
O principal alvo desta quinta-feira (25) da Polícia Federal (PF) é um suposto esquema de desvio de verbas públicas federais por deputado federal. Batizada de Operação Afluente, a PF cumpre nesta manhã mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Josimar Maranhãozinho (PL), inclusive na residência. O foco da operação são contratos de terceiros que teriam sido financiados com dinheiro de emendas parlamentares, boa parte sendo ligadas ao chamado “orçamento secreto”.

O pedido partiu do Supremo Tribunal Federal (STF), diretamente do ministro Flávio Dino, que relata em seu pedido sobre apurações feitas na Corte a respeito de possíveis irregularidades do uso desse dinheiro parlamentar e tendo mais uma vez o parlamentar figurando em esquema fraudulento do tipo. No total estão sendo cumpridos 18 mandados judiciais esparramados em três pontos geográficos: Distrito Federal, Maranhão e Goiás.

Sobre as investigações
Segundo a PF, as apurações feitas até o momento indicam uma estrutura fraudulenta composta tanto por agentes públicos quanto privados. O que se sabe é que a organização direcionava dinheiro do antigo “orçamento secreto” para a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).
Com esse dinheiro, a estatal fechava contratos de obras com construtoras ligadas diretamente ou indiretamente ao grupo integrado de agentes públicos e privados investigados. Por meio de dados cruzados, a corporação aponta que o parlamentar deputado federal Maranhãozinho compõem o esquema, mais especificamente na posição de sócio de uma das empreiteiras contratadas pela Codevasf que supostamente lavava os recursos.

Os envolvidos nesta etapa podem responder por crimes graves previstos na legislação penal brasileira:
Os investigadores ressaltam que as fraudes verificadas nesta quinta ocorreram em período anterior à sentença sofrida pelo o parlamentar do Partido Liberal no início deste ano.
Maranhãozinho: condenado pelo STF em março de 2026
O parlamentar Maranhãozinho foi condenado recentemente pelo STF por uso da posição pública para monitorar a liberação de recursos públicos. O colegiado da Suprema Corte juntamente a Procuradoria-Geral da República (PGR) chegaram ao entendimento de que o deputado federal cobrava propinas de prefeitos mediante destravamento de dinheiro que seriam destinadas a priori para o município de São José de Ribamar (MA).
Josimar Maranhãozinho recebeu a pena de 6 anos e 5 meses de prisão, em regime semiaberto. Ele está afastado das atividades legislativas, porém cumprindo ainda licença parlamentar na Câmara dos Deputados. A Casa ainda não se reuniu para julgar a perda de mandato do deputado, em Plenário. A data para essa definição da “casa do povo” também não está prevista no calendário ou agenda parlamentar.
“Orçamento secreto”
O STF proibiu o “orçamento secreto” no fim de 2022, o tornando inconstitucional. Porém, a verba de políticos que já tinham sido aprovadas antes da proibição da decisão do Supremo não deixou de existir automaticamente. Esse dinheiro carimbado continuou “guardado” no caixa do governo com intuito de ser liberado gradualmente. Esse recurso é chamado tecnicamente pela Administração Pública de “restos a pagar”.
É exatamente esse dinheiro carimbado que a Polícia Federal está rastreando e é centro das investigações: a verba pública que teve novo direcionamento e regra para ser usada e que está circulando e sendo usada indevidamente.
O iG procurou a defesa e a assessoria de imprensa do deputado Josimar Maranhãozinho nesta manhã, mas ainda não obteve resposta sobre a operação de hoje. O espaço segue aberto para manifestações.
