Mais de 60% dos pacientes não se vacinaram contra a gripe em Mogi das Cruzes


Jundiapeba foi o bairro com maior número de atendimentos na cidade
Débora Carvalho/TV Diário
A rede municipal de saúde de Mogi das Cruzes registrou 29.593 atendimentos de pacientes com suspeita de gripe e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) entre 15 de maio e 7 de julho. Desse total, 68,95% não haviam se vacinado contra a gripe, segundo dados do Gripômetro da prefeitura.
🔎O “Gripômetro” é um painel digital de monitoramento em tempo real dos casos de gripe e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) registrados na rede de saúde de Mogi das Cruzes.
Ao todo, 20.407 pacientes não estavam vacinados. Outros 8.072 (27,27%) haviam recebido a vacina contra a influenza. O restante dos atendimentos não teve a situação vacinal informada.
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Segundo a Secretaria Municipal de Saúde e Bem-Estar, no dia 7 de julho, por exemplo, 207 pacientes foram atendidos com sintomas gripais. Desses, 113 não estavam vacinados, o que representa 54,59% do total.
Esse índice preocupa porque coincide com o período de maior circulação dos vírus respiratórios.
“A vacinação reduz o risco de evolução para formas graves da doença, que são os que demandam procura dos pacientes nas unidades de pronto-atendimento”, informou.
A cobertura vacinal no município também está abaixo da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde. Até 7 de julho, 51,21% do público prioritário havia sido imunizado, enquanto a meta é alcançar 90% de cobertura.
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O total geral de doses aplicadas, incluindo não prioritários, até esta data, é de 111.170. Entretanto, segundo a prefeitura, a liberação da vacina para toda a população contribuiu para aumentar o número de pessoas imunizadas.
Vacinação contra a gripe
A prefeitura informou que adota algumas estratégias para fortalecer a imunização no município. Entre elas estão:
Vacinação aberta para toda a população a partir de 6 meses;
Drive-thrus;
Vacinação em escolas;
Ações extramuros em locais de grande circulação, como Mercadão, Bom Prato e Terminal Central;
Horário estendido em oito unidades;
Divulgação permanente dos dados do Gripômetro para conscientização da população.
 Bairros com mais atendimentos de síndromes gripais
Jundiapeba foi o bairro com o maior número de atendimentos por síndromes gripais registrados no Gripômetro. Entre 15 de maio e 6 de julho, foram contabilizados 3.032 atendimentos. Desse total, 26,98% dos pacientes estavam vacinados contra a gripe.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde e Bem-Estar de Mogi das Cruzes, existem alguns fatores que podem influenciar no número mais elevado de pacientes desta região.
Além do distrito ter mais de 80 mil habitantes, a área conta com uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que funciona 24 horas e oferece atendimento de urgência, recebe pacientes de vários bairros vizinhos e até de outras cidades.
Em seguida aparece o Jardim Aeroporto, com 1.036 atendimentos. Entre os pacientes, 30,12% estavam vacinados.
Na sequência está o Jardim Universo, com 918 atendimentos. Nesse bairro, 27,23% dos pacientes atendidos haviam recebido a vacina contra a influenza.
Importância de se vacinar
Desde 1º de junho, a vacina contra a gripe está disponível para toda a população nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Mogi das Cruzes, após determinação da Secretaria de Estado da Saúde.
Segundo a Secretaria de Saúde de Mogi das Cruzes, 77% das crianças internadas no Hospital Municipal não haviam sido vacinadas. E 100% das crianças com quadros graves de influenza não estavam imunizadas.
Isto mostra que a vacinação é essencial para evitar casos mais graves da doença, como internações e complicações, especialmente entre os públicos mais vulneráveis.
O infectologista e professor do curso de medicina da Universidade de Mogi das Cruzes, Jean Gorinchteyn, explicou que o imunizante protege contra alguns tipos de vírus da gripe.
“Existem dois tipos de vacina, a vacina no setor público e no mercado privado. Na vacina pública, nós temos proteção contra três vírus, dois do subtipo A da Influenza e um da Influenza B”.
O professor disse que os fragmentos de vírus estimulam a defesa do organismo e, dessa maneira, protegem formando os anticorpos.
“É importante lembrar que, se eu tomo a vacina hoje, eu só estarei protegido depois de 12 a 14 dias. Isso quer dizer que, se eu tomei a vacina hoje e amanhã me expus a alguém com gripe, eu não estou devidamente protegido, eu posso evoluir para uma gripe e eventualmente até uma forma mais grave”, complementou.
O médico destacou que, mesmo imunizado, o paciente pode se contaminar com o vírus e desenvolver a doença. “[…] elas podem eventualmente apresentar gripe, mas um quadro muito atenuado, muito mais leve.”
Por isso, o infectologista destacou a importância de todos se imunizarem, principalmente crianças e idosos.
“Com a maior idade, a presença de comorbidades pode trazer um quadro de gripe muito mais grave que pode levar à internação ou até mesmo evoluir para a morte.”
Para receber a vacina nas unidades de saúde, é necessário levar um documento com foto e, no caso de crianças, além do RG ou certidão de nascimento, é preciso levar a carteira de vacinação.
Clique aqui para conferir os endereços das unidades
Quando os primeiros sintomas da gripe surgirem, a recomendação do Ministério da Saúde é que o paciente procure uma UBS ou Unidade de Saúde da Família (USF), quando forem mais leves, e um pronto-atendimento para situações de emergência.
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