
Redação DW
O Hamas anunciou nesta segunda-feira (06/07) a dissolução do seu governo na Faixa de Gaza. O grupo armado se prepara para transferir o poder para um comitê técnico apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU), como parte de um acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos.
Não está claro, porém, se o Hamas pretende se desarmar ou transferir a segurança para uma força internacional. O grupo descreveu sua decisão como uma demonstração de seu compromisso com a reconstrução de Gaza após quase três anos de guerra.
Tampouco há garantia de que a medida, anunciada por um funcionário de escalão inferior, levará a uma mudança significativa na prática. O Hamas — classificado como organização terrorista pelos EUA, pela União Europeia (UE) e diversos países no mundo — governa a Faixa de Gaza há duas décadas, desde as eleições de 2006.
Em coletiva de imprensa, Ismail al-Thawabta, diretor-geral do Escritório de Mídia do Governo administrado pelo Hamas, afirmou que “apenas funcionários técnicos e profissionais” permanecerão em seus cargos para conduzir os assuntos cotidianos do enclave palestino.
“Todos os funcionários que trabalham na prestação de serviços são ‘funcionários do Estado’ e estão totalmente preparados para trabalhar sob o Comitê Nacional para a Administração de Gaza”, disse. Já o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, chamou a medida de “um passo positivo adiante no caminho para implementar o acordo de cessar-fogo”.
Desarmamento é ponto-chave
O Conselho de Paz, entidade liderada pelo presidente americano Donald Trump com o mandato de governar e reconstruir Gaza, declarou estar ciente do anúncio do Hamas, mas afirmou que avaliará o impacto com base em “ações, não promessas”.
O órgão, alvo de controvérsia global, enfatizou que o comitê tecnocrático deve controlar todas as armas no enclave palestino, conforme estabelecido no acordo de cessar-fogo. “O princípio central continua sendo uma só autoridade, uma só lei e um só arsenal.”
Israel, por sua vez, descartou o anúncio como irrelevante. “A suposta renúncia do governo do Hamas, em que todos os membros do Hamas permanecem em seus cargos, é uma manobra de imagem sem qualquer significado”, afirmou uma autoridade israelense, sob condição de anonimato, porque não estava autorizada a falar com a imprensa.
O comitê de tecnocratas, sediado no Cairo, é presidido por Ali Shaath, engenheiro nascido em Gaza e ex-funcionário da Autoridade Palestina. Ele tem o mandato de restaurar os serviços essenciais e coordenar os assuntos civis sob a supervisão da ONU e do Conselho de Paz.
Nove meses após a assinatura do cessar-fogo, as negociações entre Israel e Hamas continuam amplamente estagnadas em relação à implementação da sua segunda fase, incluindo o desarmamento do grupo palestino e a reconstrução de Gaza. O Hamas condicionou uma discussão sobre o desarmamento à implementação da primeira fase.
Ataques ainda diários
O ataque de 7 de outubro de 2023 pelo Hamas matou cerca de 1,2 mil pessoas em Israel e resultou no sequestro de outras 251. A ofensiva retaliatória de Israel em Gaza matou quase 79 mil palestinos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza.
O ministério, que faz parte do governo liderado pelo Hamas, é composto por profissionais de saúde e mantém registros detalhados considerados, em geral, confiáveis por agências da ONU e especialistas independentes. Ele não distingue civis de membros armados do Hamas e afirma que mulheres e crianças representam cerca de metade de todas as mortes.
Os ataques israelenses diminuíram consideravelmente desde que o cessar-fogo entrou em vigor em 10 de outubro, mas continuam quase diários. As Forças Armadas de Israel afirmam que têm como alvo o Hamas e outros atores armados.
Na segunda-feira, ataques israelenses mataram pelo menos cinco pessoas em Gaza, incluindo três em Khan Younis e duas em um apartamento na Cidade de Gaza, segundo autoridades locais. Desde o início do cessar-fogo, cinco militares israelenses morreram em confrontos com o Hamas.
ht/ra (AFP, AP, ots)
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Autor: Redação DW
