
O vereador de São Paulo Senival Moura (PT) foi preso temporariamente nesta quinta-feira (25) durante a Operação Última Parada, da Polícia Civil. A investigação apura um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) que, segundo a polícia, teria usado a empresa de ônibus Transunião Transportes. A concessionária integra o sistema municipal de transporte coletivo da capital por meio de contrato com a Prefeitura de São Paulo. Senival está no sexto mandato e ocupa a 1ª Secretaria da Câmara Municipal de São Paulo em 2026.
Segundo a Polícia Civil, a empresa teria sido usada para ocultar a verdadeira propriedade de ônibus, movimentar dinheiro fora da contabilidade regular e repassar recursos a pessoas sem vínculo formal com a companhia. A apuração aponta que parte da estrutura financeira era controlada por pessoas ligadas direta ou indiretamente ao PCC.
Adauto Soares Jorge foi presidente da Transunião e era considerado um dos principais nomes da empresa. O assassinato dele, em 2020, levou os investigadores a apreender celulares, pen drives e documentos que deram origem ao atual inquérito. A partir desse material, a Polícia Civil ampliou a investigação para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Segundo a representação da Polícia Civil, Senival Moura passou a ser investigado após mensagens, documentos e planilhas indicarem que ele exerceria influência sobre decisões financeiras da Transunião, apesar de não aparecer formalmente como sócio da empresa.
Planilhas e mensagens ligam vereador ao caso
Segundo a Polícia Civil, foram encontradas duas planilhas nos arquivos de Adauto, chamadas “CONTATO” e “CONTATO 3”. Os documentos separavam os veículos em duas categorias: “cooperado” e “cooperado oficial”.
Para os investigadores, o primeiro campo indicava quem aparecia formalmente como responsável pelo ônibus. O segundo apontaria o real beneficiário econômico do veículo, ou seja, quem recebia o dinheiro gerado pela operação.
Para a Polícia Civil, as planilhas reforçam a suspeita de que parte da frota estava registrada em nome de terceiros, enquanto os lucros eram destinados aos verdadeiros controladores.
A investigação também analisou mensagens de WhatsApp trocadas entre Adauto e Leonel Moreira Martins, apontado como operador financeiro do grupo.
Em uma das conversas, de agosto de 2019, Leonel teria pedido o depósito de R$ 53,5 mil e escrito, em seguida: “Já falei com o vereador”. A Polícia Civil afirma que a referência era a Senival Moura.

Outras mensagens citam personagens chamados de “presidente”, “véio” e “velhinho”. Para os investigadores, esses apelidos também se referem ao vereador. A leitura da polícia é que pagamentos e repasses dependiam de autorização prévia dele.
Em outro trecho da investigação, os policiais afirmam que Senival, embora não aparecesse como sócio da Transunião, teria poder real sobre decisões financeiras da empresa.
Outro elemento citado pela Polícia Civil é uma carta manuscrita apreendida na casa de Jair Ramos de Freitas, conhecido como “Cachorrão”. O documento é tratado pelos investigadores como um possível “salve”, termo usado para comunicados internos do PCC.

Na carta, há menção a um suposto desvio de R$ 15 milhões na garagem da Transunião. A investigação afirma que a expressão faz referência à empresa.
A polícia afirma que o documento reforça a suspeita de disputa interna pelo controle dos recursos da empresa.
Quem mais é investigado
Além de Senival Moura, a Polícia Civil pediu prisão temporária de Leonel Moreira Martins, Jair Ramos de Freitas, Lourival de França Monário e Devanil de Souza Nascimento.
O pedido fala em lavagem de capitais, organização criminosa, uso de empresas interpostas, movimentações financeiras pulverizadas e ocultação de patrimônio. A prisão temporária foi solicitada por 30 dias.
Os investigadores também pediram buscas, apreensão de celulares e documentos, bloqueio de dados e afastamento de dirigentes ligados à Transunião.
As investigações continuam com a análise dos celulares, documentos financeiros e registros bancários apreendidos durante a operação. A Polícia Civil busca identificar outros possíveis envolvidos e rastrear a origem e o destino dos recursos investigados.
O iG procurou a defesa de Senival Moura, a Transunião e a SPTrans. Até a publicação desta reportagem, não houve manifestação. O espaço segue aberto.
