
Presidente dos EUA, Donald Trump, e presidente do Irã, Masoud Pezeshkian
Evelyn Hockstein/Reuters e Angelina Katsanis/AP Photo
O memorando de entendimento firmado entre Estados Unidos e Irã, em 17 de junho, para encerrar as hostilidades na região durou pouco como indicativo de uma possível trégua. Em menos de duas semanas, o acordo passou a ser colocado em xeque diante de novos impasses entre os dois países.
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp
As divergências sobre a circulação de navios no Estreito de Ormuz e a continuidade dos confrontos entre Israel e o Hezbollah deram origem a uma série de ameaças, ataques e acusações de descumprimento do acordo.
Neste sábado (27), a crise ganhou um novo capítulo. Washington atacou alvos no território iraniano, Teerã lançou mísseis e drones contra bases militares dos EUA no Golfo, e Donald Trump voltou a ameaçar eliminar a liderança iraniana.
A seguir, o g1 mostra como um entendimento que nasceu com a promessa de reduzir as tensões na região chegou, em poucos dias, a um cenário de risco de confronto direto.
Agora no g1
Assinatura do acordo
A assinatura do memorando ocorreu em etapas. As primeiras adesões foram feitas de forma eletrônica, e a formalização oficial do acordo aconteceu em 17 de junho.
O objetivo era interromper imediatamente as hostilidades e criar mecanismos para reduzir as tensões na região.
14 de junho
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, e o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, autorizado pelo líder supremo Mojtaba Khamenei, assinaram eletronicamente o documento.
No dia seguinte, Trump confirmou o acordo durante a cúpula do G7, enquanto o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, classificou o memorando como um passo importante, mas afirmou que uma paz duradoura ainda dependeria de novos avanços.
17 de junho
O acordo foi formalizado oficialmente, com assinaturas presenciais de Trump, durante jantar com Emmanuel Macron em Versalhes, e de Pezeshkian, em Teerã.
O memorando previa o fim imediato das hostilidades em todas as frentes — incluindo o Líbano —, a reabertura do Estreito de Ormuz, a suspensão do bloqueio naval americano, a liberação de ativos iranianos congelados e a criação de um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões financiado por países do Golfo.
20 e 21 de junho
Teerã anunciou que poderia voltar a fechar o estreito, alegando que os EUA não haviam garantido o cessar-fogo no Líbano, onde Israel seguia realizando ataques contra o Hezbollah.
Trump respondeu afirmando que, caso o estreito fosse fechado, o Irã “não teria mais um país”.
Ao mesmo tempo, JD Vance iniciou negociações técnicas com representantes iranianos, sob mediação do Catar e do Paquistão, na tentativa de preservar o acordo.
Uma imagem feita por drone mostra embarcações no Estreito de Ormuz, a partir de Musandam, Omã, em 15 de junho de 2026
Stringer/Reuters
Crise marítima
A escalada das tensões entre EUA e Irã começou a afetar novamente a navegação no Estreito de Ormuz, elevando os riscos para embarcações que cruzavam a rota.
24 de junho
Diante disso, a Agência Marítima da ONU lançou um esquema de evacuação para retirar centenas de embarcações e cerca de 11 mil marinheiros retidos na região.
25 de junho
O Escritório de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) informou que uma embarcação da empresa taiwanesa Evergreen Marine foi atingida por um projétil de origem desconhecida no Estreito de Ormuz.
Em visita ao Golfo, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que a cobrança de taxas pelo Irã em águas internacionais poderia provocar “caos total”.
No mesmo dia, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã declarou que a passagem segura de embarcações dependeria de coordenação direta e autorização de Teerã.
Diante do aumento dos riscos, a ONU suspendeu o plano de evacuação.
Confronto militar volta
27 de junho
A crise deixou de se restringir ao campo diplomático neste sábado (27), quando um petroleiro de bandeira panamenha foi atingido por um drone iraniano.
Em resposta, os EUA realizaram ataques aéreos contra alvos militares iranianos, incluindo instalações ligadas a drones e operações de minagem na cidade portuária de Sirik.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou ter realizado ataques “defensivos” contra alvos militares ligados aos Estados Unidos. A mídia estatal iraniana classificou a ação como uma “resposta decisiva” aos bombardeios americanos que atingiram uma torre de comunicações em Sirik.
28 de junho
Na madrugada de sábado para domingo (28), o Irã lançou mísseis e drones contra bases militares americanas no Kuwait e no Bahrein. No Bahrein, um prédio residencial na cidade de Muharraq foi danificado.
Nas redes sociais, Donald Trump afirmou que poderá chegar o momento de “concluir militarmente o trabalho” e declarou que, se isso ocorrer, a República Islâmica do Irã “deixará de existir”.
Apesar do acordo de desescalada firmado entre Israel e o governo libanês no dia anterior, Israel voltou a atacar militantes do Hezbollah, alegando que eles portavam lançadores de foguetes.
