Pacientes e gestores de saúde do Sul de MG relatam demora para internação após estado mudar sistema de regulação de vagas


Pacientes e gestores de saúde relatam demora para internação após mudança de sistema
Pacientes e gestores de saúde relatam dificuldades para conseguir vagas de internação após a mudança do sistema e a implantação da nova Central de Operações para Regulação Estadual (Core/MG), que substituiu o SUS Fácil.
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Na quarta-feira (1º) prefeitos de municípios que integram a Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Rio Grande (AMEG) se reuniram com o subsecretário de acesso a serviços de saúde de Minas Gerais, Renan Guimarães Rosa de Oliveira, e apresentaram críticas ao programa.
Desespero da espera e superlotação das UPAs
Pacientes e profissionais de saúde reclamam de novo sistema de regulação de vagas de internação de Minas Gerais
Reprodução EPTV
Após esperar horas pela internação da mãe, que estava com suspeita de AVC, o comerciante Evandro Ricardo da Silva chegou a pensar em retirar a mãe da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de São Sebastião do Paraíso e procurar atendimento particular, mas foi orientado a aguardar. Por fim, ela foi internada na Santa Casa da própria cidade.
É desespero, é minha mãe, é um amor que a gente tem pela pessoa. Cheguei a sugerir tirar ela e conseguir dinheiro e pagar um exame particular para ela. Esse novo sistema tem atrasado muito o paciente de urgência e emergência ser transferido para a Santa Casa”, disse.
O prefeito de São Sebastião do Paraíso, Marcelo de Morais (PSD), afirma que, após a implantação do sistema Core, feita pela Secretaria Estadual de Saúde, que faz a regulação de vagas para pacientes acompanhados pelo SUS, a remoção e a transferência dos pacientes ficaram mais complicadas. Ele afirma que o novo modelo envia pessoas para outras cidades, mesmo com tratamento disponível no município. O contrário também acontece e o município recebe pacientes até do norte do estado.
“Nós não estamos questionando a decisão do Estado de colocar o programa. Nós só queremos que os nossos pacientes sejam regulados para onde nós temos a pactuação, onde temos o espaço para ser atendido. E o caos que está acontecendo é que o meu paciente que está aqui na UPA está esperando no mínimo 12 horas para ser regulado. Eu tenho paciente que ficou 30 horas aqui sem regulação, esperando atendimento.”
Morais disse ainda que a demora na regulação das vagas causa o congestionamento de pacientes na UPA. O receio é que os atendimentos de urgência e emergência sejam prejudicados.
Pacientes e gestores alegam dificuldades para conseguir vagas pelo Sistema Core
O prefeito afirma ainda que acionou a justiça para que o sistema anterior voltasse a operar.
“Já fiz o questionamento ao governador do estado, já fiz o questionamento ao secretário de saúde, à equipe do secretário de saúde. Estou tentando resolver na boa desde o dia 19 de maio, quando foi instalado aí esse programa, só que nós chegamos ao limite’, afirmou.
Assim como em São Sebastião do Paraíso, outros municípios têm encontrado dificuldade em atender seus cidadãos que precisam de internação.
Segundo a coordenadora de enfermagem da Unidade de Pronto Atendimento de Passos, Gelza Silva Macedo, pacientes chegam a esperar uma semana por uma internação.
“Na semana passada a gente estava com 42 pacientes internados na UPA e a gente tem que cuidar deles aqui. Tem a questão do almoço, tem a questão do café da manhã. E esses pacientes acabam cansando também de esperar a vaga. A gente não tem previsão de quando essa vaga vai sair. Então isso está dificultando muito e a UPA acaba ficando superlotada”, afirmou.
Secretaria diz que sistema segue prioridade de cada caso
O subsecretário de acesso a serviços de saúde de Minas Gerais, Renan Guimarães Rosa de Oliveira, afirmou que as transferências são feitas de acordo com a prioridade e que cada caso é avaliado individualmente. Sobre as reclamações dos gestores, ele afirma que o sistema é transparente em relação aos critérios adotados. Disse ainda que a secretaria não identificou, até o momento, extrapolamento de tempo para as internações.
“A gente se utiliza de uma grade de referência que busca sempre a unidade mais próxima que tenha um leito disponível, partindo da primeira avaliação feita pela condição clínica do paciente, diagnóstico dele e também do tratamento solicitado. E a gente busca o profissional e o leito disponível dentro das unidades da região, sempre priorizando município, microrregião, macrorregião, mas nunca se limitando a uma microrregião ou macrorregião.
Municípios se reuniram com Secretaria Estadual de Saúde
Sede da Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Rio Grande (AMEG), em Passos (MG)
Divulgação
Prefeitos da Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Rio Grande (AMEG) se reuniram com o subsecretário para discutir o funcionamento da Core e entregaram ofício com o objetivo de formalizar as reivindicações ao governo do estado de Minas Gerais.
Entre os pedidos estão a redução do tempo de resposta das regulações, o respeito às referências assistenciais que foram pactuadas e maior transparência nos critérios adotados pelo sistema. O documento também solicita o fortalecimento das centrais regionais de regulação e a criação de um canal permanente de diálogo entre o estado, municípios e também com os hospitais.
O encontro, realizado na sede da AMEG, em Passos, contou com representantes de São Tomás de Aquino, São Sebastião do Paraíso, Pratápolis, Claraval, Itaú de Minas, Fortaleza de Minas, Passos, São João Batista do Glória, São José da Barra, Carmo do Rio Claro, Jacuí, São Pedro da União e Itamoji.
Durante a reunião, representantes das Santas Casas e outras instituições hospitalares relataram as dificuldades que eles estavam enfrentando, como a comunicação com a Central Estadual de Regulação, a definição dos fluxos assistenciais, a ocupação de leitos e aumento da demanda administrativa, que segundo eles, compromete a eficiência do atendimento e sobrecarregam as equipes de saúde.
O presidente da AMEG, o prefeito de São Tomás de Aquino, Daniel Ferreira da Silva (PSD), disse que apenas explicar o funcionamento dessa nova ferramenta não é suficiente e que são necessários ajustes para que o sistema funcione de forma eficiente e atenda as expectativas de quem depende dele.
O subsecretário apresentou o funcionamento do sistema Core e respondeu aos questionamentos que foram feitos. Ele sugeriu que as demandas fossem unificadas pela AMEG, o que, de acordo com ele, permitiria a elaboração de um plano de ação em conjunto para atender os municípios.
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