Primeiro fóssil de dinossauro da Antártida é identificado

O fóssil foi originalmente encontrado em 1985 na Ilha James Ross, na AntártidaTony Jolliffe/BBC News

Um pequeno fragmento de osso que passou décadas esquecido em uma gaveta de museu revelou uma descoberta histórica: trata-se do primeiro fóssil de dinossauro já identificado na Antártida. O material, coletado durante uma expedição científica no continente gelado, foi reanalisado por pesquisadores, que concluíram que ele pertenceu a um dinossauro semelhante aos grandes herbívoros de pescoço longo que viveram no fim da Era dos Dinossauros.

O fóssil foi encontrado originalmente na década de 1990, na Ilha James Ross, próxima à Península Antártica. Na época, o fragmento era pequeno demais para despertar atenção e acabou armazenado na coleção do Museu de História Natural de Londres. Somente anos depois, durante a revisão de materiais antigos, cientistas decidiram examiná-lo novamente utilizando técnicas modernas de análise.

A investigação revelou que o osso pertence a um elasmariano, um grupo de dinossauros herbívoros que caminhavam sobre duas patas e habitavam o antigo supercontinente Gondwana. Os pesquisadores estimam que o animal viveu há cerca de 69 milhões de anos, no período Cretáceo, pouco antes da extinção em massa que eliminou os dinossauros não aviários.

Embora o fragmento tenha apenas alguns centímetros, os especialistas afirmam que ele representa uma peça importante para compreender a fauna que ocupava a Antártida quando o continente possuía clima muito mais ameno do que o atual. Naquela época, a região era coberta por florestas e abrigava uma grande diversidade de animais e plantas.

Segundo os pesquisadores, a descoberta também demonstra o valor das coleções de museus. Materiais considerados pouco relevantes no passado podem ganhar novo significado com o avanço das técnicas científicas e responder a perguntas que antes pareciam impossíveis. Não é a primeira vez que um achado importante surge a partir da reanálise de fósseis armazenados por décadas.

Agora, a equipe espera que novas escavações e revisões de coleções revelem outros fósseis capazes de ampliar o conhecimento sobre os dinossauros que viveram na Antártida. Os cientistas acreditam que o continente ainda guarda importantes registros de um passado muito diferente daquele marcado hoje por gelo e temperaturas extremas.

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