
Arsenal do ex-presidente Jair Bolsonaro ganha novos desdobramentos, após Comando do Exército informar ao Supremo Tribunal Federal (STF) que duas das oito armas que deveriam estar sob sua custódia em Brasília (DF) não foram localizadas, nesta segunda-feira (6). No mesmo dia, o ministro Alexandre de Moraes tinha dado prazo de 48 horas para que as Forças Armadas entregasse oito armas de Bolsonaro para a Polícia Federal (PF).
Os advogados do ex-presidente protocolaram uma manifestação por meio de petição no STF sobre o paradeiro do armamento. O conteúdo detalhado do documento não foi divulgado no andamento no processo na Suprema Corte.
Armas de Bolsonaro: como tudo começou
O vaivém em cima das armas de Jair Bolsonaro começou em 15 de junho de 2026, quando sua pistola Glock 9mm foi apreendida pela polícia durante blitz de rotina no Distrito Federal. Ela foi encontrada no assoalho de um carro oficial conduzido por sargento do Exército, lotado na equipe de segurança federal (GSI). Após esse episódio, Moraes revogou na última sexta (3), o registro de colecionador de arma do ex-presidente (CAC).
Moraes também decidiu essa semana pelo recolhimento do arsenal de Bolsonaro por não ser compatível com as regras da sua atual condição de preso em domicílio. A custódia do armamento do ex-mandatário ao Exército foi uma escolha da defesa que alegou a concentração do acervo na Polícia do Exército em Brasília, por uma questão de segurança institucional e conservação. Bolsonaro tinha essa vantagem, visto que é capitão da reserva.

Após o comunicado do “endereço” do acervo residual, o ministro determinou que o Exército transferisse as oito armas para a PF. Só que os militares entregarem apenas seis nesta segunda e informaram que duas não foram localizadas no Batalhão.
Diante a situação, a defesa de Bolsonaro protocolou documento detalhado no mesmo dia, esclarecendo ao STF que uma das armas sumidas foi a detida em blitz e a outra está até hoje – nunca foi retirada da loja- numa importadora de artigos bélicos de Caxias do Sul (RS). Esta arma se trata de uma espingarda calibre 12 da marca Maestro Arms.

A defesa de Bolsonaro correu contra o relógio para evitar novas acusações que descumpram as regras da prisão domiciliar humanitária – risco de revogar a decisão recente – e as últimas determinações do STF sobre manter o ex-presidente na mesma condição de reclusão.
Arsenal de colecionador: 11 armas
No total, Jair Bolsonaro possui 11 armas registradas que encontram-se na seguinte situação:
- 6 armas com a Polícia Federal, entregues em 6 de julho de 2026 pelo Exército – pistola Forjas Taurus, calibre .380 Automatic; pistola Forjas Taurus, calibre .40 Smith & Wesson; carabina/fuzil Springfield Armory, calibre 7,62×51 mm; espingarda Typhoon, calibre 12 GA; pistola Arex, calibre 9×19 mm Parabellum; e uma pistola SIG-Sauer, calibre 9×19 mm Parabellum.
- 2 armas com a Polícia Federal, entregues em março de 2023, sob determinação do Tribunal de Contas da União (TCU), relacionadas a presentes recebidos do exterior: carabina/Fuzil Caracal, calibre 5,56×45 mm e uma pistola Caracal, calibre 9×19 mm Parabellum.
- 1 arma retida com terceiros pela Polícia Militar do DF em blitz em Brasília – pistola Glock, calibre 9×19 mm Parabellum (arma que o Exército informou não estar no Batalhão).
- 1 arma está “perdida” – pistola Glock 9mm constava como retida no Batalhão do Exército, mas o mesmo informou que não foi localizada.
- 1 arma aguarda recolhimento (importadora no RS) – espingarda Maestro Arms Company, calibre 12 GA. Segundo os autos processuais, a informação é de que ela esta em caixa na empresa Maragato BR Importações de Artigos Bélicos.
Segundo consta nas últimas movimentações do processo de Jair Bolsonaro no STF, a defesa do ex-presidente agora aguarda que o Tribunal a resposta da PF quanto a intimação de Moraes sobre o recebimento das armas (últimas) pela PF e também, a notificação da empresa gaúcha a fim de recolher a espingarda de Bolsonaro, na tentativa de encerrar o impasse em torno das armas.
