
Pedro Jorge de Melo e Silva, procurador federal que denunciou ‘Escândalo da Mandioca’
Acervo pessoal/Reprodução
O procurador da República Pedro Jorge de Melo e Silva entrou para o Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. Ele foi assassinado em 1982, em Olinda, por ter denunciado o “Escândalo da Mandioca” — grande esquema de desvio de recursos que deveriam ser destinados a agricultores no Sertão de Pernambuco.
A Lei 15.446/2026, que oficializa o reconhecimento, foi sancionada pelo presidente em exercício Geraldo Alckmin (PSB), e foi originada de um projeto de lei da senadora por Pernambuco Teresa Leitão (PT).
✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE
O projeto foi apresentado em março de 2024. Em maio de 2025, o texto foi aprovado pela Câmara Municipal. A sanção ocorreu na terça-feira (30), no Palácio do Planalto. Estiveram presentes, além de Geraldo Alckmin e Teresa Leitão, membros da Associação Nacional dos Procuradores da República e uma das filhas de Pedro Jorge, Roberta Viegas.
Pedro Jorge foi o responsável por desvendar o “Escândalo da Mandioca”, ocorrido entre 1979 e 1981 numa agência do Banco do Brasil em Floresta, Sertão de Pernambuco.
Agora no g1
Conforme as investigações, criminosos desviavam de recursos do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) por meio de empréstimos agrícolas utilizando documentos falsos e propriedades fictícias para o plantio de mandioca.
Depois de conseguir a verba, eles simulavam “quebras de safra” por seca ou pragas para obter as indenizações do seguro agrícola. O prejuízo aos cofres públicos, em valores atualizados, pode ter chegado ao equivalente a R$ 20 milhões.
LEIA TAMBÉM:
Dom Hélder Câmara entra para o Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria
Pedro Jorge, mesmo recebendo ameaças de morte, decidiu denunciar o caso à Justiça, e conseguiu tornar rés 19 pessoas, incluindo um deputado estadual, militares, servidores e os empresários que se passavam por trabalhadores rurais para receber empréstimos.
A Justiça aceitou a denúncia e, três meses depois, Pedro Jorge foi assassinado com três tiros enquanto saía de uma padaria em Olinda, no dia 3 de março de 1982.
Ao todo, seis homens, identificados como Elias Nunes, Euclides de Souza, José Lopes, Heronides Cavalcanti, Jorge Ferraz e Irineu Gregório Ferraz, foram condenados por envolvimento no crime.
O mandante do assassinato, o ex-major da Polícia Militar José Ferreira dos Anjos, chegou a ficar foragido por 12 anos antes de ser recapturado nos anos 1990. Ele foi condenado a 32 anos e seis meses de reclusão por homicídio e falsidade ideológica.
Permaneceu preso por 10 anos e sete meses, mas foi solto em 2003, após ser beneficiado por um indulto concedido pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O ex-PM morreu em novembro de 2018.
VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias
