
O papa Leão XIV aproveitou as comemorações pelos 250 anos da independência dos Estados Unidos para fazer um apelo em defesa dos imigrantes e da dignidade da vida humana. Em uma carta divulgada neste sábado (4), data em que o país celebra a assinatura da Declaração de Independência, o pontífice, que é o primeiro americano a comandar a Igreja Católica, afirmou que acolher quem busca uma nova oportunidade é parte da própria identidade da nação.
Na mensagem, Leão XIV destacou que os Estados Unidos foram construídos com a contribuição de pessoas vindas de diferentes partes do mundo e afirmou que esse legado deve ser preservado.
“Defender a vida humana também inclui acolher, proteger e auxiliar os imigrantes, cujas esperanças, sacrifícios e contribuições fazem parte da história deste país desde o seu início.”
O papa acrescentou que receber essas pessoas com compaixão e generosidade não é apenas um ato de caridade, mas também um reconhecimento da dignidade inerente a cada ser humano.
Embora a carta não cite diretamente o presidente Donald Trump, a manifestação ocorre em meio às críticas feitas por lideranças às políticas migratórias adotadas pelo governo americano.
Antes de ser eleito papa, Leão XIV desenvolveu grande parte de sua trajetória pastoral na América Latina, especialmente no Peru, onde manteve contato próximo com comunidades migrantes e populações vulneráveis.
Liberdade, democracia e responsabilidade
Na carta, o pontífice também parabenizou os americanos pelo aniversário da independência e classificou a assinatura da Declaração de 1776 como um dos momentos mais importantes da história do país. Segundo ele, o documento consolidou princípios como liberdade, igualdade, justiça, democracia e a busca pela felicidade.
Leão XIV afirmou que a data deve servir não apenas para celebrar o passado, mas também para refletir sobre as responsabilidades das atuais gerações na construção do futuro dos Estados Unidos.
“Que este marco renove o compromisso compartilhado com a promessa de liberdade, justiça, oportunidade e democracia”, disse na carta.
O papa também ressaltou a importância da liberdade religiosa, que definiu como um dos pilares da sociedade americana. Segundo ele, esse princípio permitiu que diferentes crenças convivessem de forma pacífica e possibilitou à Igreja Católica ampliar sua atuação em áreas como educação, saúde, assistência social e atendimento às pessoas em situação de vulnerabilidade.
Fé, vida e bem comum
Ao longo da mensagem, Leão XIV defendeu que a fé cristã deve incentivar a participação na vida pública e o compromisso com o bem comum. Citando seu antecessor Leão XIII, afirmou que o cristão consciente de seus deveres pode contribuir para uma sociedade mais justa e solidária.
O pontífice também voltou a defender a proteção da vida humana “desde a concepção até a morte natural” e disse que uma sociedade justa deve oferecer acolhimento aos mais vulneráveis, incluindo pessoas em situação de sofrimento, pobreza e exclusão.
Na parte final da carta, Leão XIV pediu que os americanos enfrentem os desafios atuais com coragem e união, respeitando as diferenças e fortalecendo as comunidades.
“Que o espírito de 1776 continue a inspirar esperança e união enquanto os Estados Unidos da América avançam para o futuro”, finalizou.
A mensagem foi publicada no dia em que os Estados Unidos celebram os 250 anos da assinatura da Declaração de Independência, documento que marcou a separação das Treze Colônias do domínio britânico e deu origem ao país.
