantir direitos, documentação, inclusão social e financeira.
“A vida do migrante não é uma vida fácil, as pessoas não migram por que querem. E para ver onde nós estamos situados, nesse processo de migração, para entender as pessoas que estão chegando hoje e precisam ser acolhidas com dignidade com garantias de direitos”, conclui.
Recomeço
Para Saint Charles, de 47 anos, recomeçar no Acre tem um significado importante. Ele nasceu Gonaïves, no Haiti, e chegou ao Acre em 2011, quando decidiu buscar uma nova oportunidade diante dos desastres que assolavam seu país de origem.
“Lá em 2010, teve um terremoto lá, muita gente morreu na capital, crianças também…. E também o Haiti estava passando muita fome e pensei em sair de lá para o Acre para ajudar meu pai, minha mãe, meus irmãos e parentes. Por isso também decidi vir para cá em busca de trabalho”, compartilhou.
Saint Charles, de 47 anos, chegou a Rio Branco para trabalhar em 2011 após deixar Gonaïves
Júnior Andrade/Rede Amazônica Acre
Atualmente, Saint trabalha como auxiliar de perecíveis em um supermercado da capital acreana. De acordo com ele, a vinda para o Acre teve uma rota bastante extensa.
“Peguei um avião no Haiti. Do Panamá fui para o Equador e depois de lá não dava para pagar avião. Peguei um ônibus, passei pelo Peru e vim pra Assis Brasil. Então, fui pra Brasiléia, lá tirei o CPF e peguei um táxi e segui viagem até chegar aqui, em Rio Branco”, descreveu.
Além de Saint, a Natália Escobar também chegou ao estado com muitos anos. Ela saiu da Venezuela há dois meses e, atualmente, está na casa de passagem na capital acreana.
“Meu sonho é que meus filhos estudem e sejam alguém na vida, para que ninguém os trate mal, que sejam profissionais e que tenham um futuro para a família deles”, contou.
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