Quem era Lydia Möcklinghoff, pesquisadora morta em queda de avião

Lydia MöcklinghoffReprodução / Redes Sociais

A pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff morreu na manhã desta sexta-feira (3) na queda de um avião de pequeno porte nas proximidades do Aeródromo Santa Maria, em Campo Grande (MS). Ela estava na aeronave ao lado do piloto Henrique Martin de Carvalho, que também não resistiu ao acidente. As mortes foram confirmadas pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp).

Reconhecida pelo trabalho em defesa da biodiversidade, Lydia construiu uma carreira voltada ao estudo da fauna silvestre e da conservação ambiental. Ao longo dos últimos anos, desenvolveu pesquisas no Pantanal brasileiro, onde participou de projetos científicos em parceria com instituições nacionais e alemãs.

Além de zoóloga, também trabalhava como ecóloga tropical, jornalista científica e fotógrafa de natureza, conciliando a produção acadêmica com iniciativas de divulgação da ciência para o público.

Grande parte de suas pesquisas esteve voltada aos tamanduás-bandeira, espécie considerada vulnerável à extinção. Em seus estudos, buscava compreender o comportamento desses animais e desenvolver métodos de monitoramento que permitissem identificá-los sem a necessidade de captura, o que contribui para ações de preservação da espécie e de seu habitat.

Lydia integrava o Museu de Pesquisa Zoológica Alexander Koenig, na cidade de Bonn, na Alemanha, e mantinha colaboração com pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Entre os projetos dos quais participou estava o monitoramento da biodiversidade do Pantanal por meio de gravações sonoras, imagens e vídeos, tecnologia utilizada para acompanhar a presença e o comportamento de diferentes espécies na região.

Fora do ambiente acadêmico, a pesquisadora também se dedicava à divulgação científica. Produziu livros sobre vida selvagem, participou de programas de rádio e televisão na Alemanha e apresentava o podcast “Tierisch!”, voltado à aproximação do público com temas relacionados à natureza e à conservação.

Nos últimos dias, Lydia compartilhava em suas redes sociais registros da viagem ao Brasil. As publicações mostravam paisagens do Pantanal, animais encontrados durante o trabalho de campo e momentos da expedição científica. Pouco antes do acidente, ela também publicou imagens da vista aérea do Rio de Janeiro durante um voo.

Acidente será investigado

Segundo a Sejusp, o avião caiu após tentar realizar um pouso alternativo em razão da baixa visibilidade causada pela neblina na região de Campo Grande. O Corpo de Bombeiros localizou a aeronave em uma área de difícil acesso e confirmou a morte dos dois ocupantes.

A Polícia Civil e a Perícia Criminal estiveram no local para os primeiros procedimentos. As circunstâncias da queda serão investigadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão da Força Aérea Brasileira responsável pela apuração de acidentes aeronáuticos, com apoio das autoridades estaduais.

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