O mercado de trabalho dos Estados Unidos criou 57 mil vagas de emprego em junho, segundo o relatório de payroll divulgado nesta quinta-feira (2). O resultado veio abaixo da projeção do consenso, que apontava para 115 mil novos postos no período.
Apesar da desaceleração na criação de vagas, a taxa de desemprego surpreendeu na direção contrária e caiu para 4,2%.
A expectativa dos analistas era de estabilidade em 4,3%.
Payroll fica abaixo do consenso
O resultado de junho reforça sinais de moderação no mercado de trabalho americano. Segundo o relatório, o número de vagas criadas ficou distante da média mensal dos últimos 12 meses, de 36 mil novos postos.
O total de pessoas desempregadas somou 7,1 milhões em junho, com pouca variação tanto no mês quanto na comparação anual.
Entre os principais grupos, a taxa de desemprego ficou em 3,9% para homens adultos e em 3,7% para mulheres adultas. Entre adolescentes, o índice foi de 14,6%.
Por raça e etnia, a taxa de desemprego foi de 3,6% para brancos, 6,6% para negros, 3,9% para asiáticos e 5,2% para hispânicos.
Desemprego de longo prazo avança
O número de desempregados de longo prazo, grupo formado por pessoas sem trabalho há 27 semanas ou mais, chegou a 1,9 milhão em junho. O total representa alta de 286 mil pessoas na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Esse grupo respondeu por 27,3% do total de desempregados no mês, segundo o BLS.
A taxa de participação da força de trabalho caiu 0,3 ponto percentual, para 61,5%. Já a relação entre emprego e população total recuou 0,2 ponto percentual, para 59,0%.
Pessoas fora da força de trabalho
O relatório mostrou ainda que 4,7 milhões de pessoas trabalhavam em regime parcial por razões econômicas em junho. O número ficou estável no mês.
Esse grupo inclui trabalhadores que preferiam empregos em tempo integral, mas tiveram a carga horária reduzida ou não encontraram vagas de tempo integral.
Além disso, 6 milhões de pessoas fora da força de trabalho declararam querer um emprego. Essas pessoas não são contabilizadas como desempregadas porque não buscaram trabalho ativamente nas quatro semanas anteriores à pesquisa ou não estavam disponíveis para assumir uma vaga.
Dentro desse grupo, 1,8 milhão de pessoas eram consideradas marginalmente vinculadas à força de trabalho. Elas queriam e estavam disponíveis para trabalhar, além de terem procurado emprego nos 12 meses anteriores, mas não nas quatro semanas que antecederam o levantamento.
O número de trabalhadores desalentados, que acreditavam não haver vagas disponíveis para eles, ficou em 477 mil.
Serviços puxam criação de vagas
Entre os setores, serviços profissionais e empresariais criaram 36 mil vagas em junho. Desde outubro de 2025, quando o setor registrou o ponto mais baixo recente, foram criados 172 mil postos.
Na direção oposta, o setor de lazer e hotelaria perdeu 61 mil vagas em junho. Segundo o relatório, o resultado refletiu uma contratação sazonal mais fraca que o normal.
No acumulado de 2026, o setor mostra pouca variação líquida no emprego.
Os demais setores, como mineração e extração de petróleo e gás, construção, indústria, comércio atacadista, comércio varejista, transporte e armazenagem, informação, atividades financeiras, outros serviços e governo, mostraram pouca ou nenhuma variação no mês.
Salários sobem em junho
O salário médio por hora dos trabalhadores do setor privado não agrícola subiu 13 centavos, ou 0,3%, para US$ 37,64 em junho.
No acumulado de 12 meses, o ganho médio por hora avançou 3,5%.
Entre trabalhadores de produção e não supervisão do setor privado, o salário médio por hora subiu 7 centavos, ou 0,2%, para US$ 32,38. A jornada média semanal de todos os trabalhadores do setor privado não agrícola ficou estável em 34,3 horas em junho. Na indústria, a jornada média recuou para 40,3 horas, enquanto as horas extras subiram para 3,2 horas.
Revisões indicam menos vagas em abril e maio
O relatório também trouxe revisões para baixo nos dados dos dois meses anteriores. A criação de vagas em abril foi revisada de 179 mil para 148 mil, uma redução de 31 mil postos.
Em maio, o número passou de 172 mil para 129 mil vagas, queda de 43 mil postos. Com as revisões, o total de vagas criadas em abril e maio ficou 74 mil abaixo do informado anteriormente pelo BLS.
O próximo relatório de payroll, referente a julho de 2026, será divulgado em 7 de agosto. A revisão preliminar do benchmark anual da pesquisa estabelecimento está prevista para 28 de agosto de 2026.
O que diz o especialista sobre o Payroll
Para Gustavo Cruz, estrategista, o relatório de payroll veio mais fraco do que o mercado esperava, não apenas pela criação de 57 mil vagas em junho, mas também pelas revisões negativas dos meses anteriores. Segundo ele, os cortes de 31 mil vagas em abril e 43 mil em maio reforçam a leitura de desaceleração do mercado de trabalho americano.
Cruz destacou ainda que a principal surpresa negativa veio do setor de lazer e hospitalidade, que perdeu 61 mil postos no mês, em um período em que normalmente há maior contratação sazonal. Na avaliação do estrategista, os salários seguem controlados, com alta de 0,3% no mês e 3,5% em 12 meses, sem indicar pressão relevante sobre a inflação.
Com isso, ele avalia que o relatório pode influenciar as apostas do mercado para as próximas decisões do Federal Reserve, especialmente diante de um cenário de mercado de trabalho mais fraco e menor pressão inflacionária.
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