PF apreende mais de R$ 2,1 milhões em operação que investiga deputada por esquema de lavagem de dinheiro


PF apreende milhares em espécie em endereços ligados à deputada Tayla Peres em Roraima
A Polícia Federal (PF) apreendeu mais de R$ 2,1 milhões, além de US$ 37.480, durante a Operação Testa de Ferro, deflagrada nesta sexta-feira (26) em Boa Vista. Um dos alvos da ação foi a deputada estadual Tayla Peres (Republicanos), investigada por suspeita de integrar um esquema de lavagem de dinheiro com compra e venda de veículos e uso de “laranjas”.
De acordo com o balanço da PF, também foram apreendidos 53 veículos, dos quais 45 permaneceram com os proprietários na condição de fiéis depositários, além de celulares, computadores e outros materiais de interesse da investigação.
Durante a operação, a PF lavrou três autos de prisão em flagrante. Dois foram por posse ilegal de arma de fogo e um por corrupção eleitoral. Os três autuados pagaram fiança e responderão aos processos em liberdade.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp
A operação
A operação investiga um grupo suspeito de lavar dinheiro com a compra e venda de veículos em Boa Vista. O g1 apurou que os investigadores estiveram na casa de Tayla Peres, no gabinete da parlamentar e em outros endereços ligados a ela e à família dela.
Na residência, as equipes encontraram 50 envelopes com dinheiro vivo. A contagem exata dos valores nos pacotes não foi divulgada, mas a investigação aponta que diversos envelopes continham R$ 1 mil cada.
Além das apreensões, um irmão da deputada foi levado para prestar esclarecimentos na sede da PF em Boa Vista.
Tayla Peres concorreu a vice na chapa de Soldado Sampaio (Republicanos), na eleição suplementar para governo do estado.
Em nota, o advogado Diego Rodrigues, que defende a parlamentar, disse que a deputada e os envolvidos não cometeram nenhum crime, que essa é uma ação policial e ainda terão a oportunidade de provar completamente a inocência de todos os investigados.
Operação Teste de Ferro teve como alvo a deputada estadual Tayla Peres
Arquivo pessoal
Esquema de ‘laranjas’ e venda de carros
Segundo a PF, os suspeitos usavam “laranjas” para esconder bens e a origem do dinheiro. A investigação identificou movimentações financeiras suspeitas e negócios com carros sem aparente justificativa econômica para maquiar bens de origem ilegal.
Batizada de “Operação Testa de Ferro”, a ação cumpre 16 mandados de busca e apreensão em 11 endereços, expedidos pela Justiça Federal. O material apreendido será analisado para ajudar no avanço da investigação.
Buscas na Ale-RR
A Assembleia Legislativa de Roraima (Ale-RR) foi um dos locais onde os policiais estiveram. A reportagem flagrou uma viatura da PF na entrada lateral do prédio, na avenida Ville Roy, por volta das 8h20 (veja no vídeo acima). Também tentou entrar no prédio, mas foi impedida por uma equipe da Casa.
Em nota, a Ale-RR informou que as buscas da PF ocorreram em um único gabinete e que a investigação foca em um caso particular, sem ligação com a Casa. Também destacou que não é alvo da operação e que prestou apoio aos agentes. Sobre a restrição temporária na entrada do prédio, a Assembleia alegou que foi uma medida de segurança, sem a intenção de barrar o trabalho de jornalistas. Leia a nota na íntegra no fim da reportagem.
Valores em dólar apreendidos durante a Operação Testa de Ferro, da Polícia Federal, em Boa Vista (RR).
Divulgação/PF-RR
Quem é Tayla Peres
Natural de Boa Vista, Tayla Ribeiro Peres da Silva tem 35 anos, é casada e mãe de dois filhos. É formada em Direito e já foi vereadora em Boa Vista. Ela cumpre o segundo mandato como deputada estadual de Roraima, após ser reeleita em 2022 com 7.292 votos.
No primeiro mandato como deputada, de 2019 a 2022, foi eleita com 2.608 votos pelo partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB). Ela já presidiu o Procon Assembleia e a Comissão de Defesa do Consumidor.
Suspeitos de usar ‘laranjas’ na venda de veículos são alvo da Polícia Federal em Roraima.
Divulgação/PF-RR
Nota da Ale-RR
A Assembleia Legislativa do Estado de Roraima esclarece que a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão em um único gabinete parlamentar, no âmbito de investigação de caráter estritamente particular e não institucional.
A Assembleia Legislativa do Estado de Roraima não é alvo de nenhuma investigação ou operação policial e prestou todo o apoio institucional necessário à atuação da Polícia Federal.
O acesso às dependências da Casa foi temporariamente restrito durante a execução da ação policial, com o objetivo de preservar a integridade da operação e garantir a segurança de todos. Trata-se de procedimento padrão adotado em situações dessa natureza, sem qualquer caráter discriminatório ou violação à liberdade de imprensa.
A ação policial foi encerrada por volta das 8h20, momento a partir do qual o acesso a todas as dependências da Assembleia Legislativa foi integralmente liberado ao público e à imprensa.
A Casa reafirma seu compromisso com a transparência, o Estado Democrático de Direito e o pleno exercício da atividade jornalística.
Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.
Adicionar aos favoritos o Link permanente.