
Médica salva idoso após infarto em caminhada no Parque da Jaqueira
Um homem de 65 anos foi salvo por uma anestesista após sofrer uma parada cardíaca enquanto caminhava no Parque da Jaqueira, na Zona Norte do Recife. Segundo a anestesista Priscila Carvalho, ela perdeu o horário, chegou atrasada ao local para correr e, em sua primeira volta na pista de corrida, se deparou com a vítima inconsciente.
O atendimento foi iniciado pela médica, que fez manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP) por mais de dez minutos até a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O caso levantou um alerta sobre a ausência de um desfibrilador no parque. A presença do equipamento é exigida por leis municipal e estadual.
✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE
Segundo a anestesista Priscila Carvalho, ela fazia uma corrida quando encontrou o idoso inconsciente após ele cair e bater a cabeça.
Sem perder tempo, ela iniciou as compressões torácicas e contou com a ajuda de outras duas pessoas para revezar a massagem cardíaca, já que o procedimento exige esforço físico constante.
“Fiquei revezando com mais duas pessoas, porque exige um esforço físico grande e a gente precisa que essas compressões torácicas sejam eficazes. Se ela não for eficaz, a gente diminui muito a chance de sobrevida do paciente. A cada dois minutos, a gente ia se alternando para conseguir manter essas compressões”, contou.
A médica afirmou que costuma correr às 5h, mas naquele dia correu no parque em um horário diferente do habitual, porque acordou mais tarde que o usual.
“Não consegui acordar para correr no horário habitual e eu vim correr num horário completamente fora do meu normal, um horário que eu não gosto, que é um horário de sol. Vim reclamando. Na minha primeira volta, me deparo com essa situação. A gente fica muito reflexivo, porque eu não deveria estar aqui nesse horário, mas estava no momento certo para aquela pessoa. É aquela sensação de que realmente eu tinha que estar aqui naquele momento. Deus me mandou para isso”, disse.
Segundo ela, o coração do paciente voltou a bater antes da chegada do Samu. Em seguida, a equipe utilizou um desfibrilador para estabilizar o homem e dar continuidade ao atendimento.
“Eu saí muito grata por ter conseguido salvar a vida de um paciente, eu não sei o desfecho dele, mas foi um sentimento de muita gratidão, de conseguir cumprir com o juramento que eu fiz faculdade, e a minha missão é essa”, declarou.
Médica Priscila Carvalho salvando idoso após infarto em caminhada no Parque da Jaqueira
Reprodução/WhatsApp
Falta de desfibrilador
O Parque da Jaqueira, bem como outros três locais, foi recentemente foi concedido à iniciativa privada por 30 anos pela prefeitura do Recife. A empresa Viva Parques é quem gerencia os equipamentos.
Perto do Parque da Jaqueira fica o Parque Santana, também na Zona Norte, outro local bastante utilizado para exercícios físicos pela população. Assim como no primeiro, lá também não havia o desfibrilador exigido por lei, como apurou a TV Globo.
De acordo com o médico intensivista Marcos Galindo, a rapidez no início das compressões torácicas foi decisiva para salvar a vida do paciente.
“O suporte básico de vida, que são as compressões torácicas, o mais rápido possível é o que salva as pessoas, né. Então, o que Priscila fez foi fundamental. As pessoas que têm treinamento conseguem prestar um atendimento adequado, de compressões torácicas, e, assim que possível, quando tiver um desfibrilador disponível, aplicar o desfibrilador para ver se o paciente precisa de um choque para recuperar o coração”, declarou.
O especialista destacou, no entanto, que o desfecho poderia ter sido pior, devido à falta de desfibrilador no parque. Isso porque, segundo ele, a principal causa das paradas cardíacas é o infarto, e muitas vítimas apresentam arritmias que só podem ser revertidas com a aplicação de choque elétrico.
“A causa mais comum é um infarto e a morte geralmente é por arritmia cardíaca. Então, as arritmias são fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular. São arritmias que só saem, só vão se recuperar, se a gente administrar um choque”, explicou.
A presença do equipamento, além de recomendada por especialistas, é prevista na Lei Municipal nº 17.605/2007, que determina a instalação de desfibriladores em espaços públicos com circulação superior a 1,5 mil pessoas por dia.
Outra lei, válida em todo o estado, exige a presença do equipamento em qualquer local com circulação de, ao menos, 2 mil pessoas.
O que diz a concessionária
Procurada, a Viva Parques, responsável pela administração dos parques da Jaqueira, Santana, Apipucos e Dona Lindu, informou que todas as áreas de lazer possuem plano de emergência que inclui desfibrilador.
A empresa, no entanto, não explicou por que o equipamento não estava disponível durante o atendimento ao idoso.
Segundo a concessionária, os vigilantes acionaram o suporte e prestaram auxílio à médica. A Viva Parques afirmou ainda que o uso do desfibrilador depende da avaliação clínica do profissional de saúde responsável pelo atendimento.
VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias
