
A greve dos motoristas de ônibus do Rio de Janeiro entrou no segundo dia nesta terça-feira (30). A cidade ainda sente os reflexos da paralisação, que começou à 0h de segunda-feira (29) e deixou passageiros por mais tempo nos pontos e terminais. O Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) marcou para esta manhã uma audiência de conciliação sobre o dissídio coletivo.
Depois da reunião, o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, vai comandar uma assembleia da categoria na porta do tribunal. Segundo ele, a expectativa é que os trabalhadores saiam de lá com uma proposta capaz de encerrar a greve. Na segunda-feira, garagens ficaram cheias de ônibus parados, enquanto pontos e terminais concentraram filas em diferentes regiões da cidade. Passageiros relataram espera de até duas horas para embarcar, e muitos desistiram no caminho.

O Rio Ônibus, que representa as viações, afirmou que 900 coletivos circularam ao longo do dia. O número ficou abaixo dos 1.800 ônibus que deveriam rodar, o equivalente a 50% da frota, conforme determinação da Justiça do Trabalho. A entidade também disse que 50 veículos foram vandalizados em piquetes.
Primeiro dia teve fila, confusão e ônibus a menos
O impacto apareceu logo pela manhã. Em pontos e terminais, passageiros encontraram menos ônibus, viagens mais demoradas e veículos cheios.
No Terminal Alvorada, na Barra da Tijuca, houve confusão. Grades foram depredadas, e passageiros revoltados invadiram a calha dos BRTs.
Alvorada #CidadeAlertaRj pic.twitter.com/WOuhY94K8N
— Carlos Alberto (@carlosdinho1994) June 29, 2026
Trens, barcas e metrô operaram normalmente. Mesmo assim, parte dos passageiros que não conseguiu embarcar nos ônibus buscou outros meios de transporte para chegar ao trabalho ou voltar para casa.
A Prefeitura informou que acompanha a greve e pediu à Justiça aumento da frota mínima para reduzir os transtornos.
O que a Justiça determinou
O TRT-1 determinou que pelo menos 50% da frota circule por linha e itinerário durante a greve. A multa por descumprimento é de R$ 50 mil por dia para o Sindicato dos Rodoviários e para o Rio Ônibus.

A Justiça considerou a greve legal, mas impôs a manutenção de parte da operação por se tratar de serviço essencial. A desembargadora Maria Helena Motta também proibiu contratações temporárias para substituir grevistas e barrou demissões sem justa causa motivadas pela participação na paralisação.
No BRT, Prefeitura e sindicato deram versões diferentes. A Mobi-Rio informou que o sistema seguiria com plano regular de dias úteis. O sindicato afirma que condutores do BRT também aderiram à greve e que seria mantida a frota mínima nos horários de maior demanda.
A categoria rejeitou a proposta apresentada pelas empresas. Os rodoviários cobram:
- piso de R$ 4 mil para motoristas de ônibus convencionais;
- piso de R$ 5 mil para condutores de articulados;
- tíquete-alimentação de R$ 1 mil;
- plano de saúde;
- plano odontológico;
- escala 5×2;
- fim dos contratos temporários na Mobi-Rio;
- contratação pelo regime da CLT.
A audiência no TRT-1 é o principal ponto do dia. Se houver proposta, ela será levada aos trabalhadores em assembleia na porta do tribunal.
Até lá, a greve continua. Para o passageiro, o risco é de mais espera, ônibus cheios e dificuldade para completar o trajeto.
O iG entrou em contato com o Rio Ônibus, o Sindicato dos Rodoviários e a Prefeitura do Rio para saber se as entidades vão se posicionar sobre o segundo dia de greve. O espaço segue aberto.
