
Em um desfiladeiro cortado pelo rio Kalarrytiko, o Mosteiro de Kipina, com cerca de 800 anos, parece ter sido esculpido na própria rocha, na entrada de uma caverna aberta em um penhasco nas montanhas do noroeste da Grécia.
Seu nome “Kipina” teria origem na palavra grega “kipos”, que significa “jardim”, em referência às hortas que eram cultivadas pelos próprios monges em volta do mosteiro.
Segundo a Arquidiocese de Atenas, alguns dos textos atribuem sua criação ao arcebispo Grigorios, em 1212, enquanto outros dizem que ele foi fundado no século 13 por monges do Mosteiro de Vyliza.
Mesmo sendo dedicado à Dormição da Virgem Maria, o Mosteiro de Kipina faz sua principal festa na Sexta-feira da Páscoa, durante a Festa da Fonte da Vida, quando, todos os anos, reúne peregrinos que visitam o santuário.
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Difícil acesso preservou o templo
O acesso ao mosteiro é feito por uma trilha escavada na própria parede de calcário, de mais de 200 milhões de anos. A estrada até o templo passa pelas montanhas dos Montes Pindos e chega à vila histórica de Kalarrytes, de onde começa o trecho final até o mosteiro.
A igreja principal, chamada “Catholicon“, é um pequeno templo construído no interior da caverna, com um único espaço para os fiéis e um ambiente de entrada. O teto é formado pela própria rocha natural, esculpida para criar o formato de uma cúpula.
O lugar guarda pinturas religiosas feitas diretamente nas paredes entre o fim do século 17 e o início do século 18 pelo artista Ioannis, de Sagiada.
A partir dessa entrada, é possível acessar outra caverna com cerca de 240 metros de comprimento e nove metros de altura. Segundo o Ministério da Cultura da Grécia, esse espaço corresponde ao antigo caminho que passava um rio subterrâneo.
O complexo também tem um prédio de dois andares com quartos onde viviam os religiosos, uma passagem com ponte levadiça e uma construção de apoio na parte de fora.
Por ficar em um lugar de difícil acesso, o mosteiro conseguiu ser preservado durante séculos, sendo um dos poucos da região a escapar da destruição durante ataques.
Durante o período da ocupação otomana, o mosteiro teria abrigado uma escola secreta e a caverna serviu de refúgio para moradores da região, segundo a Arquidiocese de Atenas. Já no século 19, o lugar foi abandonado e, em 1931, passou a funcionar como dependência do Mosteiro de Tsouka.
Região é cheia de mosteiros
O monastério fica no noroeste da Grécia, uma das regiões mais isoladas da Europa. Os Montes Pindos se estendem por cerca de 160 quilômetros e têm paisagens montanhosas com picos acima de dois mil metros de altitude.
A região tem parques nacionais, o Geoparque Vikos-Aoös e diversos mosteiros que também foram construídos nos paredões de pedra. Um dos mais famosos é Meteora, conhecido pelos templos no topo de enormes rochas próximas à cidade de Kalambaka.
Assim como Kipina, muitos desses mosteiros foram construídos em locais de difícil acesso para ajudar na defesa. No passado, alguns só podiam ser acessados por cestos que eram presos por cordas. Hoje, esses acessos são feitos por escadas abertas na rocha.
