Irmão de Eloá Pimentel é baleado na cabeça no ABC paulista

Tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos foi baleado na cabeça na Avenida Goiás, em São Caetano do Sul, na Grande São PauloFoto: Reprodução Instagram

O tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos, irmão mais velho de Eloá Cristina Pimentel, jovem assassinada em um dos casos criminais mais marcantes da história do país, foi baleado na cabeça na manhã deste sábado (27), em São Caetano do Sul, no ABC Paulista. O policial militar foi atingido por disparos efetuados por dois homens que estavam em outra motocicleta enquanto trafegava pela Avenida Goiás.

Imagens de câmeras de segurança registraram o momento do ataque. Nas gravações, Ronickson aparece parado no semáforo, à paisana e pilotando uma motocicleta, quando a dupla se aproxima e efetua os disparos. Logo após os tiros, os suspeitos fogem do local.

Câmera de segurança mostra momento em que policial foi baleado na Grande SPReprodução/Circuito de Segurança

O oficial foi socorrido pelo helicóptero Águia, da Polícia Militar, e levado inconsciente para um hospital da região. Até a publicação desta reportagem, não haviam sido divulgadas informações atualizadas sobre o estado de saúde dele.

Polícia apura se houve tentativa de assalto

As circunstâncias do crime ainda são investigadas pela Polícia Civil. Inicialmente, os investigadores trabalham para esclarecer se o caso foi uma tentativa de assalto ou se Ronickson foi alvo de uma ação premeditada. Até o momento, nenhum suspeito havia sido preso.

Também não há confirmação oficial sobre eventual depoimento do tenente. Como ele foi socorrido inconsciente após ser atingido, ainda não havia condições clínicas para que prestasse esclarecimentos aos investigadores até as informações divulgadas neste sábado.

O caso mobilizou diversas equipes policiais e provocou intensa movimentação na Avenida Goiás, uma das principais vias de São Caetano do Sul, com o pouso do helicóptero Águia no meio da avenida para agilizar o resgate.

Quem é Ronickson Pimentel

Ronickson Pimentel ingressou na Polícia Militar de São Paulo em 2009, como soldado, após ter servido à Marinha do Brasil como fuzileiro naval entre 2006 e 2009. Em 2015, passou a integrar o quadro de oficiais da corporação ao ingressar na Academia de Polícia Militar do Barro Branco.

Ao longo da carreira, acumulou sete anos de experiência no patrulhamento de Força Tática. Em 2019, passou a atuar no 1º Batalhão de Polícia de Choque “Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar” (Rota), uma das unidades de elite da Polícia Militar paulista.

A tragédia que parou o Brasil

O sobrenome Pimentel ficou conhecido nacionalmente em outubro de 2008, quando Eloá Cristina Pimentel, então com 15 anos, foi mantida em cárcere privado pelo ex-namorado, Lindemberg Alves Fernandes, no apartamento onde morava com a família, em Santo André. O criminoso não aceitava o fim do relacionamento.

Lindemberg Alves Fernandes foi condenado pela morte de Eloá Cristina Pimentel, em 2008Reprodução/redes sociais

O sequestro começou em 13 de outubro daquele ano, quando Lindemberg invadiu o imóvel armado enquanto Eloá fazia um trabalho escolar com amigos. Dois colegas foram liberados ainda no primeiro dia, mas Eloá e a amiga Nayara Rodrigues permaneceram reféns. O episódio durou cerca de 100 horas, sendo o mais longo cárcere privado já registrado no estado de São Paulo.

Durante quase cinco dias, milhões de brasileiros acompanharam, ao vivo, as negociações conduzidas pela polícia. O caso gerou forte repercussão nacional e internacional, além de críticas à condução da operação policial e à cobertura da imprensa. Especialistas apontaram falhas graves na negociação, entre elas o retorno de Nayara ao apartamento após ter sido libertada pelo sequestrador.

No dia 17 de outubro de 2008, equipes do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) invadiram o apartamento após ouvirem disparos. Antes da entrada dos policiais, Lindemberg atirou contra as duas adolescentes. Eloá foi atingida na cabeça e na virilha, chegou a ser socorrida, mas morreu no dia seguinte. Nayara sobreviveu após ser baleada no rosto.

Anos após a morte da irmã, Ronickson Pimentel prestou depoimento no Tribunal do Júri do Fórum de Santo André, responsável por julgar Lindemberg Alves Fernandes. Durante cerca de uma hora de testemunho, o policial classificou o assassino de Eloá como “um monstro”.

Lindemberg Alves condenado pela morte de EloáReprodução

Ao longo do depoimento, Ronickson encarou diversas vezes o réu, que permaneceu de cabeça baixa e sem demonstrar reação. Na ocasião, ele também revelou que Eloá havia comentado, ao menos uma vez, que havia sido agredida pelo então namorado.

“Ele era agressivo, sempre arrumava brigas por futebol”, afirmou Ronickson durante o julgamento.

Condenação de Lindemberg

Em 2012, Lindemberg Alves Fernandes foi condenado por homicídio duplamente qualificado, tentativas de homicídio e outros crimes relacionados ao cárcere privado. A pena inicialmente ultrapassou 98 anos de prisão, mas posteriormente foi reduzida para 39 anos e três meses. O caso continua sendo lembrado como um marco no debate sobre violência contra a mulher e feminicídio no Brasil.

O que diz a Secretaria da Segurança Pública

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que equipes da Polícia Militar foram acionadas na manhã deste sábado (27) para atender uma ocorrência de disparos de arma de fogo na Avenida Goiás, em São Caetano do Sul.

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