
A dor da perda de um animal de estimação levou a psicóloga Raíssa Ximenes, moradora da cidade de Itu, no interior de São Paulo, a buscar uma forma especial de manter viva a lembrança do gato Bowie. Um mês após a morte do felino, ela decidiu misturar as cinzas do animal à tinta utilizada em uma tatuagem feita em Campinas (SP).
A homenagem foi realizada na última terça-feira (23) pelo tatuador campineiro Donnie Garcia, amigo de Raíssa. Segundo ele, a ideia surgiu assim que soube da morte de Bowie, que enfrentava complicações renais.
Uma despedida transformada em homenagem
Raíssa conta que desconhecia a possibilidade de utilizar cinzas em tatuagens, mas aceitou a sugestão imediatamente.
Para ela, a tatuagem representa mais do que uma lembrança física: é uma maneira de manter a conexão afetiva construída ao longo dos anos com o animal de estimação.
Como a técnica é realizada
Embora ainda seja pouco conhecida, a prática de utilizar cinzas na produção de pigmentos não é nova, explica Donnie Garcia. Segundo o profissional, o principal cuidado está na garantia de que o material seja estéril.
Outra recomendação importante é que a cremação seja exclusiva, evitando a mistura com restos mortais de outros animais. Alguns crematórios, inclusive, oferecem a opção de entregar as cinzas já esterilizadas.
Durante a sessão, uma pequena quantidade do pó foi colocada diretamente no batoque, recipiente onde a tinta fica armazenada.
Segurança exige cuidados específicos
De acordo com Garcia, não há risco de contaminação quando todas as etapas de cremação, transporte e armazenamento seguem padrões rigorosos de higiene.
Os cuidados durante e após a sessão também são os mesmos recomendados para qualquer tatuagem convencional.

O profissional ressalta, no entanto, que não há garantia de que as partículas das cinzas permaneçam para sempre na pele, já que células do sistema imunológico podem absorver parte do material ao longo do tempo.
Bowie, o gatinho rockstar
Bowie era um dos cinco gatos de Raíssa e foi o primeiro animal da família a morrer. O felino foi adotado ainda filhote, após ser encontrado na portaria do condomínio onde a psicóloga mora.

O nome escolhido foi uma homenagem ao cantor britânico David Bowie, artista admirado por Raíssa.
“Coincidentemente, alguns dias depois da adoção, David Bowie faleceu”, relembrou.
Agora, além das memórias, Bowie seguirá presente de uma forma permanente: eternizado na pele da tutora.
