
Um homem investigado por possível participação indireta na tentativa de homicídio contra o primeiro-tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos morreu após um confronto com policiais militares na manhã desta quinta-feira (02), na região de Guaianases, na Zona Leste de São Paulo.

Segundo a Polícia Militar, equipes da Rota foram até o local para verificar uma denúncia de que o suspeito teria colaborado com o atentado ocorrido no último sábado (27), em São Caetano do Sul. Durante a abordagem, de acordo com a corporação, o homem reagiu armado e foi baleado.
Ele chegou a ser socorrido e levado a uma unidade de saúde da região, mas não resistiu aos ferimentos. A ocorrência foi registrada no 68º Distrito Policial como morte decorrente de intervenção policial e será investigada pela Polícia Civil.
SSP diz que homem não é apontado como autor dos disparos
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) esclareceu que o homem morto não é tratado como autor da tentativa de homicídio contra o tenente Ronickson Pimentel.
Segundo a pasta, a ação policial tinha como objetivo apurar uma denúncia sobre uma possível participação indireta no crime.
Agora, caberá à Polícia Civil investigar tanto as circunstâncias da morte durante a operação quanto a eventual ligação do homem com o atentado.
Ataque teria sido planejado durante quatro meses
As investigações conduzidas pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) apontam que o atentado contra o oficial foi cuidadosamente planejado durante cerca de quatro meses.

De acordo com a Polícia Civil, os criminosos monitoraram a rotina de Ronickson desde fevereiro. Imagens de câmeras de segurança mostram um Renault Logan branco circulando repetidamente por locais frequentados pelo policial antes do ataque.
O veículo foi localizado nesta semana em um estacionamento de Guaianases, escondido sob uma capa. O carro foi apreendido e encaminhado para perícia.
A motocicleta utilizada pelos atiradores também já foi identificada. Segundo a investigação, ela havia sido roubada em março, na Cidade Dutra, e recebeu uma placa clonada de um veículo registrado em São João de Meriti (RJ) antes da execução do crime.
Dois suspeitos já estão presos
No domingo (28), a Justiça decretou a prisão temporária de dois homens, de 40 e 52 anos, suspeitos de oferecer apoio logístico aos executores do atentado.
Segundo a investigação, eles deram suporte à ação criminosa e ajudaram na fuga dos autores dos disparos. Um dos presos confessou participação no crime.
A Polícia Civil afirma que já identificou um dos homens apontados como responsável pelos tiros e segue trabalhando para localizar os demais envolvidos.
Estado de saúde do tenente apresenta evolução
Ronickson Pimentel, de 39 anos, permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, após ser baleado na cabeça.

De acordo com o boletim médico mais recente divulgado pela Rota, o policial apresentou evolução clínica considerada positiva nos últimos dias. Os médicos reduziram parte da medicação utilizada para manter a pressão arterial e também iniciaram a diminuição gradual da sedação.
O oficial segue sem febre, apresenta boa resposta ao tratamento neurológico e os demais órgãos continuam funcionando adequadamente. Uma nova tomografia deve auxiliar a equipe médica na avaliação da evolução do quadro.
Apesar dos sinais de melhora, o estado de saúde ainda inspira cuidados e o acompanhamento permanece intensivo.
Irmão de Eloá

Ronickson Pimentel ganhou projeção nacional por ser irmão de Eloá Cristina Pimentel, jovem de 15 anos assassinada em outubro de 2008 pelo ex-namorado, Lindemberg Fernandes Alves, após mais de 100 horas de cárcere privado em Santo André.
O caso se tornou um dos episódios criminais de maior repercussão da história recente do país. Quase duas décadas depois, o nome da família voltou ao noticiário após o atentado que deixou o policial militar gravemente ferido.
