O som que ninguém ouve: diretores musicais comandam espetáculo nos bastidores do Bumbódromo


Diretores musicais comandam espetáculo nos bastidores do Bumbódromo de Parintins
Quem assiste ao Festival de Parintins vê a força da Batucada e da Marujada de Guerra, acompanha o canto dos levantadores de toadas e a evolução dos itens na arena. O que o público não percebe é que, por trás de cada apresentação, existe uma equipe responsável por coordenar toda a parte musical do espetáculo em tempo real.
Nos bastidores do Bumbódromo, os diretores musicais usam rádios e pontos eletrônicos para orientar músicos, cantores, maestros e integrantes dos bois durante as três noites de disputa.
Com apresentações cada vez mais complexas, esses profissionais deixaram de atuar apenas como músicos e passaram a exercer uma função estratégica para garantir que cada momento aconteça no tempo certo.
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Coordenação em tempo real
Itens do Boi Caprichoso durante ensaio aberto no Bumbódromo
Lucas Macedo/g1 AM
No Boi Caprichoso, o diretor musical Márcio do Boi explica que a função é coordenar a comunicação entre banda, itens e Marujada de Guerra.
“Para um grande espetáculo, sempre tem que existir direção. A gente faz essa comunicação tanto com a banda como com os itens e com a Marujada. Vamos determinando as passagens de música e o ritmo, se está mais acelerado ou mais lento”, afirmou.
Integrante do bumbá desde 1998 e diretor musical da arena desde 2010, Márcio conta que parte da equipe recebe as orientações por um canal de rádio exclusivo para evitar interferências durante a apresentação.
A trilha sonora do espetáculo
David Assayag durante esaio aberto do Boi Bumbá Garantido
Patrick Marques/g1 AM
No Garantido, o desafio é manter a sequência das toadas sem interrupções. Segundo o diretor musical Enéas Dias, o boi passou a apostar em apresentações com músicas emendadas e trilhas sonoras que acompanham toda a evolução do espetáculo.
Para isso, ele utiliza ponto eletrônico para se comunicar simultaneamente com músicos, batuqueiros, maestros e cantores.
“É um trabalho que vai direcionando os batuqueiros, a banda, os maestros e também os nossos cantores. Todos que estão com fone me ouvem pelos microfones internos. Assim, a gente consegue dirigir o espetáculo para que ele tenha dinâmica e pare o mínimo possível”, explicou.
Embora quase nunca apareçam para o público, os diretores musicais são responsáveis por coordenar uma das engrenagens mais importantes do Festival de Parintins: fazer com que milhares de sons diferentes funcionem como uma única apresentação dentro da arena.
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Diretores musicais do Caprichoso e Garantido, Márcio do Boi e Enéas Dias Fotos
Lucas Macedo/g1 AM – Reprodução/Redes Sociais
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