
Em um país conhecido por estar distante das bordas das placas tectônicas, a ocorrência de terremotos costuma surpreender muita gente. No entanto, existe uma cidade brasileira onde os tremores de terra fazem parte da rotina dos moradores há décadas: João Câmara, no interior do Rio Grande do Norte.
O município, localizado a cerca de 80 km de Natal, é conhecido como a “Terra dos Abalos” e se tornou referência nacional quando o assunto é atividade sísmica. A região registra tremores constantemente e já foi palco de um dos maiores eventos sísmicos da história recente do Brasil.
Uma cidade marcada pelos tremores
A relação entre João Câmara e os terremotos ganhou notoriedade em 1986, quando a cidade viveu uma intensa sequência de abalos sísmicos. Durante meses, milhares de tremores foram registrados, causando medo, danos estruturais e alterando a rotina da população.

O episódio mais marcante ocorreu em 30 de novembro daquele ano, quando um terremoto de magnitude 5,1 na escala Richter atingiu a região. O tremor provocou rachaduras em centenas de imóveis e levou muitos moradores a deixarem temporariamente suas casas. Até hoje, esse é considerado um dos maiores terremotos já registrados no território brasileiro.

Desde então, pequenos tremores continuam sendo registrados regularmente na cidade, monitorados por especialistas do Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e pelo Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB).
O que explica tantos terremotos?
Ao contrário do que ocorre em países como Chile e Japão, os terremotos brasileiros não estão ligados ao encontro entre placas tectônicas.
João Câmara está localizada sobre a chamada Falha de Samambaia, considerada uma das estruturas geológicas mais ativas do Brasil. A falha possui aproximadamente 38 quilômetros de extensão e apresenta movimentações internas capazes de liberar energia acumulada na crosta terrestre, gerando os tremores sentidos pela população.

Especialistas explicam que, embora o Brasil esteja situado no interior da Placa Sul-Americana, que é uma área considerada geologicamente estável, antigas fraturas existentes no subsolo podem ser reativadas naturalmente, provocando sismos de baixa ou moderada intensidade.
Tremores ainda fazem parte da rotina
Mesmo passados quase 40 anos do grande terremoto de 1986, João Câmara continua registrando eventos sísmicos. Em diversos anos recentes, moradores relataram novos tremores, alguns perceptíveis dentro das residências, especialmente durante a madrugada.

A maior parte desses abalos possui baixa magnitude e não causa danos significativos. Ainda assim, o histórico da cidade mantém a população atenta e faz com que a região seja constantemente monitorada por redes sismográficas instaladas por instituições científicas.
O Brasil pode ter grandes terremotos?
Embora o país registre centenas de tremores todos os anos, especialistas afirmam que a ocorrência de terremotos devastadores é extremamente rara.
Segundo o Observatório Nacional e o Observatório Sismológico da UnB, a maior parte dos sismos brasileiros apresenta baixa magnitude e muitas vezes sequer é percebida pela população. Os registros servem principalmente para ampliar o conhecimento científico sobre a dinâmica geológica do território nacional.
