
O aparecimento de uma foca-elefante com o corpo tingido de roxo chamou a atenção de visitantes e pesquisadores no Parque Estadual Año Nuevo, na Califórnia, Estados Unidos. O registro foi feito no fim de junho, durante o período de muda de pele da espécie, e inicialmente levantou dúvidas sobre uma possível doença ou ferimento. No entanto, especialistas identificaram que a coloração incomum tinha uma explicação totalmente natural.
O animal foi encontrado descansando sobre um banco de algas vermelhas na praia de Bight Beach. Os pigmentos presentes nessas algas aderiram ao pelo da foca, criando um tom arroxeado que contrastava com a coloração cinza característica da espécie. Segundo os responsáveis pelo parque, a tinta natural desaparece gradualmente quando o animal retorna ao mar e o pelo entra em contato com a água.
A descoberta gerou curiosidade nas redes sociais, onde muitos usuários levantaram hipóteses inusitadas para explicar o fenômeno. Entre elas estavam uma alimentação baseada em ouriços-do-mar, algum tipo de contaminação ambiental e até problemas de saúde. A equipe do parque descartou essas possibilidades após analisar o local onde a foca estava repousando.
Embora rara, a pigmentação provocada pelas algas já foi observada em outros mamíferos marinhos da costa da Califórnia, como lontras. As algas vermelhas possuem pigmentos naturais responsáveis pela absorção da luz durante a fotossíntese e, quando acumuladas na areia ou nas pedras, podem funcionar como um corante temporário para animais que permanecem sobre elas por longos períodos.
O episódio ocorreu durante a temporada de muda das focas-elefantes-do-norte, fase em que os animais passam várias semanas em terra firme trocando a pele e os pelos. Esse processo acontece entre abril e agosto e faz parte do ciclo biológico da espécie, que depende desse período de repouso antes de retornar ao oceano.
Año Nuevo é uma das principais colônias de reprodução e descanso das focas-elefantes na costa oeste dos Estados Unidos, recebendo milhares de animais todos os anos. Durante a temporada, visitantes podem observar os mamíferos a partir de áreas autorizadas, sempre mantendo distância para evitar estresse e riscos tanto para os animais quanto para as pessoas.
O registro da “foca roxa” também ganhou destaque por acontecer poucos meses após um surto de gripe aviária que atingiu mamíferos marinhos na região. Apesar do contexto, autoridades ambientais reforçaram que a coloração do animal não tinha qualquer relação com doenças, servindo apenas como um exemplo curioso de como elementos naturais podem produzir fenômenos visuais surpreendentes na vida selvagem.
