Polícia tenta identificar clientes de esquema que desviou medicamentos no Acre


Polícia Civil informou que a investigação sobre o desvio de R$ 10 milhões em medicamentos está na fase final
Foto: Jarderson Silva/Secom
Seis meses após a descoberta de um esquema que desviava medicamentos e insumos hospitalares estimado em R$ 10 milhões em Rio Branco, a Polícia Civil informou nesta terça-feira (7) que está na fase final da apuração antes de indiciar os suspeitos.
Segundo a corporação, falta apenas a conclusão dos relatórios periciais extraídos de aparelhos telefônicos apreendidos durante as investigações.
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O delegado Igor Brito explicou que os celulares do idoso de 74 anos, que tinha a farmácia clandestina e de um servidor do estado foram apreendidos e passaram por perícia técnica em mensagens e ligações para buscar possíveis clientes que compravam os insumos desviados.
Conforme Brito, o resultado do laudo é que vai definir os próximos passos da investigação. Até a última atualização desta matéria, ninguém foi preso.
Durante os seis meses da investigação, a polícia apurou ainda se servidores públicos da Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre) tiveram envolvimento no crime.
“O caso está em segredo de Justiça para não atrapalhar as investigações e vai ser concluído o mais rápido possível. Estamos realmente, apenas nessa pendência da conclusão dos relatórios policiais”, resumiu.
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Grupo organizado
Após análises nas conversas telefônicas, no dia 14 de janeiro, a Polícia Civil descobriu um depósito clandestino usado para armazenar os materiais possivelmente desviados. A ação ocorreu na Rua Eduardo Asmar, região da Gameleira, Segundo Distrito de Rio Branco.
O idoso tinha em sua residência no Residencial Bom Sucesso em Rio Branco, medicamentos para tratamento contra câncer e hemodiálise, além de gazes, luvas e outros materiais hospitalares, retirados ilegalmente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre) e do Pronto-Socorro.
Além disso, a investigação aponta que os insumos também podem ter saído de Unidades de Pronto Atendimento (UPA) de Rio Branco e aconteciam desde 2023. O idoso foi preso no dia 5 de janeiro e solto no dia seguinte, ele aguarda o andamento das investigações usando tornozeleira eletrônica.
Investigações apontam que os materiais hospitalares eram retirados ilegalmente de hospitais da capital
Foto: Jarderson Silva/Secom
À época, o g1 apurou que a polícia apreendeu na casa do idoso mais de R$ 20 mil em espécie, dólares e outras moedas estrangeiras, além de morfina, analgésico para o alívio de dores agudas e crônicas. A mulher do suspeito também foi levada para a delegacia para prestar esclarecimento.
Já o servidor público que foi ouvido, teve o celular apreendido no dia 7 de janeiro e foi liberado no mesmo dia. No dia da oitiva, a polícia não divulgou detalhes sobre a revista na casa do servidor, mas confirmou que foram encontradas provas no telefone dele sobre o desvio de remédios.
O delegado também explicou que parte os medicamentos desviados que foram apreendidos durante as investigações está com a Polícia Civil e outra parte é mantida em um cofre na Sesacre.
“Representei pela restituição dos medicamentos e vamos fazer a entrega desses remédios para o estado. Nesse período, cada exemplar ficou aos cuidados da Polícia Civil. Era tanta coisa que a gente quase ficou sem espaço”, completou o delegado.
Depósito encontrado
As equipes policiais cumpriram mandados judiciais no depósito e também em uma clínica da Baixada da Sobral, que pertence ao empresário e ex-deputado estadual, Raimundo Correia da Costa, mais conhecido como Raimundinho da Saúde.
Caminhão foi utilizado para retirar o material apreendido e levar para uma depósito da Polícia Civil
Júnior Andrade/Rede Amazônica Acre
O primeiro alvo dos policiais foi o depósito na Gameleira. O estabelecimento estava fechado e não tinha ninguém dentro. Os medicamentos e materiais hospitalares estavam armazenados em caixas de papelão e sacos de lixo.
Havia várias caixas violadas, embalagens de insumos abertos e materiais espalhados no estabelecimento. Ao g1, a Sesacre informou à época que a operação ocorreu a pedido da pasta após ‘identificação de indícios de furto de medicações e insumos em unidades de saúde’.
Durante entrevista no dia 5 de janeiro, o então secretário de saúde, Pedro Pascoal disse que os desvios tiveram impactos aos pacientes. “O Estado fazia a aquisição mas os medicamentos nunca eram suficientes para as patologias, doenças, diagnósticos, e isso deu um start [na investigação]”, afirmou.
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